Surra: Correria, Posicionamento e Som Brutal

Uma das bandas que mais tem tocado nos últimos anos é o Surra. Correria, posicionamento firme e som brutal que tem lotado shows e gerado rodas gigantes. Conversamos um pouco com o trio que contou sobre a trajetória, sobre o processo de composição e lançamento do novo álbum, shows, política e muito mais.

Foto: Mel Kato

O Surra é uma das bandas ascendentes do cenário independente que tem tudo para ocupar espaços de bandas que estão no mainstream. Para começar, falem um pouco sobre a trajetória de vocês e como estão conseguindo reascender a paixão da juventude pela música pesada.

Leeo Mesquita: Nossa trajetória começa um pouco antes do Surra, já tocamos juntos em outras bandas desde 2005. Entre 2008 e 2012 formávamos o Like a Texas Murder. Era um som quase que na mesma pegada, só que com algumas ideias confusas. Em 2012 decidimos montar o Surra, uma banda em trio e de som mais rápido, e desde então seguimos produzindo material e tocando em qualquer lugar em que ofereçam condição. Percebo também que esse tipo de som rápido voltou a ganhar uma maior atenção e as novas gerações do metal/hc/punk/crossover tem acompanhado o trabalho das bandas, coletivos, etc. Isso move as bandas pra continuar produzindo material cada vez melhor, muito foda. Esse feito é de todas as organizações de show e bandas da atualidade: tanto das novas bandas como das mais antigas que voltaram pra estrada nesses tempos.  †

Foto pos Maya Melchers

Vocês gravaram o novo trabalho no Family Mob Studios, que tem o selo de excelência em todos os gêneros de som, mas quando se trata da música extrema o estúdio se destaca tendo clássicos como das bandas Nervosa, Ratos de Porão, Desalmado, Manger Cadavre? dentre outros… Como foi esse processo? O que saiu de aprendizado em se gravar em um estúdio desse porte?

Guilherme Elias: Esse é basicamente o terceiro material do Surra que sai do Family Mob. Depois que deixamos de gravar em Santos foi o estúdio que escolhemos e mantivemos assim desde o Ainda Somos Culpados. Toda a experiência e estrutura que o Family Mob oferece é essencial mas essa capacidade de experimentar coisas, quebrar padrões está muito presente no trabalho do estúdio.

Notamos uma mudança na trajetória das letras desse novo trabalho. Diferentemente dos demais, em que vocês faziam as denúncias, nesse momento temos um Surra mais maduro e que aponta alternativas de superação da opressão capitalista. Quem escreve as letras e como se deu essa transição de linha de pensamento?

Leeo Mesquita: Eu acabo escrevendo e lapidando a maioria das letras, mas vale ressaltar que não elaboro nada sozinho. Estamos sempre dividindo material e debatendo assuntos. Todos contribuem, seja com ideias, seja com esboços. Algumas pessoas notaram essa diferença no tom das letras e isso me deixou feliz, foi intencional. Essa mudança teve grande influência de uma conversa que tive com uma grande amiga nossa, a Nata, vocalista do ‘Manger Cadavre?’. Estávamos no estúdio Family Mob tomando café, acho que estávamos gravando naquele dia. Ela ressaltou pra mim a importância de evoluir as ideias nesse sentido, de apontar a organização proletária como próximo passo. Isso grudou nas minhas ideias durante a elaboração das letras e sou grato a Nata por isso!

Foto por Carol Folha

Vocês incluiram um samba composto e executado pelo Guilherme Elias. Como se deu a ideia de inserir um estilo em que a maior parte dos fãs de metal é avesso? Como tem sido a receptividade do público?

Guilherme Elias: Acreditamos que o Samba principalmente na parte lírica tem muito a ver com o nosso trabalho. Como pessoalmente tenho grande afinidade pelo estilo sempre trouxe essa musicalidade para o Surra e nesse trabalho concordamos que seria bacana explorar isso. A ideia inicial era ser só uma pequena vinheta mas acabou ficando melhor do que imaginávamos e estendemos um pouco a duração do samba.A receptividade tem sido excelente, muita gente que já acompanha a banda a um tempo sabia desse lance de curtirmos samba/pagode mas pra muita gente foi uma novidade bacana. 

O instrumental do disco está com muito mais peso do que os trabalhos anteriores. Podemos dizer que o surra está caminhando mais para o metal e deixando o punk para trás no thrash? 

Victor Miranda: Acredito que não. O Surra nunca foi uma banda com um estilo 100% definido, apesar de ter influências bem óbvias. O fato de estarmos sempre na estrada e em contato com outras bandas de outros estilos nos influencia bastante, portanto é sempre um processo bem orgânico. Não existe nada premeditado do tipo “vamos seguir aqui mais essa linha XYZ”. Nós vamos compondo e o som vai mudando conforme o nosso gosto na época. 

“Bom dia, Senhor” é o som que a maioria dos trabalhadores, principalmente os informais, se identificaram. Ela é carregada de ódio de classe e trás o gosto acre de quem é explorado pelo patrão que o trata como se estivesse fazendo um favor. Comentem um pouco sobre a música.

Leeo Mesquita:  Eu tinha essa letra a um tempo e ela era muito maior e com mais ‘humor’. Decidi escrever algo a ver com meu dia a dia, colocando nos versos tudo o que eu sempre quis falar pra alguns ricos que tive o desprazer de prestar serviço. Sou eletricista autônomo a mais de 10 anos e a maioria das grandes reformas em que trabalhei presenciei pessoas de diferentes classes sociais falando todo tipo de atrocidade. A inspiração veio daí. Remontei a letra e adaptei pra música. Essa música fizemos porque queríamos algo pesado e arrastado. Durante a composição dela nós ríamos dizendo que essa seria a música tough-guy do álbum, só que o ‘dedo na cara’ é na cara dum rico cretino.

Acompanhamos pelos Stories de muita gente da cena de São Paulo que vocês fizeram uma Premiere de apresentação do “Escorrendo Pelo Ralo”. Vocês são nitidamente uma banda muito querida por muitas bandas daí. Como é essa relação em São Paulo? Há solidariedade na cena? Quais são as principais bandas que estão na correria e que tem a mesma linha de pensamento e valores que vocês?

Guilherme Elias: Foi muito bacana poder reunir tantos amigos nesse momento tão importante que foi a première do lançamento do nosso disco. Nós temos sorte de durante a nossa caminhada conhecer muita gente talentosa não só de outras bandas mas fotógrafos, artistas, jornalistas, engenheiros de som, designers e conseguimos reunir alguns deles nesse pocket show. Nós somos de Santos, portanto, demorou um pouco de tempo para nos entrosarmos com a galera de São Paulo mas agora 7 anos como Surra, e eu e o Victor morando na cidade, acabou sendo natural estar mais presente e acompanhando a cena da Capital. Bandas na correria em São Paulo temos uma infinidade mas acredito que mais ligadas a gente o Desalmado e o Paura. São bandas sempre fomos fans e agora temos o prazer (ou não) de sermos amigos pessoais dos integrantes, fazer turnês, vídeos, dividir palco juntos e etc. 

Vocês irão participar do festival itinerante de hardcore do Garage Sounds. Como é para vocês fazer parte do cast? O que esperam?

Victor Miranda: Pra gente será uma experiência sensacional participar de um festival desse porte, ainda mais dividindo o palco com vários nomes gigantes do rock nacional. Esperamos rever vários amigos pelo Brasil e também esperamos nos divertir bastante em todas as datas.

O Surra é assumidamente comunista e carrega a bandeira do antifascismo há muitos anos. Qual é a importância de posicionar politicamente em uma época em que muitas bandas preferem se manter neutras que assumir suas reais inclinações ideológicas?

Leeo Mesquita: As bandas que vejo declarando essa ‘neutralidade’, no geral, são bandas maiores, um pouco mais velhas. Tem gente nova nessa onda também, mas algumas bandas antigas parecem temer a reação do público. Alguns escondem seus pensamentos reacionários sim, mas o que acontece no geral é que os tempos mudaram, nosso momento é de entendimento da luta de classes. Quem não acompanhou isso fica confuso mesmo, já que, mesmo acompanhando os acontecimentos, ainda é difícil entender as manobras da burguesia. É muita desinformação na internet, tem que ficar esperto. Essas cenas de música pesada não são bolhas impermeáveis/blindadas desse tipo de discurso. Acho que isso já explica a importância da expressão de ideias revolucionárias através da arte. 

Podemos esperar uma nova tour no nordeste?

Victor Miranda: O Garage Sounds vai ter várias datas no nordeste, mas ainda assim queremos tentar organizar algo somente do Surra, até mesmo para podermos tocar em mais lugares. Só não sei quando, mas é um desejo nosso de fazer isso acontecer. 

Muito obrigado pela atenção. Muito obrigado por esse clássico anticapitalista. Deixem seu recado!

Victor Miranda: Muito obrigado pelo espaço! Acompanhem a banda nas redes sociais (@surrathrashpunk) e nos vemos na estrada!  Muito obrigado pela atenção. Muito obrigado por esse clássico anticapitalista. Deixem seu recado!

Necrofobia prepara novo álbum

Uma das mais tradicionais bandas do Thrash Metal brasileiro, completa em 2019, 25 anos de carreira e para celebrar essa data importante e significativa, o Necrofobia apresenta aos fãs a capa e data oficial de lançamento de seu mais novo registro de estúdio, o aguardado álbum “Membership”.


Foto: Bruno Zaqueu

A banda lançará seu novo trabalho de estúdio após 15 anos de seu último full álbum de 2004, o aclamado “Dead Soul”.  O novo registro conta com 12 faixas inéditas mais um bônus track da música remasterizada, “Guzzardi” (2014), escrita em homenagem ao ex-guitarrista da banda, Raphael Guzzardi, falecido em 2013.

No dia 27 de abril será o show de lançamento oficial do álbum “Membership” em seu formato físico e será comercializado durante o evento. O Necrofobia está preparando um show especial com quase todas as músicas novas no set list além de algumas músicas clássicas do Dead Soul. O evento de lançamento, ainda contará com o apoio das bandas Lusferus e RDS.

O cd estará disponível em sua integra em todas as plataformas de Streaming do mundo, a partir do dia 28 de abril.

O artista Roger Gaulês que elaborou a ilustração da capa do CD, conseguiu sintetizar a ideia líricas da música-título do álbum, que, entre outras coisas, aborda sobre o homem-bomba. O vocalista e autor da letra, Romulo Felício, explica o conceito da música: “A letra de Membership não se refere somente ao homem-bomba caricato, que entra em um estabelecimento e se explode: também faz referência a outros tipos de homem-bomba (como por exemplo governantes, que com uma “canetada” assinam leis que sentenciam muitas pessoas a morte; empresários, que colocam o seu lucro acima da vida das pessoas, e fazem produtos que vão matá-las aos poucos, entre muitos outros exemplos). Estes “homens bomba”, que se associam ao grupo dos piores humanos do mundo, foram representados pelo Roger Gaulês na figura de um monstro”.

O álbum em seu todo, explora assuntos diversos e inspirados em épocas distintas nesses 15 anos de criação e construção lírica das 12 faixas.

Em seu melhor momento na carreira, o Necrofobia prepara várias novidades acerca de seu novo álbum. Mantenha-se sempre atualizado seguindo as redes sociais da banda e compartilhando com seus amigos as principais atualizações dos gigantes e pioneiros do Thrash Metal de Ribeirão Preto/SP, o Necrofobia!

Formação:

Romulo Felício: Vocal/Guitarra

André Faggion: Bateria

João Manechini: Baixo

Rodrigo Tarelho: Guitarra

Mais informações:

Facebook: https://www.facebook.com/necrofobiabr/

Instagramhttps://www.instagram.com/necrofobia

Via Valtemir Amler