MELHORES DO ANO: Provando Que 2020 Não Foi Perdido

Saudações a todos que acompanham a minha singela coleção virtual, ilustrada em textos. Agradeço ao apoio de todos que fortaleceram o trabalho do blog e que aumentaram a lista dos títulos de discos aqui em casa, enviando material. Nesse ano tivemos tudo de ruim. Queimadas, desgoverno de um lunático de extrema direita, pandemia, desemprego em massa e a lista de coisas tristes só aumenta. O que seria de nós se não fosse a música para nos salvar? Por isso, para não sentar e chorar, vamos falar das coisas boas de 2020. Chegamos a nossa clássica lista de melhores do ano, na nossa opinião.

SINGLES

Nervosa “Perpetual Chaos”

Prika Amaral apresentou a nova formação da Nervosa na velocidade da luz, apresentando dois singles, que tiveram produção de Martin Furia e foram gravados na Europa. E, meu irmão e minha irmã, o grupo já se mostrou ser mais que uma super banda: Nervosa é uma potência mundial.

Creatures “Lighting in my Eyes”

O heavy metal brasileiro ganhou um novo fôlego e voltou às suas raízes verdadeiras de satanismo, revolta e NADA de conservadorismo. O grande destaque de Lighting in my Eyes é o vocal afinadíssimo e os solos envolventes. É o som que a galera fatidicamente estaria dançando se voltássemos aos anos 80. Como diria o pessoal do Canal Scena, uma banda sensual.

AnkerkeriA “Baph Metra”

Fortaleza conta com bandas incríveis de variados gêneros. Um deles é o death metal. A AnkerkeriA lançou o single Baph Metra com um clipe impecável em termos de produção e enredo (para assistir, você precisa estar logado no YouTube e ser maior de 18 anos). O som é muito bem executado, com variações que fogem do óbvio e coloca a banda dentre as grandes no país.


Inraza “(Still) Stuck

O primeiro dos dois singles lançados pela banda durante 2020 é o que mais me chamou a atenção. A banda que faz um metal moderno está caminhando para a maturidade, evoluindo conforme vão lançando mais materiais. Destaque para os vocais extremos intercalados com os limpos da vocalista Stefanie. Aguardamos um full album para 2021 e uma tour no nordeste assim que a pandemia acabar.

EP´s

Desalmado “Rebelião”

A banda citada por Max Cavalera não poderia ter soltado nada menos que um EP espetacular. Voltando ao português, a banda mandou o recado reto sobre os tempos que enfrentamos desde o golpe, em uma ode para que o povo se organize contra as opressões da extrema direita. Qualidade técnica, agressividade, arranjos empolgantes e vocal furioso. Rebelião deveria ter sido um álbum. Destaque para “Esmague os Fascistas” que contou com a participação de Nata Nachthexen, vocalista da Manger Cadavre?.

Hellway Train “Lockdown Reborn”

Os mineiros do Hellway retomaram a banda com um EP incrivelmente forte! Com um clima cheio de energia que o heavy metal pede, o trabalho fala de transtornos psicologicos. Pra quem respira som dos anos 80, é uma indicação que você vai agradecer! Destaque para o vocal de Marc que lembra muito Rob Halford.

Isinkú “Damnatio Memoriae”

Com seis sons é uma ode ao black metal anti imperialista. A banda que é de Natal/RN, nasceu para fortalecer ainda mais o cenário brasileiro do gênero, com posicionamento claro antifascista. Aqui os destaques são para as composições dos riffs e o clima gerado nas músicas. Pode ouvir sem medo, pois o som é muito bom, assim como letras e ideias.

Surra “Trashpunk Teleport: Submundo 2121”

Esse EP chegou aos 45 do segundo tempo, mas foi um gol de placa do Santos, ou dos santistas do Surra. São cinco faixas bem raivosas, que saíram com um gibi (que infelizmente ainda não vi, mas pretendo adquirir em breve). O grande destaque fica para “Nossa Reação”, que nos faz imaginar a galera cantando juntos nos shows “pra – queimar – no inferno – e comemorar a consolidação do império” e que ainda tem solo, meus consagrados. Uma verdadeira obra de arte!

Expurgo “Entropic Breath”

Os mineiros do Expurgo mostraram mais uma vez porque são uma das maiores bandas de grindcore brasileiras. O EP “Entropic Breath” traz toda a brutalidade sonora que já conhecemos, acompanhada de letras precisas. Se você busca o grind raíz, esse EP é obrigatório.

Dead Enemy “Knowing the Enemy”

A renovação do thrash crossover brasileiro também está acontecendo! Após o lançamento da primeira demo, a Dead Enemy de Fortaleza mandou o incrível EP “Kwoing the Enemy”. Rock veloz que faz você colocar a bolachinha para rodar pelo menos umas três vezes. “Broken Shape” é o som que mais nos prendeu. Ainda ouviremos falar muito nessa banda.

Cruento “Mar de Ossos”

Indo para o interior de São Paulo, mais precisamente Jacareí, no Vale do Paraíba, Cruento faz um crust punk visceral, com a fúria clássica do estilo. Mar de Ossos é um EP que conta com cinco músicas que mostra o quanto a banda amadureceu nesses anos. “Homem Lixo” que também ganhou um lyric video, é o grande destaque desse trabalho.

Vermenoise “O Outro”

O grindcore paulista foi presenteado com o lançamento excelente do EP “O Outro” da Vermenoise. Com cinco faixas curtas, como é comum do estilo, a banda mostrou que está mais violenta que nunca, aliando a brutalidade do som aos ideais da banda, mensagens essas contidas nas letras. Destaque para o vocal monstro da Chris.

Carnal Atrocity “Degenerescência”

Com esse nome difícil de se pronunciar, foi uma grata surpresa nos depararmos com esse projeto, que trata-se de um duo: Karine Campanille fazendo os vocais, arranjos de guitarra, baixo e sintetizadores e Emiliano a bateria. Tem grind, tem death metal, indicado para fãs de Carcass.

Álbuns completos

Vazio “Eterno Aeon Obscuro”

Começando a listas dos full albuns com o melhor lançamento de 2020, indiscutivelmente. Apresentado a muitos como nós pelo Canal Scena, o álbum conta com um black metal que é um tapa na cara dos reacionários. Com base no punk, a banda conseguiu trazer toda a brutalidade do gênero aliado ao clima e com mensagens precisas. Falar do Vazio será sempre incompleto. É preciso contemplar a escuridão.

Exsim “Exsim”

Os nossos conterrâneos aqui de Recife do Exsim lançaram um álbum auto intitulado muito bom. Grindcore clássico, com batera a milhão, em um álbum que tem dezessete músicas. Mas não se engane, ele tem a rapidez que o grind pede. Então coloca no repeat e seja feliz!



Podridão “”Revering the Unearthed Corpse”

Pra quem curte um death metal mais primitivo, esse álbum que conta com onze faixas é um prato cheio. Metal morte com direito a sangue, doenças venéreas e diarréia. Se você é fã de Cannibal Corpse, com certeza vai curtir esse trabalho que conta com uma batera bem precisa e riffs brutos.

Postmortem Inc “The Coqueror Worm”

A banda de Pelotas/RS, vem mostrar como a água de lá é boa para gerar bandas excelentes de death metal. Da escola do Krisiun, o álbum traz um brutal death metal com extrema qualidade técnica, mas com aquele algo a mais, que destaca a banda: eles não buscam copiar as fórmulas prontas do gênero, a identidade aqui é única e é o que nos faz apostar nesse nome para os próximos anos. Destaque para “State of Conspiracy”.

Cäbränegrä “Abismo”

Mais uma banda de grindcore que lançou um álbum visceral, o Cäbränegrä já tinha começado com tudo com o primeiro trabalho e agora só consolidou o som. Banda catarinense que lançou ótimas onze faixas, com velocidade, peso e culminou em um trabalho muito legal. Destaque para o som “Qual a solução?” que aparece em duas versões geniais.

Rest in Chaos “Trapped by Yourself”

Com extrema qualidade técnica, a banda de Florianópolis Rest in Chaos apresentou o seu primeiro full album que conta com onze faixas recheadas de brutalidade. Com peso das cordas, vocal forte e preciso, o destaque é para a bateria de Marlon que preenche o som de forma impecável. Death/Thrash que dá pra abrir mosh e banguear (mesmo que seja na sala de casa). Destaque para a faixa “Let me Rest”.

Wargore “Cursed Existence”

Pra quem curte death metal oldschool a Wargore é a pedida certa. Em Cursed Existence, os caras arrepiaram desde o primeiro som com palhetadas pesadas e vocal de demônio. Eles, que são de cascavel, lançaram nove sons em julho desse ano e espero muito poder ver um show ao vivo para conferir toda essa podreira em ação. Destaque para o som “Cocaine”.

Mofo “Sick and Insane”

É thrash que brasileiro gosta? Pois tome, mermão! Os caras do Mofo, que são de Brasília, arrebentaram com esse álbum insano que promete rodas brutais em shows. Com uma intro macabra, podemos até notar uma pequena influência do death metal do Bolt Thrower no começo da faixa seguinte a “Adrenaline”, que dá lugar ao thrash tradicional. Uma das grandes promessas de renome para o thrash metal brasileiro.

Sangue de Bode “A Sombra que me acompanhava era a mesma do diabo”

Uma grata surpresa de 2020 foi conhecer o som dos cariocas do Sangue de Bode. Um álbum repleto de tudo aquilo que o metal extremo pede: death, black, fúria! Ouvi muito esse disco que fiz questão de adquirir o físico (arte gráfica muito bonita). Destaco a faixa “Minha refeição é no Lixão”.

Maddiba “Santo André”

Saindo um pouco do metal e adentrando ao hardcore, essa indicação foge do tradicional. Somando o rap e pick ups, Santo André é uma ode aos fãs de Suicidal Tendencies e Beastie Boys, mas com aquele tempero nacional, com pitadas de thrash que a gente gosta tanto. Outra banda que conheci por meio do Canal Scena e que não saiu do meu fone de ouvido em 2020.

Ao Vivos

Surra “Escorrendo pelo Ralo – Ao vivo em São Paulo”

Essa banda não está pra brincadeira! Com três lançamentos no ano, a máquina de fazer riffão também lançou um ao vivo gravado em São Paulo, no show em que tocaram todas as músicas do escorrendo pelo ralo. Saudades de um show, né, minha filha?

Labirinto “Live at Dunk Fest”

Esse ao vivo é tão perfeito que nem parece ser ao vivo. É aí que a gente vê quando a banda é realmente boa. Som instrumental, que mescla metal e sludge, com camadas sonoras muito fortes. Qualidade ímpar e sentimento que não precisam de palavras. Aliás, eu uso uma: impecável.

Manger Cadavre? “Ao vivo em Curitiba”

Sem alarde e divulgação, a Manger Cadavre? disponibilizou apenas no bandcamp um show ao vivo realizado em Curitiba no ano de 2018. É como se fosse um bootleg, mas dá pra matar um pouco as saudades do show dos caras, pois tem treze sons muito furiosos. Destaque ao vocal visceral de Nata.

Desalmado lança Doc Clipe do EP “Rebelião” no Dia do Trabalhador

A data de hoje não seria melhor escolhida para que bandas que possuem forte cunho político e social lançassem novos trabalhos. Uma delas foi a de death/grind Desalmado. O EP trata-se de um recado direto à necessidade de rebelião e de lutar contra as frentes fascistas que se organizaram. É ainda um recado sobre o que é o Desalmado, para que ninguém tenha dúvida da nossa mensagem nas letras. São duas faixas pesadas em todos os sentidos. Com capa assinada por um dos maiores ilustradores do Brasil, que é aqui de Recife, Wendell NarkEdmi, a imagem tráz recados claros: Resistência, Rebelião e Justiça! Em breve resenha por aqui.

O doc clipe conta a nossa história recente, falando um pouco das atividades da banda nesse período. Além disso, há a participação de importantes nomes da cena, com depoimentos contundentes e de chamado a rebelião. Participaram integrantes das bandas Manger Cadavre?, Surra, Rastilho, Paura, Dead Fish, Confronto, Punho de Mahin e Test. Presenças também de Igor Giroto do canal Baile do Capiroto, do Professor Paulinho Macaxera, além do, Thiago Sonho (Boogie Naipe e Fundador do Desalmado).

“Hoje é dia de luta dos trabalhadores. Dia em que todas as conquistas históricas dos explorados e oprimidos são lembradas. Dentro do sistema que vivemos, todos os direitos e garantias de alguma vida digna só foram possíveis por meio de lutas organizadas e colocando as elites contra a parede. Essa elite dorme todo dia com medo, porque sabe do desejo de vingança adormecido no intimo do povo. Mobilizados e organizados, somos fortes. O povo unido, jamais será vencido.” DESALMADO.

Ficha técnica:

Produzido por Canal Scena: Cameras – Estevam Romera Direção – Estevam Romera Edição – Estevam Romera e Caio Augusttus Fotografia – Estevam Romera Roteiro – Estevam Romera e Caio Augusttus.

Redes Sociais:

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http://facebook.com/desalmado.band
http://instagram.com/desalmado.band

Ouça o EP Rebelião:
Spotify – https://spoti.fi/2YmVnG4
YouTube: https://youtu.be/gotkkNz-hag
Bandcamp: https://desalmado.bandcamp.com/album/rebeli-o
Deezer: https://www.deezer.com/album/144625412?utm_source=deezer&utm_content=album-144625412&utm_term=485755743_1588344836&utm_medium=web

Desalmado: Som extremo anticapitalista e correria independente

Desalmado é uma banda operária. Uma banda que não espera as coisas acontecerem e levam o “Faça Você Mesmo” natural do punk para o metal. Com essência no grindcore, mas influência do death metal, as questões de raça, classe e luta contra o capitalismo estão presentes em todos os trabalhos do grupo. Além da banda, eles acrescentam em muito com a cena independente com projetos paralelos… Mas o foco dessa entrevista, é falar um pouco sobre os quinze anos dessa trajetória totalmente independente.

O Desalmado está em atividade sem pausas há 15 anos. Entre algumas mudanças de formação, vocês sempre foram ativos dentro do underground. Comentem um pouco sobre a mudança do cenário daquela época para os dias atuais.

Na época estávamos na raspa do tacho de ter suporte de selos e gravadoras importantes, isso fazia diferença e ainda faz mesmo que tardiamente. Em contrapartida era o momento de expansão massiva da internet e redes sociais, era o momento de aprendizado e surgimento de uma nova safra de bandas do underground, muita coisa mudou em termos de publico e forma de consumir música. Hoje o estilo que fazemos parte sofre um pouco para se renovar, mas esta caminhando firme na construção de algo novo.

O “Save us from ourselves” foi aclamado como um clássico do som extremo nacional. Com uma temática incisiva e instrumental brutal e muito bem produzido, o SUFO colocou a banda em outro patamar. Falem sobre o processo de composição, lançamento e o que mudou para vocês depois desse lançamento.
Foram 16 meses de muita preparação, muita volta atrás até chegar no resultado que gostaríamos. Quando saiu não esperava que as coisas soassem tão boas como aconteceu, acho que agora em 2019 estamos colhendo os frutos desse lançamento, com o reconhecimento e aumento considerável de fãs e amigos.

Foto: Raoni Carneiro

Com o passar dos anos, vocês incrementaram o death metal ao grindcore de vocês, deixando o som ainda mais pesado. Como isso aconteceu?

Cara, vou falar por mim, sou do death metal e sempre faço questão de frisar isso. Acho  que essa veia mais metal sempre existiu, mas nesse disco por incrível que pareça não teve nenhum tipo de condicionamento pra soar como algo Y ou X, não colocamos nenhum limite para criar, com essa liberdade, optamos por deixar o som mais pesado com algo que faria mais sentido pra cada integrante, e esse denominador comum era o death metal. Um exemplo prático, Estevam começou a ouvir mais death metal nos ultimos 4 anos, talvez de tanto encher o saco dele em discussões enormes por conta do Morbid Angel hahaha em algum momento, por meio do Gojira, que é altamente influenciado pelo Morbid, algumas fichas caíram e as coisas começaram a fluir melhor. Sou um grande fã do Morbid e ele do Gojira, enfim entramos num acordo hahaha

Considerada a tríade do grindcore nacional, Desalmado, Facada e Expurgo lançaram ótimos álbuns em 2018. Além da qualidade, as três bandas tem em comum o lançamento por um dos principais selos do Brasil, a Black Hole. Falem um pouco sobre essa parceria com o selo e a importância da venda de material de merch para que uma banda se mantenha nos dias de hoje.

A Black Hole nos ajudou no lançamento do split com o Homicide, mérito deles por fazer esse meio campo, e depois topou a parceria com outros selos, no caso o Helena Discos para soltar o nosso disco. Foi bem legal e é muito bom estar num espaço com tantas bandas incriveis.  Em tempo, agradeço ter incluido o Desalmado nessa tríade, é uma honra pra nós. 

Cara, sem merchandising a banda não sobrevive, simples, as pessoas chegam em nós pensando que vivemos da banda hahahah mal sabem eles que o merch ajuda a banda a fazer todos os deslocamentos, e atualmente, a planejar o próximo disco. Alias, obrigado a todos que compram na nossa loja e shows, vocês não tem dimensão do quanto isso é importante.

Foto: Marina Melchers

Como o cenário atual do Brasil tem afetado a cena local de São Paulo? Vocês consideram que o underground está mais conservador ou progressista?
Ta dividido, mas acho que sempre foi. Sempre circulei em meios progressistas, então vi pouca diferença no dia a dia. Agora é simples, a galera conservadora que ta no nosso meio é um pessoal revoltado por ser revoltado, não pensa no que ta rolando no mundo e abraça qualquer merda de meio de comunicação e sai por ai reproduzindo. Na real, essa galera gosta de cachaça na cabeça e falação de merda, quer ter uma familia e ir pra igreja no final de semana no final das contas. Eu curto pra caralho encher a cara de cachaça e curtir um som, mas a diferença é que sei como o mundo funciona e quero fazer a revolução socialista, mesmo bêbado hahaha 

Tivemos o prazer de ver o show de vocês no Abril Pro Rock. Vimos no mini doc que o vocalista Caio e o baterista Alemão ficaram doentes durante o período (o que não afetou em nada o show que estava brutal e foi um dos melhores da noite). Fora esse incidente, o que acharam da cena nordestina?
Segunda vez nossa em terras nordestinas, segunda vez incrível. Amamos o nordeste e todos os amigos/fãs que fizemos nessa região. Rolou essa parada comigo e Alemão, foi uma turnê também pelo sistema de saúde da região e várias farmácias, mas no final das contas o amor pelo som extremo prevaleceu. Sobre a cena nordestina, to pra dizer que ao lado das bandas mineiras, o nordeste concentra uma gama de bandas muito fora da curva no país, principalmente no ceará, pernambuco e rio grande do norte, torço pra que continuem produzindo muito.

Qual a mensagem que vocês deixam para a galera que está começando uma banda em 2019?

Estejam preparados pra ralar, não esperem nada de ninguem, evoluam como músicos e NÃO SEJAM PREGUIÇOSOS EM HIPÓTESE ALGUMA. As bandas que super deram certo pra fora são exceções, a gente conta em uma mão, pode apostar que ralaram pra caralho.. Quer reconhecimento? Trabalhe duro e não seja cuzão.

Indiquem 5 bandas nacionais que vocês curtem e falem um pouco sobre elas.

Foto: Marina Melchers

Paura, banda de hardcore que ta a mili anos no corre, fazem uma parada digna demais e só ficam melhores com o tempo, é igual vinho. Surra, amigos de longa data, o som da nova geração. Manger Cadavre?, o hardcore crust no ponto certo e com muita atitude. Escarnium, o death metal brasileiro em grande estilo. Deadtrack, decobri há pouco, torço para que tenham longevidade. Ficaram fora muitas outras de fora que poderia escrever 3 paragráfos por aqui.

Considerações finais.

Apoiem nosso cenário, compareçam aos shows, façam desses espaços uma grande festa, escrevem em blogs, canais, lutem contra o capitalismo e seu exército de fascistas, se organizem para fazer a revolução.
Muito obrigado pelo espaço, longa vida ao colecionador <3.

DESALMADO “Save us From Ourselves”

Já faz um ano que a banda de death grind Desalmado lançou o álbum “Save Us From Ourselves”, mas como naquela época o blog não estava em atividade, senti a necessidade de falar um pouco sobre esse, que é um dos maiores clássicos que o som extremo nacional possui. Na semana passada pude conferir pela primeira vez o show da banda no Abril Pro Rock e a constatação de que a brutalidade ao vivo da banda é ainda mais intensa que no cd, somada à postura do front Caio Augusttus me fez um fã ainda mais viciado no som.

Não canso de dizer: Desalmado, Facada e Expurgo são os grandes nomes do grindcore nacional e lançaram os melhores discos de 2018.

Desalmado no Abril Pro Rock – Foto por Anderson Chino

Mas vamos ao que interessa: o som! “Save us From Ourselves” é definitivamente o melhor lançamento da banda nesses 15 anos de existência. Se os fãs já estavam empolgados com a sequência do EP “Estado Escravo” e o split com a Homicide (São José/SC) “In grind We trust”, SUFO veio para consolidar a banda como um dos grandes nomes do som extremo latinoamericano. A banda saiu da mesmice e não se ateve ao simples grindcore. Eles ousaram ao incluir elementos africanos no som, como na faixa que dá título ao disco, com uma percursão que foi executada pelo primeiro baterista da banda, Thiago Sonho (que hoje trabalha no Boogie Naipe do Mano Brown).

Criticando grandes corporações e com letras claramente anticapitalistas, inteligentes, bem pensadas e apontando caminhos, o que é interessante, visto que o meio grind é repleto de niilismo. Um dos destaques para mim (me identifiquei demais) foi a letra de “Black Blood”. Poucas bandas no Brasil se posicionam tão fortemente com a causa negra como a Desalmado. Com Bruno Teixeira (baixista) e Caio Augusttus (vocal) como a representação do negro no metal, a banda toca na ferida e, assim, como já fizeram em trabalhos anteriores (como na música Diáspora) recordam que o povo sequestrado de sua terra sofre até hoje com o racismo que é estrutural. Eu, enquanto homem negro dentro do metal, só tenho que agradecer à banda.

“Bridges to a New Dawn” é um outro destaque. Com uma intro pesada, tensa, ela possui uma mensagem positiva, apontando caminhos para pontes de superação. No momento em que vivemos, isso é algo crucial. “Corrosion” mostra a versatibilidade da banda, pois incorpora outros elementos do metal, sem perder a identidade da banda. “Blessed by Money é um dos pontos altos do disco, mas o clipe que o som ganhou é simplesmente fantástico.

Em todos os sons o peso dos riffs de Estevam Romera ecoam e grudam na cabeça, os graves do baixo deixam tudo ainda mais brutal. O vocal nunca foi tão preciso e com tanta fúria, mas o que mais me encheu os ouvidos nesse disco, foi a brutalidade da bateria. Ricardo, o “Alemão” está em seu auge como baterista e tende a se tornar referência nacional dentre os bateras. Que marretadas, meus queridos!


Poderia ficar horas falando da produção, da técnica, da agressividade, composição, gravação… Mas me atenho a sentir o disco. É daqueles que emociona. O trabalho saiu em CD pelos selos Helena Discos e Black Hole e, também, em vinil pelo selo português Raging Planet. Adquira o seu e, se puder, cole em um show. É a catarse que a gente precisa pra poder encarar mais um dia de luta diária.

Ouça: https://open.spotify.com/album/5hPgLoKHDvpUYITvihi9bq?si=kw_1e5r6TYOZtpDXfr9WlQ