Trabalhadores, uni-vos! Bioma lança álbum “União e Rebeldia”

Há alguns dias, a banda paulistana de queercore Bioma, lançou o clipe de “Cidade Perdida”, música que compõe o álbum “União e Rebeldia”. Assim como outras bandas como Desalmado, Ruim e Trampa, a banda também escolheu o Dia do Trabalhador para lançar seu material (que em breve será resenhado por aqui). As temáticas das letras são causas sociais, indígenas, de gênero e sobre o meio ambiente. Contou com participações Cint Murphy da banda In Venus, e Karine Campanille (Transviada Distro, Mau SangueMessias EmpaladoViolence Increases Fear) que também realizou as captações das músicas.

Fundada em 2017 na cidade de São Paulo por Julia Kaffka (Baixo), Leticia Figueiredo (Bateria), Mayra Vasconcellos (Guitarra), Natália Pinheiro (Natoka – vocal), a banda idealizou o disco de forma que pudesse continuar transmitindo o espírito coletivo e a urgência da união de causas retratados no clipe de Cidade Perdida.  Uma postura que a banda vem se propondo a construir desde sua formação.

Delinquentes: lendária banda de Hardcore Crossover do Pará faz 3 shows em SP

Uma das mais antigas bandas de Rock no Pará em atividade, o Delinquentes fará três shows em São Paulo no mês de dezembro, destilando seu Hardcore crossover, genuinamente amazônico.

A banda fará as seguintes datas: dia 13 de dezembro no 74 Club de Santo André, em 14 de dezembro o grupo toca no Caveira Velha de Jandira, e no dia 15 de dezembro o compromisso dos caras é no Fabrique Clube de São Paulo.

Com um currículo repleto de grandes festivais, turnês pelo país, participação em coletâneas nacionais, além de três discos, um DVD, vários videoclipes e muito material gravado, o Delinquentes passou por todas as grandes transformações da cena independente paraense e se firmou na história da música local, nunca parando de tocar desde seu início, em 1985.

A discografia do grupo traz os álbuns Pequenos Delitos (2000), Indiocídio (2009), o DVD Planeta dos Macacos (gravado ao vivo na Praça da República em 2013) e o último Infectus Humanos (2019).

Lançado em abril deste ano, o CD Digipack Infectus Humanus, foi gravado por Kleber Chaar no Fábrika Studio, produzido por Camillo Royale (Turbo) e mixado e masterizado por Gustavo Vazquez, do estúdio goiano Rocklab. O disco, lançado em parceria de 3 selos: Na Music, Distro Rock Records e a paulistana Orleone Records, contém 11 faixas e é um tapa na cara do conservadorismo dentro da cena rock nacional, um grito contra o conformismo desde a abordagem das letras, passando pelo som cuspido e veloz até a ousada capa, criada pelo designer paraense, premiado dentro e fora do país, John Bogea.

O Delinquentes é Jayme Katarro (vocais/berros), Paulo Henrique (guitarra e backing vocals), Pablo Cavalcante (baixo e backing vocals) e Raphael Lima (bateria e backing vocals).

Ação Direta “Na Cruz da Exclusão”: A Maestria no Hardcore Brasileiro

Com mais de três décadas de estrada, o Ação Direta lança este mês seu novo disco, Na Cruz da Exclusão, que sai numa parceria da Monstro Discos com a Xaninho Discos trazendo uma homenagem à banda Dorsal Atlântica. A versão de ‘Caçador da Noite’ também ganhou um videoclipe já disponível no YouTube.

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“Na Cruz da Exclusão” se inicia com com o som “Devorar”, que conta com uma intro tensa, que dá lugar a batidas insanas e um berro transtornado. “Viver é regredir” é um hardcore rápido com riffs bem construidos e criativos, que quebram pra um refrão insano. Na sequência temos “Secular” que fala sobre crimes ambientais, contra a cultura e o assassinato a 80 tiros, em assassinos que acabam sem punição, devido ao sistema. “Artificial” começa com um riff mais pesado sozinho que na sequência ganha o apoio dos demais instrumentos, ganhando corpo, que logo dá lugar ao hardcore que pede por pogo. “Sitiado” é um dos sons mais legais do trabalho, com uma pegada mais crossover. “Imbecilização da Raça” fala sobre a intolerância vinda de pessoas imbecis, com uma sequência de adjetivos com a letra “i”, é o meu som preferido do trabalho. “Na Cruz da Exclusão”, que dá nome ao álbum, é um som que fala sobre polarização e tem um baixo marcante e riffs clássicos do crust, com um tum pá tum pá convidativo ao pogo. Na sequência temos “What Should I Do With My Life”, único som em inglês, que ficou muito bom. A métrica de Gepeto ficou muito bem encaixada e fácil de grudar em nossas cabeças. É o segundo som mais legal do disco. “O.C.E.A.N.” conta com riffs do metal, com a clássica cavalgada, um ótimo som. “Caçador da Noite” começa com um discurso que dá licença a velocidade. Fechando o disco “Tempos de Individualização” fala sobre a perda do senso coletivo e exacerbada individualização dos tempos atuais.

Esse é mais um dos excelentes trabalhos lançados em 2019 (em que as bandas estão inspiradas pelas desgraças do atual governo) e que tem tudo para se tornar um clássico. Parabéns aos envolvidos!

Hardcore Crust da Amazônia: conheça um pouco mais sobre a Klitores Kaos de Belém/PA

Klitores Kaos é uma banda de crust feminista, de esquerda, antifascista. Formada em fevereiro de 2015, pelas vocalista Grace Dias e baterista Débora Mota, a partir de uma vontade e necessidade de bandas formadas só por mulheres no cenário hardcore punk da cidade, com uma ideologia de fato feminista, como uma forma de expressar nossas ideias, criticar o sistema opressor que serve aos interesses da elite burguesa do país, a desigualdade e caos social de nossa cidade, e enfatizando a questão de gênero também. Fazem um som politizado, pesado e cru! Conversamos um pouco com elas e com a ex-vocalista Grace que continua ativa na banda, apesar da distância.

A banda passou recentemente por uma mudança de formação, devido a viagem da vocalista Luma para Portugal. Falem um pouco sobre essa transição.

Acho que uma das principais dificuldades foi a mudança de formação, quem ficaria no vocal, passaram a Thyrza que segurou as pontas em alguns shows importantes que ja estavam marcados. Depois encontrar uma vocal q ficasse permanente era o desafio. Agora já estão mais orientadas as coisas e a batera assumiu o vocal e ta se saindo muito bem, apenas tendo que se ajustar algumas coisas nas músicas.

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A Klitores Kaos é uma banda com postura e letras antifascistas. Como é o cenário independente em Belém? Há apoio ou repúdio à postura da banda?
A gente recebe muita manifestações de apoio na cena de Belém, muitas minas passaram a ir nos shows depois de um tempo afastadas do cenário, pois se sentiram acolhida com nosso som e letras. Mas claro que há ainda muito machismo, que são expressos através de xingamentos bem baixos na página da banda e até mesmo com assédio de homens em alguns shows. Caras que dizem apoiar a banda, mas tem atitudes super machistas e misóginas, parece que não lêem as nossas letras e nem sacam a ideologia da banda. Apoio que é pura falácia no fim das contas. Somos uma banda de composta por mulheres, feminista e antifascista!

Vocês fizeram um financiamento coletivo para ajudar na gravação do próximo trabalho de vocês e conseguiram angariar os fundos. Como foi esse processo? A galera ajudou na divulgação?

Fizemos no site do vakinha e no começa não tínhamos muita confiança que conseguiríamos arrecadar a grana, mas felizmente valeu a pena a iniciativa pois teve muita divulgação da galera de Belém e de outros Estados, doações da nossa cidade e de fora também, e conseguimos bater a meta que propomos! Aproveitamos pra agradecer novamente todos que ajudaram e divulgaram! Já finalizamos a gravação do EP e esperamos que em breve fique pronto!

Como foi o processo de gravação? Quando o material estará disponível?

O processo de gravação foi algo bem novo pra todas nós, apesar de que já tínhamos passado pela experiência de gravar um tributo a banda Bulimia, tocando uma versão de uma das músicas, gravar nosso próprio som foi diferente, tivemos que ajustar algumas coisas, mas tivemos muito apoio e orientação do Zé Lucas, da banda Sokera, que ta produzindo a gravação do EP, enfim, foi bem emocionante particularmente pra mim registrar nossas músicas próprias, um sonho realizado! O EP ta em processo de finalização da mixagem/produção das músicas, esperamos que em breve fique tudo pronto,pois queremos lançar não apenas em formato digital, mas também físico(inclusive os selos e distros que tiverem interesse em lançar nosso material, só entrar em contato, estamos disponíveis para.conversar, como eu disse,é um procedso novo pra todas nós, de gravação, produção, lançamento, e quem tiver dicas etc para nos passar, agradecemos muito.

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Formação anterior da KK

Indiquem 5 bandas do Pará que vocês curtem e que tem o posicionamento ideológico próximo ao de vocês.

Bad Trip, Alcoólicos Anônimos, Setembro Negro, Aurora Punk e Contraponto Crust.

Quais são os planos futuros da banda?

Em relação a planos futuros, agora que eu e Camila estamos morando bem longe de Belém, acho que principalmente manter s banda na ativa, continuar passando nossa mensagem, mediante as várias dificuldades de cada uma das integrantes (manter uma banda no undeground não é fácil, ainda mais sendo só de.mulheres, com ideologia de esquerda/combativa) escrever e compor mais músicas, para podermos gravar um CD completo um dia, tocar em outros Estados onde ainda não fomos e quem sabe um dia fora do país.

Considerações finais.

Agradecemos a oportunidade em poder falar um pouco sobre a esse processo de resistência que é formar e manter uma banda de mulheres, feminista, formada por proletárias/mãe solo/moradoras de periferia/ estudantes/ lgbt, nesses 4 anos de existência da Klitores Kaos. Esperamos ver cada vez mais minas pirando nos nossos shows, se sentindo mais seguras nesses espaços e incentivar a criação de mais e mais bandas de minas!!! Só a Luta muda a vida!!!!

Direto da Cidade Cemitério, o Terror Revolucionário traz o álbum”Campo de Esperança”

Após completarem duas décadas de existência praticamente sem pausas, a banda de hardcore/crust Terror Revolucionário nos presenteia com uma compilação que conta com nada menos que SESSENTA E UMA MÚSICAS. É mole, mermão? É nada! É brutalidade na veia.

A compilação saiu de forma independente em digipack, lançado e distribuído pela própria banda, contando com sons inéditos e versões raras que estavam arquivados em CDs e fitas k7 antigas. As gravações foram feitas por diferentes formações da história da banda. Aos fãs de música extrema e rápida, é um item indispensável na coleção.

Em Brasília, a cidade cemitério, “Campo da Esperança” é o nome do principal cemitério e por isso, .

Por se tratar de muitas músicas, excepcionalmente não farei a resenha faixa a faixa, mas vou destacar os sons que mais curti. Iniciando o álbum, “Políticos de Carteirinha” é um som que mescla tensão com os graves às passagens rápidas e empolgantes. “Antes agora do que tarde demais” é o terceiro som, e conta com os vocais da baixista Adriana e tem uma pegada mais hardcore. É difícil pular algumas faixas, ainda mais quando se é fã de uma banda, mas “Matando em nome de Deus”, que é o quarto som, merece uma atenção especial, assim como “Educando para destruir”. O 14º som é daqueles que você coloca no repeat, com riffs bem legais e baixo marcado, fica na cabeça. “Cidade Cemitério”, começa com um baixo estalado e com guitarras características do crust, assim como o d-beat da batera. Uma sequência de versões muito legais começam a partir da 18ª música, com destaque para “Vale das Sombras Vale da Morte”, original do Besthöven, “Rumores de Guerra” do Karne Krua e “Quem votou” da New York Against Belzebu, que ficou bruta. Nesse momento estamos no som número 30, com “Câncer Social” e estamos cansados de ouvir? Jamais! Percebemos a diferença de qualidade de gravação, no entanto essa é a magia do Campo da Esperança. “Dia do Operário” é rápido, cru e visceral. “Fora FMI” nos lembra os anos 90 de entreguismos do governo FHC e submissão ao fundo monetário internacional. Esse som se repete em diferentes gravações nas faixas 38 e 52, o que é bem interessante de se ouvir. A partir de “Neste inferno” é outra faixa que prende na cabeça. A partir de “Mudem o Sistema” provavelmente temos o registro de um ensaio ou show ao vivo gravado em k7, e vale como registro histórico de como as bandas divulgavam o seu som antigamente, o que é muito legal (jovens, valorizem a tecnologia que vocês tem acesso).

“Campo da Esperança” é uma ode ao underground Faça Você Mesmo e celebra os 20 anos de uma das bandas mais ativas do nosso país. O Terror Revolucionário nos lembra a todo instante o que é ser uma banda independente do terceiro mundo e porque amamos a cena do DF e, por mais que a realidade nos tire, eles nos enchem de esperança.

https://www.facebook.com/terrorrevolucionario/
https://www.instagram.com/terrorrevolucionarioband/
https://open.spotify.com/album/0G658PyX3ZighVCGWGMntK?si=uZSv9sEyS2S7Fut6AllhPw

Penúria Zero: Crítica Social Sem Deixar de Lado A Diversão

Em atividade desde 2005, a banda Penúria Zero teve início em Luziânia/GO. Após um hiato de alguns anos, a banda retornou com força total em 2011, com variadas formações, sendo que a mais longa delas foi com Tuttis no vocal, Sopão na guitarra, Fabi no baixo e Biscoito na bateria. No inicio do segundo semestre de 2019, Fabi deixa o baixo, vaga assumida por Ismael Braz. Com variadas apresentações em diversos festivais importantes na cidade, como Headbangers Attack, Ferrock e Porão do Rock, a banda também já se apresentou fora do círculo capital, com apresentações na Bahia, Goiânia e em Minas Gerais. Com um álbum e 4 webclipes lançados nos últimos 3 anos, atualmente a banda trabalha em músicas para lançar um EP digital em 2019. Conversamos um pouco com essa galera. Confira!

Vocês estão em atividade desde 2005, tendo alguns lançamentos. Como avaliam a mudança da cena independente nesses 14 anos de banda? O que melhorou e o que piorou?
Olá! Primeiramente gostaríamos de agradecer o convite. Muito obrigado pela oportunidade. Mas vamos lá sobre a pergunta… A banda foi fundada em 2005, mas não deu prosseguimento em suas atividades, por motivos pessoais, a Tuttis (vocalista) teve que se mudar para Paracatu(MG), no mesmo ano, deixando a banda inativa por 6 anos, retornando em 2011. Acho que a principal melhoria nesse tempo, foi na questão dos produtores. Hoje os eventos são na maioria das vezes bem mais organizados
que antes. Antigamente rolava muitos eventos organizados nas “coxas” hehehe Sem hora para começa, sem hora para acabar, as vezes você chegava no local para tocar e faltava: amps, baterias e tals…. Era bastante correria. A parte que está cada dia ficando pior, é fazer o publico sair de casa para prestigiar os eventos, mesmo com eventos mais organizados, com bandas conhecidas nacional e internacionalmente, o pessoal tá preferindo ficar em casa.

As letras de vocês tem um tom divertido, como em “Suco de Cevada” e crítico como em “Santa Hipocrisia”. Quem escreve as letras? Como se dá o processo de composição de vocês?
Então… rsrs. Na banda todo mundo escreve, é tudo junto e misturado. Normalmente alguém cria uma letra, uma melodia em casa manda no grupo da banda (zap), daí já começamos a trabalhar a composição individualmente. No ensaio juntamos tudo e acertamos os detalhes.

Verificamos que a banda teve uma mudança de integrantes, com a saída da baixista. O que podemos esperar dessa nova formação?
Coisa boa, te garanto. hehehe Já estamos ensaiando a algum tempo com novo baixista, que quem acompanha a banda já sabe que é o Ismael Braz (baxista da banda Os Maltrapilhos), o cara já tá aí na cena underground do DF a muito tempo, e é um excelente músico. Se tudo sair como planejado, até o final do ano já teremos novas músicas gravadas com o baixo do Ismael.

Os clipes que vocês possuem lançados se destacam pela produção de qualidade. Falem um pouco deles. Temos certeza que tem alguma história divertida!
Produção de qualidade? hehehe Valeu de mais por ter curtido. Nossa parte de fotos e vídeos são tudo na base do “faça você mesmo” e produzido pela própria banda,
sem roteiro, sem equipamentos caros, só uma nikon D3300 e as ideias na cabeça(que muitas das vez não dão certo). Em exemplo é o clipe de Suco de Cevada, nossa ideia inicial era bolar algo parecido com uma festa(o que aconteceu) e ter umas filmagens externas, filmagens em um bar e tals… Mas chegamos no dia da gravação, tomamos umas pingas e resolvemos simplificar e colocar todo mundo dentro de um banheiro na casa da Fabi (ex baixista) nesse dia consumimos 1L de cachaça + 1,5L de Cantina da Serra + várias caixas de Kaiser.

Vocês são muito ativos na cena do entorno do DF, além de tocar bastante, estão sempre organizando eventos. Como é levar a contra cultura para fora dos grandes centros?
Cara, é trabalhoso e gratificante ao mesmo tempo. Mesmo tirando do próprio bolso para fazer praticamente tudo. E mesmo com os poucos espaços que temos, quando organizamos esses eventos, nós nos sentimos mais vivos, sentimos parte de uma cena que tá lutado pra sobreviver, de uma cena que não quer deixar a “peteca cair”.

Indiquem 5 bandas da região de vocês que vocês curtam e comentem um pouco sobre elas.

Brazzatack, Podrera, Terror Revolucionário, Os Maltrapilhos, Beer and Mess.
Essas são bandas que estão na correria do underground já tem um tempo, tanto produzindo quanto tocando ou simplesmente comparecendo e fortalecendo o rolê.
Quando tiver um tempinho, procure nas mídias digitais, são bandas que realmente fazem a diferença no dia a dia do submundo musical aqui do Distrito Federal.

Considerações finais.
MUITO OBRIGADO pelo convite. É sempre bom encontrar pessoas dispostas a divulgar o nosso underground. Até a próxima.

Com Muito Mais Energia, Sangue Ódio Hardcore Retorna Com Lançamento de Single

Após anos de hiato, a banda Sangue Ódio Hardcore retorna aos palcos já lançando um novo single em lyric video produzido por Marcelo Silva. “Ousar lutar, ousar vencer” foi inspirada na frase de Carlos Lamarca ( militar desertor e guerrilheiro brasileiro, um dos líderes da luta armada contra a ditadura militar instaurada no país em 1964).

A banda planeja lançar um novo EP em breve. Enquanto isso não acontece, confira o single:

Desonra vomita toda a insatisfação com a extrema direita

Em uma música curta, rápida e intensa, a banda Desonra, de Brasília/DF,  faz críticas à extrema-direita, ao conservadorismo, à religião e ao modo de vida moderno, onde o que mais importa são as relações virtuais. Com todos esses elementos reunidos já é possível ter uma constatação, nunca vimos tantos casos de intolerância, ódio e depressão.

Além de mostrar aspectos negativos,VOMITE também traz uma saída: vomitar tudo o que há de ruim em você, e assim a limpeza interna vos libertará. A música já está disponível em todas as plataformas de streaming.

VOMITE foi gravada ao vivo no estúdio 1234 Recordings, no dia 9 de junho de 2019.

A Luta Do Povo Preto no Hardcore Punk

Que o punk nasceu preto, muita gente tenta apagar, mas sabemos que sim e vamos repetir isso até que a branquitude pare de se apropriar até disso. Na cena atual, isso tem se reforçado ainda mais. Eu, enquanto negro, fico muito feliz quando vejo bandas formadas totalmente por negros nos representando no underground e espero que os espaços sejam cada vez mais ocupados e a mensagem de luta, ouvida.

Sou uma grande fã da Black Pantera que tem feito um trabalho muito bom desde 2014. Além dos lançamentos, a banda tem tocado por vários festivais pelo Brasil e Europa, entre os principais estão o Afropunk em 2016 em Paris, o Download em 2017 em Paris e o Porão do Rock em 2017 Brasília

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Mas hoje eu gostaria de apresentar dois novos nomes da cena que eu aposto as minhas fichas e irão aparecer muito por aqui no O Colecionador.

Punho de Mahim

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A banda se formou quando amigos decidiram montar um projeto, trazendo à tona uma temática pouco discutida na cena punk e no underground de modo geral: a questão do negro na sociedade. Para este tema em questão eles tem propriedade para abordar em suas letras, pois sentem a dor que o racismo estrutural proporciona em dia a dia, além de machismo, sexismo, entre outros males impostos pelo patriarcado.Punho de Mahin faz referência à Luíza Mahin: Muçulmana, teria sido uma princesa na Costa Mina na África de nação jeje-nagô, da tribo Mahi, trazida como escrava para Bahia no século XIX. Tornou-se quituteira e com seu tabuleiro conhecia e mantinha contato com diversas pessoas, além de seus aliados e isso a auxiliava para confabular sobre a organização das revoltas que aconteciam nesse período.

Crexpo

Com dois ex-integrantes da banda Oitão (Ed Chavez e Marcelo BA), conta com Douglas Prado na guitarra e Xandão Cruz no vocal, a banda nasceu para trazer a questão racial ao punk hardcore. Nem precisamos dizer que o time já nasceu com qualidade e por isso estamos ansiosos pelo o que vem por ai.

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A Resistência Riot Grrrl do Cosmogonia

O punk/hardcore do Cosmogonia ultrapassa gerações e traz a temática feminista para o meio. Nascida nos anos 90, a banda teve uma importância na história do movimento riot grrrl e, hoje, em uma nova formação, continua levando uma mensagem forte com um som bem definido e com qualidade, além de ocupar os espaços que são delas por direito. Conversamos um pouco sobre a trajetória e a cena com a banda. Confira!

Foto Andréia Assis

Após um hiato de 13 anos, vocês voltaram com força em uma sequência de shows muito grande. Isso ajudou no processo de composição do EP? Falem um pouco sobre o processo de gravação.

Na verdade já tinha som quase pronto quando paramos em 2007. A Teté sempre esteve

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Foto por Maya Melchers

ativa de alguma forma, tocando, criando, compondo. Quando voltamos, a gente já quis trazer músicas novas. Era importante pra gente expressar os nossos sentimentos e musicalidade atual. Nossa música “Mentiras”, apesar de não termos registrado, já era um som de 2006. Fizemos alguns ajustes nela e criamos a “Abusivo” e “Sem Silêncio” logo que retornamos com a banda. A gente não imaginou que iriam rolar tantos shows, foi uma surpresa enorme receber os convites, reencontrar amigos antigos da banda dando força e somando… E aí, enquanto iam rolando os shows, surgiu a “Tempo” e gravamos o EP pelo Experência Family Mob no estúdio Family Mob em São Paulo, o qual selecionou a banda para uma diária no projeto Experiência Family Mob, teve mix e master externas, por Vinícius Buchecha no Estúdio 1100, em Diadema. Pouco depois da gravação do EP, a música “Privilégio” surgiu, que sairá no próximo trabalho nosso, ainda sem data prevista. Mas estamos sempre trabalhando continuamente em novas composições. Estar tocando ativamente, participar de festivais, ir pra estrada tocar fora são vivências que nos dão inspiração para surgirem as letras, melodias, riffs e etc.

A banda já passou por diversas formações, mas de acordo com as publicações de vocês, sempre teve a Elis (membro fundadora) por perto e vocês demonstram uma gratidão. Como é a relação com as ex-integrantes? Como está a formação atual?

Bom, a Elis é o início de tudo! Sem a Elis, Cosmogonia não existiria. Ela é a fundadora e idealizadora de tudo o que a banda é e representa. Ela sempre esteve presente nas nossas decisões, é presente até hoje nessa atual fase da banda. Ela é o nosso elo mais forte com a ideologia e essência da Cosmogonia. A Elis fez parte da nossa formação como mulheres feministas e como seres humanos que almejam uma sociedade mais justa e igualitária. E com ela, diversas mulheres passaram pela banda. Elas deixaram suas marcas, vivências e contribuições para que hoje a gente possa ainda estar aqui resistindo e insistindo em nossa luta e em transmitir nossa mensagem e som. Hoje em dia, graças as redes sociais, tivemos a possibilidade de reviver coisas maravilhosas.  
Quando começamos a retornar, fomos resgatando também toda a história e memória da Cosmogonia. Pedíamos nas redes para as pessoas enviarem registros nosso e fomos recebendo fotos, flyers, mp3, coletâneas, e até a nossa primeira fitinha demo K7 gravada em 1998. Tudo isso fez a gente se reencontrar com diversas pessoas que já passaram pela banda ao longo dos tempos. Tudo isso nos motivou ainda mais a reviver e também é algo que nos atenta ao fato de que não podemos mais parar, de que precisamos continuar o legado de levar nossa mensagem pra quem chega, pra quem junto luta e nos possibilita estar aqui hoje. A formação atual é a Gabi nos vocais, Teté na guitarra e backing vocal e Fernando no baixo. Com a saída recente da Dani, no momento, estamos em fases de teste, buscando uma baterista mulher, então enquanto isso, contamos com a ajuda de dois amigos que se revezam, que são o Nautilus (que também toca na banda TxP com o Fernando nosso baixista) e o Roberto (que atua nas bandas Running Like Lions e Bad Canadians). Eles estão segurando as pontas até encontrarmos nossa diva das baquetas!

Apesar de não fazer parte da banda nos anos 90, vimos em uma entrevista em que a vocalista Gabi diz que acompanhava a banda desde sempre que a Cosmogonia era sua maior inspiração. Fale um pouco sobre o cenário riot dos anos 90.

A Gabi era muito nova naquela época. Ela tinha apenas 14 anos e na medida do possível estava sempre nos rolês promovidos pela Cosmogonia, ou pelas bandas de amigos daquela época. As coisas eram bem diferentes do que era hoje em dia. 
Tanto os rolês como o comportamento das pessoas, o engajamento em causas, e até mesmo a convivência e comunicação com as pessoas era muito diferente do que vivemos hoje. O punk se mobilizava por diversas causas dentro do cenário underground, porém as bandas com mulheres e de mulheres sempre foram excluídas de muitas vivências (como também hoje em dia). Dependíamos muito do contato com amigos para por um festival de pé, pra trocar zines, correspondências pelos correios. A cena, naquela época, girava de uma forma em que éramos total dependente de comunicação assíncrona, então nos preocupávamos mais em termos de apoio às bandas, comprar material, colar nos rolês, e também fazer rolês para ajudar quem mais precisava era muito comum. 
Hoje em dia o fácil acesso ao material e aos rolês, para a maioria das pessoas que estão nos grandes centros não são tão valorizados por aqueles que consomem material. 
Nós vemos isso toda vez que saímos de São Paulo pra tocar. Regiões mais carentes de rolê como cidades do interior e de outros estados estão sempre com a casa cheia, pessoas na medida do possível apoiam, comparecem, compram material, e curtem o que você faz nas redes sociais das bandas. Antigamente o engajamento do público com as causas e com as bandas, era muito maior.

Apesar do movimento empoderar as mulheres no punk rock, havia muita disputa naquela época. Como você avalia as mudanças de comportamento daquela época para a atual? As mulheres estão mais unidas?

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Havia (e ainda há), muita disputa entre as bandas do underground. A Teté, que é a mais antiga e entrou em 2003 teve a vivência dos shows daquela época. Ela inclusive, inicialmente, notou de imediato essa disputa que rolava bastante entre as minas e bandas das minas. Ela não sentia a mesma sororidade que vemos hoje das manas. Havia muita desunião, exclusão, inclusive de fests de mina e também da própria história do Riot no Brasil. Cosmogonia mesmo com toda sua importância e representatividade desde 1993 na cena, por conta de ser uma banda da periferia, que não tinha acesso a gravar material, a produzir vídeos (que também na época era bem mais difícil), acabou por muitas vezes quase que apagada das citações, documentários e etc sobre o movimento Riot brasileiro. Já passamos por situações onde mulheres de outras bandas colavam no rolê pra julgar nossas roupas, nossos equipamentos, rolava até questionamentos se possuíamos conhecimento teórico sobre o movimento feminista! (risos) Não que isso não aconteça hoje, pois ainda continua acontecendo, mas é de uma maneira mais isolada e até camuflada. Mas hoje em dia, quase que em 98% dos casos, as minas colam pra apoiar, curtir o som e tal. Quando retornamos, sentimentos que a conscientização e a união das próprias mulheres entre si está bem mais forte, bem mais evoluída e isso também foi e ainda é extremamente o que nos mantém ativas e com vontade de seguir e focar na banda.

Ano passado e esse ano vocês participaram de dois festivais grandes de hardcore. Como foi a experiência? Vocês acreditam que os produtores estão incluindo as bandas com mulheres por entenderem a necessidade ou ainda tratam como “cota” para calar as cobranças do público?

Sinceramente, infelizmente achamos que muito dessa nova inclusão de bandas feministas e femininas em festivais ainda são “cotas” . Devido ao fato de que o Empoderamento Feminino e o Feminismo serem temas que cada vez mais têm se inserido na grande mídia, nas redes sociais, nas empresas e em diversos espaços, consequentemente chegou também nos grandes festivais. Então, notamos que ainda, as grandes produtoras estão preocupadas com as cobranças. Apesar de termos tido super apoio nos fests, tanto da equipe de produção, técnica, quanto das outras bandas que tocamos, fica visível o quanto ainda é pouco e o quanto ainda falta lutarmos para chegarmos num equilíbrio justo e igualitário. Afinal, é um espaço que também é nosso por direito!  Mas, ao mesmo tempo, os fests maiores nos dão também a maravilhosa possibilidade de mostrar para o público que comparece neles (que não são os mesmos que frequentam os rolês mais undergrounds), que existimos! E que nossa existência, nossas mensagens, nossos pontos de vista e nossa música também precisam fazer parte dos fests. Quando tocamos nesses festivais maiores, buscamos sempre focar sobre o simples fato de estarmos ali e aí vamos tentando plantar a sementinha de que a participação da mulher ainda é muito pequena.  Acreditamos que fazendo isso, a conscientização de que é necessário cada vez mais aumentar as bandas como a nossa vai se difundindo e também vai aumentando as cobranças, fazendo com que cada vez mais, os produtores de festivais tenham sempre que pensar em incluir minorias nesses festivais. 

Quais são os planos futuros da Cosmogonia?

Lançar um álbum full. Ainda é um sonho, mas estamos trabalhando com passinhos pequenos para alcançá-lo. E cair na estrada e fazer o máximo de shows em lugares que antes nunca estivemos é uma vontade grande. E nunca mais parar de tocar. 

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 Indiquem 5 bandas que vocês ouvem e acham que todo mundo deveria conhecer.

Bioma, Sapataria, HAYZ, Mau Sangue e Vesta 

Qual foi o principal aprendizado nesses anos todos de underground?

De que não estamos sozinhas, que sozinhas não chegamos à lugar nenhum, que não vamos nos calar, não vamos desistir de levar nossa mensagem pro máximo de pessoas possíveis. Que mesmo sendo uma banda de minorias, com mulheres, ainda somos muito privilegiadas, dar um passo atrás e trazer aquelxs que tem mais dificuldades que nós nesse mundão underground injusto e excludente. 

Considerações finais.

Não estaríamos de volta à ativa, principalmente se não fosse a força de canais de comunicação faça você mesmo.
Somos muito gratas por cada um que curtiu, compartilhou, consumiu qualquer tipo de material que tenhamos disponibilizado esses anos todos. Apoiem as bandas com mulheres ou de mulheres. Chamem mulheres fotógrafas, zineiras, designers, técnicas de som, que fazem comida pros seus rolês. Fortaleçam cada minoria que tenta sobreviver no underground. Juntos somos mais fortes.