Desonra vomita toda a insatisfação com a extrema direita

Em uma música curta, rápida e intensa, a banda Desonra, de Brasília/DF,  faz críticas à extrema-direita, ao conservadorismo, à religião e ao modo de vida moderno, onde o que mais importa são as relações virtuais. Com todos esses elementos reunidos já é possível ter uma constatação, nunca vimos tantos casos de intolerância, ódio e depressão.

Além de mostrar aspectos negativos,VOMITE também traz uma saída: vomitar tudo o que há de ruim em você, e assim a limpeza interna vos libertará. A música já está disponível em todas as plataformas de streaming.

VOMITE foi gravada ao vivo no estúdio 1234 Recordings, no dia 9 de junho de 2019.

A Luta Do Povo Preto no Hardcore Punk

Que o punk nasceu preto, muita gente tenta apagar, mas sabemos que sim e vamos repetir isso até que a branquitude pare de se apropriar até disso. Na cena atual, isso tem se reforçado ainda mais. Eu, enquanto negro, fico muito feliz quando vejo bandas formadas totalmente por negros nos representando no underground e espero que os espaços sejam cada vez mais ocupados e a mensagem de luta, ouvida.

Sou uma grande fã da Black Pantera que tem feito um trabalho muito bom desde 2014. Além dos lançamentos, a banda tem tocado por vários festivais pelo Brasil e Europa, entre os principais estão o Afropunk em 2016 em Paris, o Download em 2017 em Paris e o Porão do Rock em 2017 Brasília

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Mas hoje eu gostaria de apresentar dois novos nomes da cena que eu aposto as minhas fichas e irão aparecer muito por aqui no O Colecionador.

Punho de Mahim

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A banda se formou quando amigos decidiram montar um projeto, trazendo à tona uma temática pouco discutida na cena punk e no underground de modo geral: a questão do negro na sociedade. Para este tema em questão eles tem propriedade para abordar em suas letras, pois sentem a dor que o racismo estrutural proporciona em dia a dia, além de machismo, sexismo, entre outros males impostos pelo patriarcado.Punho de Mahin faz referência à Luíza Mahin: Muçulmana, teria sido uma princesa na Costa Mina na África de nação jeje-nagô, da tribo Mahi, trazida como escrava para Bahia no século XIX. Tornou-se quituteira e com seu tabuleiro conhecia e mantinha contato com diversas pessoas, além de seus aliados e isso a auxiliava para confabular sobre a organização das revoltas que aconteciam nesse período.

Crexpo

Com dois ex-integrantes da banda Oitão (Ed Chavez e Marcelo BA), conta com Douglas Prado na guitarra e Xandão Cruz no vocal, a banda nasceu para trazer a questão racial ao punk hardcore. Nem precisamos dizer que o time já nasceu com qualidade e por isso estamos ansiosos pelo o que vem por ai.

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A Resistência Riot Grrrl do Cosmogonia

O punk/hardcore do Cosmogonia ultrapassa gerações e traz a temática feminista para o meio. Nascida nos anos 90, a banda teve uma importância na história do movimento riot grrrl e, hoje, em uma nova formação, continua levando uma mensagem forte com um som bem definido e com qualidade, além de ocupar os espaços que são delas por direito. Conversamos um pouco sobre a trajetória e a cena com a banda. Confira!

Foto Andréia Assis

Após um hiato de 13 anos, vocês voltaram com força em uma sequência de shows muito grande. Isso ajudou no processo de composição do EP? Falem um pouco sobre o processo de gravação.

Na verdade já tinha som quase pronto quando paramos em 2007. A Teté sempre esteve

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Foto por Maya Melchers

ativa de alguma forma, tocando, criando, compondo. Quando voltamos, a gente já quis trazer músicas novas. Era importante pra gente expressar os nossos sentimentos e musicalidade atual. Nossa música “Mentiras”, apesar de não termos registrado, já era um som de 2006. Fizemos alguns ajustes nela e criamos a “Abusivo” e “Sem Silêncio” logo que retornamos com a banda. A gente não imaginou que iriam rolar tantos shows, foi uma surpresa enorme receber os convites, reencontrar amigos antigos da banda dando força e somando… E aí, enquanto iam rolando os shows, surgiu a “Tempo” e gravamos o EP pelo Experência Family Mob no estúdio Family Mob em São Paulo, o qual selecionou a banda para uma diária no projeto Experiência Family Mob, teve mix e master externas, por Vinícius Buchecha no Estúdio 1100, em Diadema. Pouco depois da gravação do EP, a música “Privilégio” surgiu, que sairá no próximo trabalho nosso, ainda sem data prevista. Mas estamos sempre trabalhando continuamente em novas composições. Estar tocando ativamente, participar de festivais, ir pra estrada tocar fora são vivências que nos dão inspiração para surgirem as letras, melodias, riffs e etc.

A banda já passou por diversas formações, mas de acordo com as publicações de vocês, sempre teve a Elis (membro fundadora) por perto e vocês demonstram uma gratidão. Como é a relação com as ex-integrantes? Como está a formação atual?

Bom, a Elis é o início de tudo! Sem a Elis, Cosmogonia não existiria. Ela é a fundadora e idealizadora de tudo o que a banda é e representa. Ela sempre esteve presente nas nossas decisões, é presente até hoje nessa atual fase da banda. Ela é o nosso elo mais forte com a ideologia e essência da Cosmogonia. A Elis fez parte da nossa formação como mulheres feministas e como seres humanos que almejam uma sociedade mais justa e igualitária. E com ela, diversas mulheres passaram pela banda. Elas deixaram suas marcas, vivências e contribuições para que hoje a gente possa ainda estar aqui resistindo e insistindo em nossa luta e em transmitir nossa mensagem e som. Hoje em dia, graças as redes sociais, tivemos a possibilidade de reviver coisas maravilhosas.  
Quando começamos a retornar, fomos resgatando também toda a história e memória da Cosmogonia. Pedíamos nas redes para as pessoas enviarem registros nosso e fomos recebendo fotos, flyers, mp3, coletâneas, e até a nossa primeira fitinha demo K7 gravada em 1998. Tudo isso fez a gente se reencontrar com diversas pessoas que já passaram pela banda ao longo dos tempos. Tudo isso nos motivou ainda mais a reviver e também é algo que nos atenta ao fato de que não podemos mais parar, de que precisamos continuar o legado de levar nossa mensagem pra quem chega, pra quem junto luta e nos possibilita estar aqui hoje. A formação atual é a Gabi nos vocais, Teté na guitarra e backing vocal e Fernando no baixo. Com a saída recente da Dani, no momento, estamos em fases de teste, buscando uma baterista mulher, então enquanto isso, contamos com a ajuda de dois amigos que se revezam, que são o Nautilus (que também toca na banda TxP com o Fernando nosso baixista) e o Roberto (que atua nas bandas Running Like Lions e Bad Canadians). Eles estão segurando as pontas até encontrarmos nossa diva das baquetas!

Apesar de não fazer parte da banda nos anos 90, vimos em uma entrevista em que a vocalista Gabi diz que acompanhava a banda desde sempre que a Cosmogonia era sua maior inspiração. Fale um pouco sobre o cenário riot dos anos 90.

A Gabi era muito nova naquela época. Ela tinha apenas 14 anos e na medida do possível estava sempre nos rolês promovidos pela Cosmogonia, ou pelas bandas de amigos daquela época. As coisas eram bem diferentes do que era hoje em dia. 
Tanto os rolês como o comportamento das pessoas, o engajamento em causas, e até mesmo a convivência e comunicação com as pessoas era muito diferente do que vivemos hoje. O punk se mobilizava por diversas causas dentro do cenário underground, porém as bandas com mulheres e de mulheres sempre foram excluídas de muitas vivências (como também hoje em dia). Dependíamos muito do contato com amigos para por um festival de pé, pra trocar zines, correspondências pelos correios. A cena, naquela época, girava de uma forma em que éramos total dependente de comunicação assíncrona, então nos preocupávamos mais em termos de apoio às bandas, comprar material, colar nos rolês, e também fazer rolês para ajudar quem mais precisava era muito comum. 
Hoje em dia o fácil acesso ao material e aos rolês, para a maioria das pessoas que estão nos grandes centros não são tão valorizados por aqueles que consomem material. 
Nós vemos isso toda vez que saímos de São Paulo pra tocar. Regiões mais carentes de rolê como cidades do interior e de outros estados estão sempre com a casa cheia, pessoas na medida do possível apoiam, comparecem, compram material, e curtem o que você faz nas redes sociais das bandas. Antigamente o engajamento do público com as causas e com as bandas, era muito maior.

Apesar do movimento empoderar as mulheres no punk rock, havia muita disputa naquela época. Como você avalia as mudanças de comportamento daquela época para a atual? As mulheres estão mais unidas?

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Havia (e ainda há), muita disputa entre as bandas do underground. A Teté, que é a mais antiga e entrou em 2003 teve a vivência dos shows daquela época. Ela inclusive, inicialmente, notou de imediato essa disputa que rolava bastante entre as minas e bandas das minas. Ela não sentia a mesma sororidade que vemos hoje das manas. Havia muita desunião, exclusão, inclusive de fests de mina e também da própria história do Riot no Brasil. Cosmogonia mesmo com toda sua importância e representatividade desde 1993 na cena, por conta de ser uma banda da periferia, que não tinha acesso a gravar material, a produzir vídeos (que também na época era bem mais difícil), acabou por muitas vezes quase que apagada das citações, documentários e etc sobre o movimento Riot brasileiro. Já passamos por situações onde mulheres de outras bandas colavam no rolê pra julgar nossas roupas, nossos equipamentos, rolava até questionamentos se possuíamos conhecimento teórico sobre o movimento feminista! (risos) Não que isso não aconteça hoje, pois ainda continua acontecendo, mas é de uma maneira mais isolada e até camuflada. Mas hoje em dia, quase que em 98% dos casos, as minas colam pra apoiar, curtir o som e tal. Quando retornamos, sentimentos que a conscientização e a união das próprias mulheres entre si está bem mais forte, bem mais evoluída e isso também foi e ainda é extremamente o que nos mantém ativas e com vontade de seguir e focar na banda.

Ano passado e esse ano vocês participaram de dois festivais grandes de hardcore. Como foi a experiência? Vocês acreditam que os produtores estão incluindo as bandas com mulheres por entenderem a necessidade ou ainda tratam como “cota” para calar as cobranças do público?

Sinceramente, infelizmente achamos que muito dessa nova inclusão de bandas feministas e femininas em festivais ainda são “cotas” . Devido ao fato de que o Empoderamento Feminino e o Feminismo serem temas que cada vez mais têm se inserido na grande mídia, nas redes sociais, nas empresas e em diversos espaços, consequentemente chegou também nos grandes festivais. Então, notamos que ainda, as grandes produtoras estão preocupadas com as cobranças. Apesar de termos tido super apoio nos fests, tanto da equipe de produção, técnica, quanto das outras bandas que tocamos, fica visível o quanto ainda é pouco e o quanto ainda falta lutarmos para chegarmos num equilíbrio justo e igualitário. Afinal, é um espaço que também é nosso por direito!  Mas, ao mesmo tempo, os fests maiores nos dão também a maravilhosa possibilidade de mostrar para o público que comparece neles (que não são os mesmos que frequentam os rolês mais undergrounds), que existimos! E que nossa existência, nossas mensagens, nossos pontos de vista e nossa música também precisam fazer parte dos fests. Quando tocamos nesses festivais maiores, buscamos sempre focar sobre o simples fato de estarmos ali e aí vamos tentando plantar a sementinha de que a participação da mulher ainda é muito pequena.  Acreditamos que fazendo isso, a conscientização de que é necessário cada vez mais aumentar as bandas como a nossa vai se difundindo e também vai aumentando as cobranças, fazendo com que cada vez mais, os produtores de festivais tenham sempre que pensar em incluir minorias nesses festivais. 

Quais são os planos futuros da Cosmogonia?

Lançar um álbum full. Ainda é um sonho, mas estamos trabalhando com passinhos pequenos para alcançá-lo. E cair na estrada e fazer o máximo de shows em lugares que antes nunca estivemos é uma vontade grande. E nunca mais parar de tocar. 

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 Indiquem 5 bandas que vocês ouvem e acham que todo mundo deveria conhecer.

Bioma, Sapataria, HAYZ, Mau Sangue e Vesta 

Qual foi o principal aprendizado nesses anos todos de underground?

De que não estamos sozinhas, que sozinhas não chegamos à lugar nenhum, que não vamos nos calar, não vamos desistir de levar nossa mensagem pro máximo de pessoas possíveis. Que mesmo sendo uma banda de minorias, com mulheres, ainda somos muito privilegiadas, dar um passo atrás e trazer aquelxs que tem mais dificuldades que nós nesse mundão underground injusto e excludente. 

Considerações finais.

Não estaríamos de volta à ativa, principalmente se não fosse a força de canais de comunicação faça você mesmo.
Somos muito gratas por cada um que curtiu, compartilhou, consumiu qualquer tipo de material que tenhamos disponibilizado esses anos todos. Apoiem as bandas com mulheres ou de mulheres. Chamem mulheres fotógrafas, zineiras, designers, técnicas de som, que fazem comida pros seus rolês. Fortaleçam cada minoria que tenta sobreviver no underground. Juntos somos mais fortes.

DIOKANE “This is Hell We Shall Believe”

Ficamos muito empolgados quando conhecemos bandas que nos surpreendem desde o primeiro EP. Esse é o caso da banda de hardcore Diokane. Natural de Porto Algre/RS desde 2016, conta com um time experiente e com todo o gás para levar o som a frente. Aqueles que curtem bandas como Cursed, devem adquirir o CD físico de “This is Hell We Shall Believe”. A formação atual é: Duduh Rutkowski (baixo), Gabriel ‘Kverna’ Mota (bateria), Homero Pivotto Jr. (voz) e Rafael Giovanoli (guitarra).

O trabalho da Deus Cão conta com cinco sons e uma intro, é um EP bem rápido, com pouco mais de 11 minutos, mas que causa impacto e faz você querer ouvir novamente. Conta com influências variadas, o que é comum a bandas de hardcore do estilo, que acabam se definindo por essa variedade que vai do metal ao punk, assim como a citada Cursed. Apesar do som enérgico, as letras possuem um niilismo. A desesperança causada pela falta de tempo, opressões no trabalho, descontentamentos sociais estão representados nas letras.

O EP começa com “Intro (EvilSounds to Make You Shake” abre os caminhos para “The Light That Makes Us Blind”, um som muito bem trabalhado, criativo, que conta com riffs que ora trazem o death metal ao hardcore, ora o inverso. Com um baixo brilhando, “Desacreditado” é o único som em português. Apesar da banda ter o inglês como base, acredito que a nossa língua natal seria a ideal para a banda passar a mensagem de forma clara. As métricas estão precisas e o vocal raivoso só ganhou com isso. “Under the influencer” é o som mais hardcore da banda, enquanto a “Born with a curse” retoma algumas palhetadas mais do metal. Por fim, temos “Days of Summer”, que a banda explicou em uma entrevista que trata-se de uma referência a quando o governo do estado do Rio Grande do Sul discutia a venda de estatais e parte da população foi às ruas protestar contra essa possibilidade. O clima pegou fogo, com a polícia reprimindo as manifestações. Aquele lance do calor da hora, que deixa o sangue fervendo e um torpor no ar.

O material saiu em CD prensado e capa de envelope pelos selos Helena Discos, Brado Discos, Two Beers or Not Two Beers e Poeira Maldita. Gravado, mixado e masterizado no (recorded, mixed and mastered at) TungStudio (Porto Alegre).  Produzido por (produced by) Stenio Zanona/Diokane. Arte da capa (artwork): Rafael Giovanoli. 

Resenha: Xavosa “Luta (s​.​f​.​)”

Xavosa é uma banda de Brasília/DF, d em atividade desde 2017. Com influências como Bikini Kill, Dominatrix e Tsunami Bomb; a banda transita entre o punk e o hardcore melódico, carregado de mensagens politizadas calcadas na militância pessoal e profissional das integrantes. Seu primeiro EP, “Luta (s.f.)”, lançado em fevereiro de 2019, foi gravado no 1234 Recording Studio por Pedro Tavares.

O trabalho se inicia com “Rivotril”, que é um som mais na pegada do hardcore melédico que lembra um pouco a extinta banda Killi. A temática é o adoecimento psicológico nos tempos atuais, em que ao mesmo tempo em que se evidencia a crise, se coloca que é necessária a luta. “Corpos” por sua vez tem uma pegada mais rock´n´roll e traz uma mensagem forte feminista. Destaque para o vocal, que mais raivoso, nos trás confiança e empolga. É, para nós o melhor som do EP. Na sequência temos “Cidade”, que é um desabafo sobre o ser mulher em uma cidade, sobre o endurecimento da mulher não como algo natural, mas imposto por uma sociedade de estruturas patriarcais. Já numa pegada mais punk rock, “Marta” é um som bem gostoso de se ouvir, apesar da temática sobre a necessidade de liberdade. Vale a pena colocar no repeat. Com mais peso nos riffs e batidas “Básica” tem o clima exato para a letra que fala da mulher explorada, agredida, que vive nas periferias, com subempregos. Há um recorte de classe muito importante nesse som. “Correnteza” é aquele som que você dança. Isso mesmo, dança. Me peguei aqui na cadeira dançando o som. “Luta s.f.” que dá nome ao EP é um punk rock/hardcore que coloca a luta como substantivo feminino. E não é?

No geral o trabalho é muito bom, criativo, com vocal muito marcante. Chamamos a atenção apenas para a pós produção do som, pois sentimos o instrumental um pouco apagado. Nada que tire o mérito das composições. Esperamos por novos trabalhos da banda que está de parabéns.



Links:
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instagram: instagram.com/__xavosa
bandcamp: xavosa.bandcamp.com
spotify: spoti.fi/2SnycKb

Oxigênio Festival inicia venda de blind ticket

Oxigênio Festival, que chega à sexta edição neste ano, é um dos eventos mais plurais no ramo do entretenimento nacional. Assim como grandes nomes do circuito de shows, une na capital São Paulo música, esporte, gastronomia e outros segmentos culturais, como jogos eletrônicos e exposições de arte. Após uma experiência incrível nas últimas cinco edições e um público geral que ultrapassou os 15 mil, o Hangar 110 em parceria com a Gig Music dão a largada para a edição 2019, confirmada para setembro, com a venda do blind ticket, ou seja, venda de ingressos sem divulgar as atrações. Venda até 30 de junho: https://pixelticket.com.br/eventos/3724/oxigenio-festival-2019.

Com desconto especial, o Blind Ticket vale para os três dias de evento – aí está a primeira dica do Oxigênio 2019 – e pode ser adquirido online. O valor (meia entrada e promocional) é de R$ 180. O line-up, com muitas surpresas e bandas no auge da carreira, será anunciado dia 1º de julho.

Vamos falar do Oxigênio a partir de números? O festival já foi palco para mais de 100 bandas ao longo de quatro edições, cujo público total beira 20 mil pessoas. Ainda de acordo com números coletados pela produção, o evento, que a cada ano se mostra uma marca mais consolidada no mercado musical nacional, teve o engajamento online de um público de aproximadamente 2 milhões por edição.

O Oxigênio, hoje, extrapola as raízes no punk rock e hardcore e abre espaço para emo, alternativo, pop punk, rock n roll e ska. E por que não ampliar a gama de estilos em 2019?

SERVIÇO

Oxigênio Festival 2019, em setembro
Evento: https://www.facebook.com/events/340058723359517/
Data: 13, 14 e 15 de setembro
Horário: 13 horas (abertura); 14 horas (início dos shows)
Local: Via Matarazzo
Endereço: Avenida Francisco Matarazzo, 764, 05001-000, Água Branca, São Paulo, SP
Ingresso (Blind ticket): R$ 180 (para os três dias – meia/promocional); R$ 360 (para os três dias – inteira)
Online: https://pixelticket.com.br/eventos/3724/oxigenio-festival-2019
Físico: Locomotiva Discos, na Rua Barão de Itapetininga, 37 (sem taxa)
Censura: 14 anos

Brazattack “Oposição Cotidiana”

O Distrito Federal Caos é o principal celeiro de ótimas bandas de hardcore. Brazlândia, que é uma das cidades satélites do DF não poderia ficar de fora. É de lá que vem a banda Brazattack, que lançou esse ano o seu primeiro trabalho, o EP “Oposição Cotidiana”.

A sensacional arte da capa foi feita pelo ilustrador Marcelo Augusto (que também é guitarrista da banda Manger Cadavre?), com uma caveira antifascita crossover com a cabeça arrancada de um empresário que tem um cifrão riscado na testa. Nada mais justo. Formada por Henrique Janssen no vocal, Márcio Medeiros na bateria, Raphael Gomes na guitarra e Rodrigo Guga no baixo, a banda entrou em estúdio, pela primeira vez, em 2017 impulsionada pela ascensão da extrema direita no Brasil.

Oposição Cotidiana é um EP extremamente politizado, que conta com seis músicas muito bem executadas e com um vocal visceral. Com o “faça você mesmo” como lema, a banda merece destaque nas produções atuais.

O trabalho se inicia com o som “Resilientes”, que conta com influências de Madball principalmente na batera, mas os riffs são do hardcore clássico do DF. “Não deixe passar” conta com uma pequena intro quebrada, que dá lugar a um hardcore veloz, daqueles que faz o mosh pegar fogo. Na sequência temos “Institucional” que se destaca pela levada das cordas, já “Supervalorização” é com certeza o som em que o vocalista Henrique coloca mais ódio. “Herança colonial” é o destaque do trabalho. Com muito peso e crítica ferrenha a perpetuação nos dias atuais da exploração dos povos originários e o sequestrado para viver como escravos no Brasil, a banda se posiciona com afinco. Fechando o EP, temos “Faça Você Mesmo”, música que foi lançada como singles em 2017 e possui um clipe muito bacana.

A gravação foi feita na 1234 Recording Studio, em Brasilia/DF. A Mix e Master foi feita pelo Pedro Tavares. O material físico saiu pelo Helena Discos, porém verificamos que já está esgotado, aguardando reposição.

ESCOMBRO lança música em resposta à tentativa de censura

“O Peso de Sobreviver” marca o início da parceria com a Seven Eight Life, tradicional selo hardcore do Brasil, com forte representação na América do Sul

O quarteto paulistano Escombro faz valer e vive pelo lema que eles mesmo criaram há anos, Hardcore Por um Mundo mais Digno. A censura durante um show em Brasília, no começo de junho deste ano, apesar de um infeliz e desnecessário abuso de poder, alimentou a força criativa e indignação sincera da banda, que responde ao episódio com a música “O Peso de Sobreviver”. O single, disponível nas principais plataformas de streaming, pode ser conferido aqui: https://spoti.fi/2X0lA97

A nova música marca a estreia do Escombro na Seven Eight Life, o mais tradicional selo de hardcore do Brasil e com forte representatividade na América do Sul. Um novo EP está previsto ainda para esse ano. 

“O Peso de Sobreviver”, como sugere o nome, é tanto uma música pesada em termos de som, com guitarras metalizadas que destilam riffs furiosos, como carrega um enorme fardo que é fazer parte da resistência contra a censura, contra a onda crescente do racismo e segregação. 

“Ficou mais pesado pela raiva que passamos ali no ocorrido”, conta o vocalista Jota, que no dia 8 de junho foi detido e levado para uma delegacia da polícia militar em Brasília, enquanto se apresentava no União Underground Fest. A repressão aconteceu durante a execução de “S.O.P. (Sistema Padrão Operacional)”, música do primeiro álbum – Maldita Herança (2017) – com participação de Henrique Fogaça. No discurso introdutório, Jota faz críticas à instituição policial. Dois policiais tentaram parar o evento e prender o vocalista, que foi conduzido à delegacia. 

“A letra não é direcionada à PM. É também para outros agentes da sociedade. Alguns se sentem agora mais protegidos e respaldados por políticos no poder com discurso de ódio, e estão saindo do armário. A música é uma crítica a todas estas pessoas racistas, preconceituosas, que querem a volta da censura e da opressão a artistas, negros, pobres”, desabafa Jota. 

Jota, em nome do Escombro, dá o recado. “Não vamos nos acovardar. Episódios como esse só fomentam nosso inconformismo, alimentam a revolta, nossa e de muita gente, seja no hardcore ou em outros movimentos. Vamos sempre questionar e bater de frente”.

Banda de hardcore Cosmogonia lança novo EP

Quem viveu o final dos anos 90 vai se recordar do boom de bandas riot grrrls que aconteceu no Brasil. Dentre elas, uma das mais importantes foi a Cosmogonia. Treze anos após o último lançamento, e um hiato de shows, a banda volta com uma grande bagagem de apresentações e lança EP com três sons inéditos.

Gravado no estúdio Family Mob em São Paulo, o qual selecionou a banda para uma diária gratuita no projeto Experiência Family Mob, teve mix e master externas, por no Estúdio 1100, que fica na mesma cidade. A arte da capa ficou a encargo de Julia Rennhard.

“Abusivo” é o som mais pesado da banda, sem perder a essência do hardcore. Destaque ao vocais guturais que a vocalista Gabi Delgado ousou colocar no som. “Sem silêncio” é o som do hardcore clássico, que trata de superação dos traumas das mulheres e incentiva a denúncia. “Tempo” é o som mais empolgante da banda que conta com uma quebrada pesada, porém de base no melódico.

É notória a evolução da banda e a energia positiva que o EP possui. Parabenizamos e aguardamos um full album.

Deezer: https://www.deezer.com/br/album/89151082
Bandcamp: https://cosmogoniaoficial.bandcamp.com/album/reviva-2
Spotify: https://open.spotify.com/album/39e02dlNVf7RF4DoVcjE7G?si=hm4_JYx5R5GuSkVZQsycCQ