Quando O Sludge É Questionador: Desperato | Entrevista Com CRAS

Geralmente bandas de vertentes do Sludge possuem letras e temáticas mais introspectivas. Mas quando o hardcore é a veia propulsora dentro do estilo, o sludgecore é questionador e te coloca pra refletir. Confira o papo que tivemos com a banda paulista CRAS.

O EP ‘Desperato’ foi lançado faixa-a-faixa durante a pandemia, se adequando ao novo modelo de consumo de música. Vocês acreditam que hoje as pessoas não ouvem mais um trabalho completo? Pensam em lançar o material em formato físico?

(Hercules) Na verdade foi uma estrategia para ganharmos mais experiência com os lançamentos, pois tinhamos um total de zero experiência. E o mais legal deste aprendizado, foi que percebemos que ele nos ajudou na visibilidade da banda, sempre tínhamos algo novo para oferecer ao público. Sobre o consumo de álbuns completos o que percebemos é que o tempo que uma pessoa consome um disco completo é o mesmo que ela consome um single, nas plataformas de streaming. Porém acreditamos muito que este comportamento mude de plataforma para plataforma e que o material físico tenha um comportamento diferente de consumo.

Pelo menos é o que nós esperamos.

A novidade do ‘Desperato’ foi o som ‘The Price of Consent’ que tem uma pegada mais hardcore ao sludge da banda e lembra até algumas bandas clássicas do crust em dados momentos. Como se deu o processo de composição do trabalho como um todo? Fale um pouco sobre influências, instrumental, letras, gravação…

(Lucas) Realmente essa música, mais do que as outras do EP, teve muito mais influência de Crust e Neo Crust em sua composição, queriamos algo mais raivoso no instrumental dessa música, para contrastar com as partes lentas do EP, então muito da influência de Wolfbrigade, Amebix, Skitsystem, Rastilho, Discharge, Manger Cadavre está nessa música. Combinou muito com a letra, pois há mais raiva nessa do que nas outras faixas. Na letra, há um pararelo entre a situação horrivel que passamos com esse desgoverno nos ultimos 4 anos, e a criação de uma seita envolta desse tal “mito”, e o conto do Rei de Amarelo de Robert Chambers, nessa história, todos que tem contato com essa entidade (rei de amarelo) acaba ficando louco e coisas ruins acontecem, o que foi muito do que aconteceu no Brasil, Bolsonaro despertou o pior nas pessoas, e isso cobra um preço.

‘Beta’ é um som já lançado como single que contou com a participação da grande vocalista Mayara Puertas. Como se deu essa parceria? Vocês pensam em gravar novos sons com participações especiais?

(Marili) Eu e o Lucas fizemos aula de vocal com a May, então ela acompanhou boa parte do que o Cras foi construindo. Em umas das aulas, levei a letra de Beta, e instintivamente ela nos ajudou a estruturar alguns partes da música. E, o convite para a participação dela foi natural e ela aceitou na hora.
Para nosso primeiro full temos alguns nomes em mente, e queremos sim contar com participações especiais.

‘Desperato’ é um EP enérgico, mas que conta com certa melancolia em suas linhas de guitarra. Qual é o sentimento específico que vocês buscaram transmitir com cada instrumento e vocais?

(Lucas) a Melancolia é base na temática do Cras desde sempre, as músicas foram compostas em momentos bastante dificeis e nos ajudaram a expurgar muitas coisas. Acredito que o Cras é um local pra gente admitir e falar sobre coisas que não falariamos em uma conversa normal, então isso se traduz muito para a criação do instrumental, visto que geralmente a musica vem antes das letras, as linhas instrumentais é onde essas frustrações aparecem de forma mais pura, e aparecem não só nas notas mas na instensidade e força que tocamos os instrumentos, há muita tristeza, e particularmente algo de “eu versus eu mesmo” em todas as composições. Na questão técnica, nos tentamos ter bantante cuidado em mesclar essas duas maiores influencias que são antagonicas em velocidade, o Sludge/post-metal e o HC/Crust, então há uma preocupação real para conseguimos criar algo original. Com as vozes, o desafio é achar o contraste certo para as duas vozes, funciona muito bem, pois eu e Marili não necessariamente temos a mesma interpretação e leitura das letras, então isso reflete na forma que a gente canta.

A capa do trabalho nos transmite certo desespero, pois, respondendo a provocação de vocês: Não! Não sabemos diferenciar um ab0rto de um parto. Fato que nos faz refletir sobre como o corpo da mulher e as violências sofridas na normalidade nos são incômodas. Como vocês definiram essa capa? Falem um pouco sobre o processo artístico.

(Hércules) Como o Lucas comentou anteriormente a “Cras é um local pra gente admitir e falar sobre coisas que não falariamos em uma conversa normal”, com isso nos abrimos para expormos dores que são muito intimas e particulares. Muitos vezes, este exercício se expande e acaba envolvendo nossos familiares mais próximos e em um destes momentos minha esposa me disse que se o EP tivesse um gênero ele seria feminino, pela forma que ele abordas as dores, mas sempre tenta reagir trazendo o contra ponto da força traduzida nos momentos mais pesados e intensos das músicas. Depois desta fala eu e ela, que já havia feito a ilustração do single Beta e participou do clipe. Começamos a explorar o que seria o momento mais complexo que uma mulher pode passar em vida e nos deparamos com um parto. Um momento tão significativo e violento para o corpo que um homem não seria capaz de resistir fisicamente aquelas dores e ao mesmo tempo é um dos momento onde é mais comum a violência obstétrica. Não precisa ir longe para descobrir casos de mulheres que sofrem e guardam traumas caladas deste momento único, e que ao contrario do que vendem não tem nada de mágico. Quando chegamos a esta conclusão, ela sugeriu usar uma foto do parto do nosso último filho, para ilustrar que a sociedade nos corrompe e ilude tanto que não somos nem mais capazes de diferencias um nascimento de um aborto, E que este distanciamento só serve para garantir que cada vez mais mulheres sofram caladas ao trazer uma vida ao mundo, ou ao perder a vida que elas vinham gerando dentro delas.

Vocês, incrivelmente, conseguiram fazer inúmeras apresentações durante 2020, o que é um grande feito para uma banda nova e que já começa com uma qualidade ímpar de sonoridades. Falem um pouco sobre a importância da estrada para a maturidade das bandas e como vocês fazem para conseguir tantos shows.

(Cris) A estrada é fundamental para elevar a banda para o próximo nível, vendo bandas mais experientes de perto, os equipamentos que utilizam, os comentários da galera, na minha opinião esses são alguns fatores que ajudam bastante nesse processo de amadurecimento.

Sobre os shows, nós tentamos aproveitar todas as oportunidades possíveis para tocar, conhecer e reconhecer as bandas e pessoas que nos identificamos. Como estamos sempre presentes nos shows dos amigos, muitos convites acabam acontecendo de forma espontânea, tanto para shows quanto para participações como no caso da Mari e do Lucas que já cantaram com o Manger Cadavre, RNS e Inraza.

O que podemos esperar do CRAS daqui pra frente?

(Cris) Iniciamos os trabalhos de composição do nosso primeiro full album, temos planos de gravar e lançar em 2023. E claro, tocar ainda mais para conhecer outras cidades e Estados do Brasil.

Muito obrigado pela atenção! Esperamos vocês em Recife assim que possível. Esse espaço é de vocês, deixem um recado final.

Parabéns pelo seu trabalho no “O Colecionador”, é muito completo e o conteúdo é de altíssima qualidade.
Para finalizar, gostaríamos de agradecer pela oportunidade única e comentar que, tocar em Recife é um sonho nosso e o Abril Pro Rock é um dos maiores festivais do país, ficaríamos muito honrados de visitar Pernambuco. Abraço a todos, cuidem-se e apoiem as bandas nacionais.

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Distraught lança Locked Forever ao vivo em Porto Alegre

A banda Distraught acaba de lançar vídeo para versão ao vivo da música Locked Forever que faz parte do álbum de mesmo nome lançado em 2015. 

 A gravação de Locked Forever ao vivo aconteceu durante a 10° edição do festival RS Metal, em 28 de outubro, em Porto Alegre, no Bar Opinião. Estiveram no line up as bandas Exterminate e Nervosa.

Assista aqui:
https://youtu.be/v8UlGar8Wdg

Ficha Técnica de Locked Forever ao vivo:
Gravação, Áudio e Mixagem: Renato Osorio Câmeras: Cristiano Seifert, Juliano Mendes, Marcos Neuberger
Edição: Ricardo Silveira (@R8_films)

Locked Forever é o sexto disco da história da Distraught e foi baseado no livro Holocausto Brasileiro, da jornalista Daniela Arbex. O título conta as histórias de maus tratos no Hospital Colônia, em Barbacena, Minas Gerais, que já foi o maior hospício do Brasil. O livro-reportagem denuncia a morte de 60 mil internos e o sofrimento dos sobreviventes daquela instituição.

Sobre a Distraught
Distraught é um dos nomes mais longevos do thrash metal nacional. Com 32 anos de estrada, Distraught surgiu em fevereiro de 1990, no Rio Grande do Sul. Após duas demo-tapes e um split, lançou, em 1998, o primeiro álbum independente intitulado ‘Nervous System’. Em 2000, lançou o segundo, ‘Infinite Abyssal’, pela Encore Records para dar sequência, em 2002, com o lançamento do registro ao vivo ‘Live Black Jack-SP’, disco gravado em apresentação na capital paulista.

O ano de 2004 marcou o lançamento de ‘Behind the Veil’. Produzido pelo renomado produtor Fabiano Penna, o álbum rendeu a primeira turnê nacional da Distraught, a ‘Behind the Veil Tour’, pelas principais cidades do Norte, Nordeste, Sul e Sudeste.

‘Unnatural Display Of Art’ é o título do quarto álbum da carreira da Distraught. Lançado em 2009, o disco contou com a participação especial do guitarrista Diego Kasper (HIBRIA) e dos vocalistas Clark (Unmaker) e Flávio Soares (Leviaethan). A distribuição no Brasil ficou por conta da Voice Music e no Japão pela Spiritual Beast. Naquele ano, a banda partiu para sua primeira turnê na Argentina. 

Em 2010, Distraught foi convidada para abrir o show do Megadeth,no Pepsi on Stage, em Porto Alegre, e na sequência seguiu novamente para outra turnê na Argentina.

Em 2012, a banda lançou o álbum ‘The Human Negligence is Repugnant’, que firmou ainda mais o nome do Distraught no Brasil. O álbum, assim como seus antecessores, recebeu excelentes críticas da mídia especializada, muitas delas colocando a banda como uma das mais importantes do cenário nacional. 

Para as divulgações do álbum, a banda iniciou a ‘Psycho Terror Tour’ com shows na Argentina e Brasil e também gravou um videoclipe para a faixa ‘Justice Done by Betrayers’.

O sexto álbum da carreira chega em 2015 e é considerado o mais pesado da banda até ali: ‘Locked Forever’. Não apenas as músicas são densas, mas também a temática que rege o disco: manicômios e sistema prisional brasileiro sob inspiração no livro ‘Holocausto Brasileiro’, da jornalista Daniela Arbex, que conta a história do manicômio Colônia de Barbacena, Minas Gerais, o maior hospício do Brasil.

‘Locked Forever’ foi gravado no estúdio Monostereo com produção de Renato Osorio (HIBRIA), mixagem por Benhur Lima (HIBRIA) e masterização por Adair Daufembach, um dos mais renomados nomes da área que concentra no currículo trabalhos com Kiko Loureiro, Project46, Hangar, Aquiles Priester, Tony MacAlpine e outros.

A capa de Locked Forever ficou por conta do artista Marcelo Vasco (Slayer Machine Head, Soulfly, Kreator). Distraught também lançou clipes para as faixas ‘Locked Forever’ e  ‘Shortcut to Escape’.

Em 2018, Distraught lançou versões e clipes para as músicas ‘Helter Skelter’, dos Beatles, e ‘Living in the Past’, do Motörhead. Mais recentemente, durante o período de afastamento dos palcos por conta da pandemia de Covid 19, lançou em colaboração com outros músicos uma versão disponível no YouTube de ‘Symptom of the Universe’, do Black Sabbath. Crucified Life, de 2022, é o single mais recente disponível em clipe e nos principais apps de streaming.

Distraught é:
André Meyer – vocal
Ricardo Silveira – Guitarra
Everton Acosta – Guitarra
Alan Holz – Baixo
Thiago Caurio – Bateria

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Desalmado lança clipe para inédita Become Hatred

foto por Dani Moreira

A banda Desalmado acaba de lançar clipe para ‘Become Hatred’, música inédita que está disponível no canal da banda no YouTube e que será lançada na próxima semana nas plataformas de streaming.

Assista Become Hatred:

Em ‘Become Hatred’, a banda retrata uma personagem lidando com diferentes estados de consciência, como explica o vocalista Caio Augusttus:

“A ideia do clipe era conseguir dar dimensão a raiva em diversos níveis. Precisávamos de um personagem que conseguisse traduzir isso e passasse a ideia de variados aspectos do sofrimento, por isso o trabalho foi feito em sequências que se entrelaçam e desencadeiam em desejo de vingança”, diz Caio. “O trabalho realizado pelo Walter, da Headlabel, só tornou esse processo ainda melhor. Ele captou perfeitamente a essência da banda e conduziu as filmagens da atriz de forma incrível e com muita atenção aos detalhes. Talvez esse seja o clipe mais bonito de nossa filmografia”, completa.

A personagem foi interpretada pela atriz Gisele Rosa, que fez sua primeira atuação em um vídeo clipe em ‘Become Hatred’.

“Foi incrível, adorei a experiência desde o início. Tudo foi bem preparado desde a ideia do clipe, a forma que tudo foi conduzido, fui muito bem recebida, muito bem tratada, e a banda foi super aberta para coisas que também propus de última hora”, conta Gisele.

‘Become Hatred’ solidifica a parceria do Desalmado com o diretor Walter de Andrade, que também dirigiu e produziu os clipes de ‘Hollow’ e ‘Across the Land’, ambas do disco ‘Mass Mental Devolution’, lançado em outubro de 2021.

“É sempre um desafio gratificante fazer um videoclipe para o Desalmado.  As músicas são muito intensas e os clipes precisam acompanhar essa intensidade ao mesmo tempo que precisam passar visualmente a mensagem das letras. O apoio da banda nas gravações deste videoclipe foi fundamental e a atuação da Gisele Rosa foi de muita verdadeira e entregue”, diz Walter.

A nova música foi produzida, gravada, mixada e masterizada por Hugo Silva no estúdio Family Mob. Hugo é o responsável pela produção dos últimos trabalhos de estúdio da banda desde o split ‘In Grind We Trust’.

“Become Hatred surge de um processo individual ocorrido neste ano em específico. É uma letra que fala de raiva, resignação e de se levantar para colocar as coisas em movimento. É mostrar como a raiva é importante para alcançar objetivos maiores e o quanto pode ser um processo libertador para nossas angústias e tudo aquilo que nos aprisiona na sociedade em que vivemos”, explica Caio sobre a composição da letra.

Atualmente, o Desalmado está em turnê pelo nordeste divulgando o single ‘Become Hatred’ e o álbum Mass Mental Devolution. Mais informações de agenda em instagram.com/desalmado.band.

Sobre Desalmado

Desalmado é uma das principais e mais atuantes bandas do cenário da música extrema no Brasil. O grupo surgiu em 2004 na cidade de São Paulo, tendo se apresentado em centenas de shows e diversos festivais em todas as regiões do Brasil e na Europa.  

A banda traz na temática de suas letras questionamentos políticos, sociais e reflexões sobre a natureza humana. Os últimos lançamentos da banda expõem as entranhas de um mundo perverso e alienado subserviente a um sistema manipulado pelas classes dominantes. 

Discografia Desalmado

Hereditas – 2008

Desalmado – 2012

Estado Escravo – 2014

In Grind We Trust – 2016

Save Us From Ourselves – 2018 

Rebelião – 2020

Mass Mental Devolution – 2021

Links relacionados

Site: desalmado.com

YouTube: Youtube.com/Desalmado

Instagram: instagram.com/desalmado.band

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Twitter: twitter.com/desalmado

TikTok: tiktok.com/@desalmado.band

Xaninho discos: xaninhodiscos.com.br

FICHA TÉCNICA – BECOME HATRED

ÁUDIO

Produzido por Hugo Silva

Co-produzido por Desalmado

Gravado, Mixado e Masterizado por Hugo Silva no Family Mob.

Técnico de gravação: Otavio Rossato

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VÍDEO

Direção: Walter de Andrade e Caio Augusttus

Assistente de direção: Bruno Teixeira

Roteiro: Caio Augusttus e Estevam Romera

Fotografia: Walter de Andrade

Pós Produção: Walter de Andrade

Atriz: Gisele Rosa

Figurino: Adressa Miyasato

Locação: Homeless Bear Home (https://www.homelessbear.com.br/home) e Family Mob (https://www.familymob.com.br)

Produção: Desalmado e Head Label Audiovisual

A nova cara do glam nacional: conheça a banda Fla Mingo, que se apresenta em SP em novembro, no Sesc Belenzinho

A banda Fla Mingo (Crédito: Felipe Ferracioli)

Fla Mingo é o projeto solo do músico, cantor e compositor Flaviano André. Originário da Paraíba, suas influências vão de David Bowie e Iggy Pop ao repertório psicodélico e – por que não dizer – romântico de grandes artistas brasileiros. Agora a banda promove seu disco de estreia ‘Esquina’ com show especial em São Paulo, no Sesc Belenzinho, no dia 25 de novembro.

Ingressos à venda nas bilheterias física e digital do Sesc. Mais em:
https://www.sescsp.org.br/programacao/fla-mingo

Quando Flaviano André sobe no palco e se torna Fla Mingo, temos a oportunidade de ver sentido e sensibilidade em um encontro perfeito: uma performance explosiva, com os dois pés fincados no glam rock de figurino e maquiagem elaborados, mas sem abandonar a visceralidade do punk, acrescido de linhas melódicas dançantes da disco e refrões que você se pega cantando junto na segunda repetição.

As letras de Fla Mingo, embaladas por sua voz alta e clara, não retratam apenas um universo de plumas e paetês; é a descrição de um mundo doloroso, com esperanças perdidas, corações partidos, não pertencimento e inadequação.

Em 2022, o artista lançou pela Baratos Afins ‘Esquina’, seu primeiro álbum de canções autorais, trazendo novos trabalhos e releituras de composições de sua antiga banda, a Star61, com quem colecionou ao longo dos anos demos, EPs, videoclipes e participações em importantes eventos e programas de música independente como Festival Mada (RN), Festival Do Sol (RN), Abril Pro Rock (PE), Claro Que É Rock (SP), Virada Cultural (SP), Showlivre (SP), entre outros.

Na atual encarnação, Fla Mingo conta com o apoio dos músicos Pedro Lauletta (bateria e backing vocais), Pedro Zanchetta (guitarra solo), Alexandre Lopes (guitarra e backing vocais) e Rafael Plaza (baixo e backing vocais).

Sobre ‘Esquina’

‘Esquina’ é o primeiro álbum do músico, compositor e cantor Flaviano André sob o nome de Fla Mingo. Paraibano radicado na capital paulista desde 2009, Flaviano assume a carreira solo com seu repertório calcado na fase glam rock de David Bowie e letras que dão voz a confissões pessoais e personagens suburbanos como travestis, prostitutas e outras figuras ignotas de João Pessoa (PB) e São Paulo (SP).


Composto por sete faixas, o álbum começa com “Descontrole”, relatando a desilusão do ideal romântico e a superação de amores desencontrados, após a travessia de campos minados e rejeições. Gravada originalmente em 2008 com a banda Star61 no EP Você não Sabe o que Perdeu, desta vez a música ganha uma roupagem mais pungente e sonoridade influenciada pelas guitar bands dos anos 90.

“Homem do Espaço” é uma homenagem frenética ao ídolo máximo David Bowie. Além de  citações ao clássico “Space Oddity” em meio a uma parede de efeitos de guitarra, seus versos mostram o papel do artista na revolução pessoal de Flaviano André, “mudando seu quarto, estilo e sendo uma verdadeira escola de arte” para o autor e todos aqueles que se sentem excluídos e diferentes.


Em “Fácil Demais”, Fla Mingo utiliza agudos para implorar o interesse de alguém em uma letra divertida que abusa de duplos sentidos. A melodia, inspirada no brega romântico, surgiu enquanto Flaviano lavava louça na casa dos pais. Seu refrão chiclete casa muito bem com os backing vocals a la Motown feitos pelo baterista Pedro Lauletta e o amigo e músico convidado João Sabino.

“A Super Tra” traz uma proposta dançante, combinando rock com um baixo de disco soul que não deve em nada aos melhores arranjos do Blondie e Chic. A letra foi inspirada por uma trans vestida como Julia Roberts no filme Uma Linda Mulher, avistada por Flaviano em um carrinho de churrasquinho em uma avenida em João Pessoa. Por trás do deboche lírico, “A Supertra” questiona a binaridade de gênero de forma divertida mas com cunho social, ao retratar a travesti como uma super-heroína que passa por agruras diariamente e ganha a vida nas ruas à noite.

Um “oxe” em tom alto introduz “Los Amigos”, mostrando que Fla sabe bem de onde veio e está pronto para mostrar que o mundo inteiro lhe pertence. Ao versar sobre experiências em boates underground do centro histórico de sua cidade-natal, sem dinheiro algum no bolso e esperar o amanhecer para seguir até a lagoa no parque da cidade, a faixa mais porrada do álbum também traz a influência de Pixies, em uma composição com poucos acordes, misturando punk rock com flamenco e um momento noise.

“Pensar É Perigoso” é a composição mais recente do disco, com instrumental e melodia criados em um ensaio por toda a banda e que ganhou letra com cunho político e social. Abordando temas como diferenças e hipervigilância, Fla Mingo critica valores conservadores e verdades absolutas, fazendo da faixa um discurso escarrado para gritar às pessoas que estavam cegas com o governo no Brasil, incluindo referências aos livros “1984” de George Orwell (Guerra é paz / liberdade é escravidão / ignorância é força”) e “O Menino do Dedo Verde” de Maurice Druon.

Como uma despedida enérgica, “Tanto Faz” encerra o registro com um tom garageiro que remete tanto às influências inglesas dos anos 60 quanto da nossa Jovem Guarda. Na letra, encontramos um personagem que se recusa a fazer parte de um jogo amoroso platônico onde ninguém ganha.

Fla Mingo é para ouvir com atenção, viajando nas camadas da letra e da voz de Flaviano André, mas principalmente para experimentar sensorialmente, vendo e ouvindo num belo show de inferninho. Ou nas esquinas por aí.

Tracklist:

1- Descontrole
2- Homem do Espaço
3- Fácil Demais
4- A Super Tra
5- Los Amigos
6- Pensar É Perigoso
7- Tanto Faz

Ficha Técnica
Fla Mingo – Esquina
Gravado e mixado em 2019 por Caio José no Flap Estúdios em São Paulo (SP).

Flaviano André – vocais, backing vocais
Pedro Lauletta – bateria, backing vocais, percussão
Pedro Zanchetta – guitarra
Alexandre Lopes – guitarra
Saulo Raphael – baixo

Músicos adicionais
João Sabino – backing vocais

Serviço

Fla Mingo no Sesc Belenzinho

Quando: 25/11

Hora: 20h30

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho

Mais em www.sescsp.org.br/programacao/fla-mingo

Retinoises evoca força feminina em clipe de Fly Away

O rock alternativo dos anos 1990 encontra refúgio seguro e continuidade em ‘Fly Away (Free Girl)’, clipe que o quarteto paulista Retinoises acaba de lançar em seu canal no YouTube. A canção faz parte do EP ‘Eyes For Sale’ e o vídeo inaugura a filmografia da banda, funcionando como um bom cartão de visitas para apresentar rosto e som do grupo nascido na cidade de Bom Jesus dos Perdões.

Abordando o tema da liberdade feminina, ‘Fly Away (Free Girl)’ fala da força da mulher frente aos obstáculos. “‘Fly Away’ foi idealizada para transmitir a importância  da energia e vigor delas diante dos desafios do mundo moderno, sem perder a pureza e inocência de uma criança. Essa dicotomia é conduzida através do peso e massa sonora das guitarras distorcidas em contraste com o vocal melodioso e de características shoegaze, especialmente no refrão”, explica o vocalista Rudolph Oliveira.

Assista Fly Away (Free Girl)
https://youtu.be/GghDSVzPeEQ

Retinoises nasce da história particular de Rudolph que é também guitarrista e fundador da banda. O músico tem uma condição chamada retinose pigmentar, doença genética, progressiva e incurável da retina que já lhe causou a perda da maior parte da visão. A retinose acomete milhares de pessoas – atinge uma em cada seis mil pessoas no mundo todo – e pode levar à cegueira total. Fazer música e contar através dela os altos e baixos que a situação provoca passou a ser pauta constante para o Retinoises, como o próprio nome da banda entrega.

Retinoises traz uma mistura interessante do som pesado do heavy metal e do stoner com a atmosfera noventista. As letras não deixam de perpassar por momentos de angústia,  às vezes, obscuros, embaladas sob fontes de inspiração como Smashing Pumpkins, Queens of The Stone Age, My Bloody Valentine, Alice in Chains e Nirvana.
Na discografia, Retinoises possui os seguintes trabalhos: o EP Which Way EP (2018), o álbum Retinoises (2019), o single Gaslighting (2020), o single One More Life (2021), o EP Eyes For Sale (2021), o single Suicide Prevention (2021) e o single Feel Bad (Hit of Winter) de 2022.

Ficha técnica – clipe:

Filmado e editado por Sóstenes Matusalem e Eduardo Anabela
Imagens Adicionais de Vitor Ledier
Edição final por Bruno Teixeira (Agência 1a1)

Ficha técnica – música:

Gravada e produzida por Ricardo Prado e Marcelo Ariente Mackoy no Estúdio Canto da Coruja

Retinoises é:

Rudolph Oliveira (vocal e guitarra)

Bruno Pasquali (bateria)                          

Rafael Ferrari (baixo)        

Raphael Mello (guitarra)

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Duo riot grrrl brasileiro Motosserra lança clipe para a canção “AmaZona”

Formada pela mineira Maria Caram e a paraibana Olga Costa, o projeto apresenta o primeiro clipe.

Motosserra é formada pela paraibana Olga Costa e a mineira Maria Caram, um duo virtual que leva muito a sério a ideia do Faça Você Mesmo e do Vai com medo mesmo. Com uma mistura de punk, riot grrrl, experimental, spoken word e muita vontade de colocar música no mundo, projeto apresenta seu primeiro clipe para canção “AmaZona”.

Lançada originalmente na playlist de Dezembro do blog Hominis Canidae e no começo de Janeiro no bandcamp da dupla. Enquanto Olga transformava o desmatamento da Amazônia em poesia, Maria tentava transformar em música o sentido de farsa. Foi o encontro dessas 2 tentativas com o desejo de arriscar que deu origem a “AmaZona”, primeiro single do que se tornou o duo Motosserra, provando que tilts e glitchs podem ser mais importantes para um encontro frutífero que uma conexão de internet estável.

“O pulmão do planeta morreu. Deixamos morrer. Queimamos, cortamos e quando nos demos conta, já não haviam cilindros de oxigênio suficiente. Os que tem dinheiro, migram para Marte. Os que não tem, criam seus bunkers, vestem suas máscaras, performam numa vida tão árida que nem parece real. Mad Max é aqui. 1984 é aqui. Derruba mais mil”, comenta Maria Caram sobre o clipe, que foi produzido, editado e montado por Matheus Palmieri.

O duo é o novo integrante do selo virtual Hominis Canidae REC, que disponibiliza o clipe em seu canal no youtube e irá distribuir a música e a versão remix em todos os streams em breve.

Spiritraiser: banda lança novo single Fearism e marca espaço do rock alternativo finlandês no Brasil

Spiritraiser, quarteto finlandês de rock alternativo na estrada desde 2018, lança nesta sexta-feira (03), Fearism, música que fará parte do segundo disco da banda com estreia programada ainda para o primeiro semestre. A faixa está disponível nos streamings e também ganhou um vídeo no Youtube com direção de Antti “Nessu” Jokinen e com o ator Eero Valovaara. 
Ouça aqui Fearism:
https://album.link/6wknrn6pmcf5f

Assista aqui Fearism:
https://youtu.be/25SUl97Pz_g

Apostando no tema da discriminação sofrida por muitas pessoas por conta de sua origem, Fearism nasce de um sonho do guitarrista Uula Korhonen sobre a condição de uma amiga que lutava para conseguir um lugar calmo e seguro para si depois depois de sofrer preconceito.

“A música é sobre o medo e a ansiedade que atinge pessoas ao redor do mundo que precisam fugir de suas casas para encontrar um lugar onde possam viver em paz e serem aceitas, independentemente de sua origem, gênero ou origem cultural”, diz Uula.

Com seu conjunto sonoro e lírico bastante peculiar, Spiritraiser garante um lugar para o rock alternativo na Finlândia, país ainda muito reconhecido pelos brasileiros por suas bandas de heavy metal.

Misturando diversos elementos do rock, guitarras pesadas e música ambiente, Jules Näveri (vocal), Uula Korhonen (guitarra), Anssi Ruotanen (baixo) e Kristian Merilahti (bateria e programação) já mostraram ao público a identidade da banda com as músicas ‘Stream’, ‘Glory’ e ‘Invisible Enemy’, singles disponíveis na web.

O vocalista Jules Näveri, que mora no Rio de Janeiro, é o autor da letra de Fearism e analisa que a ascensão de governos populistas em diversos pontos do mundo têm sido um fator crucial na ascensão da segregação por raça, cor, credo e origem. 

“Infelizmente, nossas sociedades são intimidadas por fanáticos populistas que tentam impedir que as pessoas aprendam e entendam problemas maiores e, portanto, não buscam soluções para eles”, comenta. “Ou ainda oferecem ‘soluções fáceis’ para questões complicadas. Geralmente eles têm zero experiência no que significa estar com medo. Eles não têm ideia do que significa fugir de sua casa e deixar tudo para trás. Eles são incapazes de se colocar na posição de outra pessoa e é por isso que o medo que eles cospem é apenas uma ignorância egoísta”, finaliza.

Os músicos do Spiritraiser também são envolvidos com outros importantes trabalhos. Jules Näveri é  ainda conhecido pelas bandas Profane Omen, Rootbrain e Enemy of the Sun, Uula Korhonen pelo Sleep Of Monsters e Kristian Merilahti também faz música eletrônica sob o codinome Fone. 

Ficha técnica – Fearism
Composição: Uula Korhonen, Anssi Ruotanen, Kristian Merilahti

Letra: Jules Näveri

Arranjos:  Kristian Merilahti, Uula Korhonen, Anssi Ruotanen, Jules Näveri

Spiritraiser é:

Jules Näveri – Vocais

Uula Korhonen – Guitarra

Kristian Merilahti – Bateria e programação

Anssi Ruotanen – baixo

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Angra, maior nome do heavy metal melódico brasileiro, retorna a Porto Alegre em junho



Sucesso, polêmicas, mudanças de integrantes e, acima de tudo, qualidade musical. Tudo isso faz parte da história do Angra, banda criada em 1991 e que elevou o metal melódico nacional ao alto nível. Foram diversos momentos marcantes na carreira do grupo, sendo um deles o lançamento do quarto álbum: “Rebirth” (2001). Como o nome sugere, o trabalho foi um renascimento para o conjunto após reformular a formação e voltar à ativa com Edu Falaschi assumindo a função de vocalista deixada por Andre Matos, Felipe Andreoli (baixo) na vaga de Luis Mariutti e Aquiles Priester pegando as baquetas antes tocadas por Ricardo Confessori.
 É para celebrar este clássico registro que a banda estará em turnê durante os meses de junho e julho. Em Porto Alegre, o show da “Rebirth 20th Anniversary” ocorre em 25 de junho, sábado, às 20h30min, no Opinião (Rua José do Patrocínio, 834). As honras da casa na capital gaúcha ficam sob a responsabilidade da banda convidada Rage In My Eyes e sua mistura de heavy metal e tradicionalismo gaudério. Ingressos podem ser adquiridos em https://bileto.sympla.com.br/event/71703/d/128107.
A gira pelo sul do país inclui ainda Florianópolis (em 24 de junho, no John Bull Pub) e Curitiba (em 26 de junho, no Ópera de Arame).
 ::::: ANGRA :::::
Local
Opinião (Rua José do Patrocínio, 834)
Classificação etária
Livre
Quando
25 de junho, sábado, às 20h30min
Horários
18h — abertura da casa
19h20min — Rage in My Eyes
20h30min — ANGRA
Ingressos
PISTA
1º lote (promocional)
Inteira — R$ 120
Solidário — R$ 65*
Meia —R$ 60**
 
2º lote (promocional)
Inteira — R$ 140
Solidário — R$ 75*
Meia — R$ 70**
 
3º lote
Inteira — R$ 160
Solidário — R$ 85*
Meia — R$ 80**
 
4º lote
Inteira — R$ 180
Solidário — R$ 95*
Meia — R$ 90**
 
MEZANINO – cadeiras com mesas (por ordem de chegada)
1º lote (promocional)
Inteira — R$ 200
Solidário —  R$ 105*
Meia —  R$ 100**
 
2º lote 
Inteira —  R$ 220
Solidário —  R$ 115*
Meia —  R$ 110**
 * Solidário — limitados e válidos somente com a entrega de 1kg de alimento não perecível na entrada do show.
** Meia-entrada — para estudantes são válidas somente as seguintes carteiras de identificação estudantil: ANPG, UNE, UBE’s, DCE’s e demais especificadas na LEI FEDERAL Nº 12.933. Não será aceita NENHUMA outra forma de identificação que não as oficializadas na lei.
Pontos de venda 
Bilheteria oficial (sem taxa de conveniência – somente em dinheiro)
Loja Planeta Surf Bourbon Wallig (Av. Assis Brasil, 2611 – Loja 249 – Jardim Lindóia, Porto Alegre). Horário funcionamento: das 10h às 22h.
Bilheteria Araújo Vianna (Av. Osvaldo Aranha, 685 – Bairro Bom Fim). Aberta somente em dia de eventos 2 horas antes do início dos shows.
Demais pontos de venda (sujeito à cobrança de taxa de conveniência –  somente em dinheiro):
Loja Verse Centro (Rua dos Andradas, Galeria Chaves, 1444 – Loja 06 – Centro Histórico, Porto Alegre).
 
ANGRA
O conceitual e atemporal álbum “Rebirth”, do Angra, que marcou época e traz inúmeras características que fizeram com que o som da banda se tornasse único, completou duas décadas em 2021. Com a efeméride, surgiu a ideia de uma turnê comemorativa aos 20 anos do disco. A gira se realizará no Brasil nos meses de junho e julho. Sobre a empreitada, o guitarrista e fundador da banda, Rafael Bittencourt diz:
“Estou muito feliz em realizar a turnê do “Rebirth” juntamente com o Fabio Lione, Felipe Andreoli, Marcelo Barbosa e Bruno Valverde. Será muito emblemático retornar e reviver uma época em que a banda estava renascendo, pois nesse momento o mundo inteiro está renascendo. Nós estamos no meio de uma pandemia, pois não se sabe ainda quanto tempo as coisas irão demorar para retornar como eram, e muito possivelmente nunca seremos os mesmos. Mas, para mim, também será o resgate de um trabalho que representou muito em minha vida. Trabalho esse que revelou o que eu estava sentindo na época, já que a banda havia se separado, estávamos nos reconstruindo.
Em relação à história do álbum, ele enfatiza: “”Rebirth” é uma civilização reconstruindo o mundo, que é um pouco do que estamos vivendo nesses momentos. E também será importante, pois logo a banda irá se reunir para criar um novo trabalho, e revisitar o “Rebirth” nos trará inspiração para escrever um material belíssimo, não só sobre o drama de renascimento da banda, mas sobre o renascimento de toda a sociedade mundial”, observa Rafael Bittencourt.
Rafael complementa ainda sobre a falta que sente dos palcos em função da pandemia: “Fora a saudade dos palcos, tem a saudade de ver o público. Estou muito ansioso para o começo dessa Nova Era!”, conclui o músic, fazendo um trocadilho com o nome de umas das composições do álbum homenageado.
Com relação à turnê e ao que o público poderá esperar dos shows, o Angra garante que fará apresentações vigorosas, enérgicas e cheias de paixão.
“Rebirth” saiu em 2001, marcando o renascimento do Angra, sendo o primeiro álbum a contar com o vocalista Edu Falaschi. O material, conciso e repleto de excelentes composições, mostrou a força da banda: vendeu mais de 100 mil cópias em menos de dois meses, algo inconcebível para uma banda de metal sem nenhum apoio da grande mídia no Brasil, onde o grupo recebeu disco de ouro. “Rebirth” já ultrapassou a marca de um milhão de discos vendidos ao redor do mundo. 
RAGE IN MY EYES
Banda brasileira de heavy metal que surgiu em 2002 sob o nome de Scelerata. Ao longo de 19 anos, construiu uma história de respeito no cenário do  metal brasileiro e internacional. Com quatro full-length lançados mundialmente e um EP, incluindo o álbum internacionalmente aclamado “The Sniper” — parcialmente gravado na Alemanha no estúdio da lendária banda Blind Guardian e produzido por Charlie Bauerfeind (Blind Guardian, Helloween, Angra) —, que contou com as participações de Paul Di’anno (ex-Iron Maiden) e Andi Deris (Helloween). 
O Scelerata foi a banda oficial brasileira de apoio ao vocalista Paul Di’anno (ex-Iron Maiden) de 2009 a 2014, tocando mais de 50 shows com o vocalista e ainda abrindo todas essas apresentações executando repertório autoral. Ainda sob o nome Scelerata, o grupo abriu espetáculos de nomes como Deep Purple, Gamma Ray, Angra, Shaman, Viper, Kamelot, Krisiun e Edguy e tocou no palco com Roy Z (Bruce Dickinson, Rob Halford) e Kiko Loureiro (Megadeth, ex-Angra).
Passando por uma mudança de nome em 2018, o Rage In My Eyes agora apresenta ao mundo um tipo de música único, especialmente por incorporar o acordeon ao metal. Por ser do sul do Brasil, a banda entrega um som que mistura heavy e prog metal com elementos da milonga — gênero musical do Sul do Brasil, Uruguai e Argentina. O guitarrista Magnus Wichmann, neto do lendário músico gaúcho Teixeirinha, e principal compositor, destaca os arranjos da milonga e o acordeon nos temas da RIME: “Já faz um tempo que acrescentamos esses elementos e percebemos que combinavam muito bem com o nosso estilo e com a composição. Queríamos trazer algo especial e único, e tudo aconteceu de uma forma muito autêntica e natural. A melhor parte é que os fãs aprovaram esses experimentos.”
O álbum de estreia, “Ice Cell”, lançado em agosto de 2019, abriu muitas portas e recebeu boas críticas em todo o mundo. O disco foi gravado em Los Angeles (EUA) e na cidade natal da banda, Porto Alegre (Brasil), produzido por Magnus Wichmann no Magneto Studio (Brasil) e Daufembach Studio (EUA). A mixagem e masterização foram realizadas em Los Angeles pelo renomado produtor brasileiro Adair Daufembach (Dirk Verbeuren, Aquiles Priester, Kiko Loureiro, Tony MacAlpine). A mudança do baterista Francis Cassol para Los Angeles contribuiu para o relacionamento mais próximo da banda com o produtor Adair Daufembach. “Gravar nos Estados Unidos com Adair foi uma experiência incrível. Alcançamos resultados impressionantes em termos de som de bateria”. Para divulgar o álbum, foram lançados dois videoclipes oficiais, o primeiro de ‘Death Sleepers’, faixa que explicita as influências da milonga e da cultura gaúcha. Mas a principal conquista foi a histórica abertura para o Iron Maiden durante a “Legacy of The Beast Tour 2019”, em Porto Alegre, para 40 mil pessoas na Arena do Grêmio, que resultou no videoclipe da faixa ‘Hole In The Shell’.
      Em 2020, o grupo lançou um single e um lyric vídeo da música ‘I Don’t Want To Say Goodbye’, que é uma homenagem ao grandioso cantor brasileiro Andre Matos, infelizmente falecido em 2019. Ainda em 2020, sem poder se apresentar ao vivo em razão da pandemia, a Rage in My Eyes disponibilizou dois vídeos de “quarentena” ao vivo. Uma para a faixa de abertura de ‘Ice Cell’, ‘Winter Dream’ e outra para a música ‘A Perigo’, versão dos Engenheiros do Hawaii.
      Em 2021, saiu o EP “Spiral”, que consiste em cinco faixas e mantém a essência da composição da banda, mas busca levar sua conexão com a milonga um passo adiante. 
 
OUÇA RAGE IN MY EYES:
https://rageinmyeyes.com/
https://ffm.bio/RageInMyEyes
https://linktr.ee/rageinmyeyes
 
Resumo
O que: Angra
Quando: Sábado, 25 de junho, 20h30min
Onde: Opinião – José do Patrocínio, 834
Quanto: de R$ 60 à R$ 220
Informações: www.abstratti.com e (51) 3211-2838.
Outros eventos Abstratti em Porto Alegre:
19/03 – Froid no Opinião
26/03 – Dead Fish no Opinião
07/05 – Supercombo no Opinião

Raiva, Revolta e Melancolia Como Os Elementos Fundamentais Para O Som Pesado em 2021 | Melhores Lançamentos do Ano

A pandemia arrebatou a vontade de muita gente. Não é pra menos, visto que perdemos familiares, amigos queridos, pessoas que amamos ou que admiramos. Somos em essência seres sociais e, para nossa proteção, privados do coletivo, perdemos muito daquilo que somos. Aqui mesmo no O Colecionador, perdemos os braços de parte da equipe que, por sua vez, perdeu o sentido em trabalhar para a cena independente. Mas esse estado de hibernação em que fomos colocados e seus sentimentos que surgiram como consequência foi a gasolina necessária para que muitas bandas criassem (e digo com toda a certeza do mundo, visse) uma das melhores safras de álbuns e EPs dos últimos 10 anos. Dito isso, vamos aos lançamentos mais expressivos de 2021.

Recomenda-se o play nas 20 faixas que selecionamos para acompanhar a leitura.

Álbuns

Nervosa “Perpetual Chaos”

A nova formação da banda (o dream team) trilhou a sonoridade de volta para a proposta inicial naquilo que o Nervosa faz de melhor: thrash metal visceral e até uma pitada de hardcore no trabalho. Perpetual Chaos é o ponta pé inicial que virou um golaço, mas na goleada que está por vir, temos certeza que virão bicletas.

Crypta “Echos of the Soul”

A nova banda de Luana e Fernanda Lira (Ex-Nervosa) já chegou com uma formação de peso, que somou forças à Tainá e Sônia Anubis nas guitarras. Echos of The Soul é um death metal com muitas referências a Morbid Angel e riffs homéricos na melhor pegada do Black Metal.

Desalmado “Mass Mental Devolution”

Álbum que fez o Desalmado despontar pra fora do Brasil, tanto que a banda já está com shows agendados na Europa, com destaque ao Obscene Extreme e na América Latina. MMD é o abandono do grindcore e o abraço ao metal extremo, principalmente ao Death e ao Sludge, mas a porradaria continua viva nas veias da banda.

Manger Cadavre? “Decomposição”

Decomposição marca um salto gigantesco na evolução do som do Manger Cadavre?. Com o vocal mais visceral de Nata, pedais duplos na medida certa de Marcelo, riffs insanos de Paulinho, e os graves de Bruno, as composições vem numa pegada mais metal punk, lembrando muito Disfear e Wolfbrigade e com elementos do death metal, como Obituary e Gatecreeper.

Sangue de Bode “Seja Bem Vindo De Volta Pra Cruz”

Com 15 faixas, o trabalho mostra um amadurecimento dos integrantes e uma preocupação maior com a produção das músicas. “Seja Bem Vindo De Volta Pra Cruz” é um álbum extremo. Temos death, black metal, mas também temos referências ao hardcore e ao new metal nas composições.

Bode Preto “Goat Spells”

Terceiro álbum completo da banda de metal extremo que conta com membros rotativos. Com um reconhecimento maior fora do país que dentro, o Goat Spells fez o público brasileiro finalmente conhecer e agraciar o seu black metal poderoso.

Corja! “Insulto”

“Insulto” é o primeiro álbum da banda de Fortaleza Corja!. Só consegui dar a devida atenção ao trabalho, depois de ter ficado impactado com toda a potência da vocalista Haru Cage na apresentação no Canal Scena. Temos groove metal, metalcore e um pouco de new metal na sonoridade do trabalho. Acreditamos que a banda seja um dos próximos expoentes do metal nacional.

Ankerkeria “Matriarchy”

Um dos nomes que deveriam ter aparecido mais em 2021 é o do Ankerkeria, que no início de 2021 lançou o excelente “Matriarchy”. Se você é fã de death metal técnico, djent e metal progressivo, essa é uma audição obrigatória e a exaltação do talento dessa banda de Fortaleza se faz necessária.

Nervochaos “Dug Up (Diabolical Reincarnations)”

A máquina do metal morte Nervochaos não para! Essa, que é uma das bandas mais ativas no país, trouxe um álbum excelente para os apreciadores do som extremo. Ocultismo aliado ao death e ao black metal com passagens repletas de peso e técnica.

Viollen “What to Kill For”

Álbum de estreia da banda de thrash metal antifascista de Fortaleza. Com oito faixas extremamente enérgica, coloca a banda em destaque no cenário nacional.

Rot “Organic”

O álbum conta com 25 faixas repletas do ódio necessário na composição de todo clássico de grindcore. Último trabalho gravado pelo grande Alexandre Bucho, que faleceu em decorrência da Covid-19.

Cerberus Attack “Abyss Of The Lost Souls”

O Abyss of Lost Souls” colocou a banda no radar da galera do colete cheio de patchs e do tênis branco de cano alto. Enérgico do começo ao fim, e com a participação ilustre de Caio Augusttus do Desalmado na faixa que dá título ao álbum, mostra que a banda tem tudo para se tornar um dos grandes nomes do thrash nacional e quem sabe caia nas graças do mundo.

Aneurose “Made in Rage”

A banda mineira voltou a produzir com tudo! De todos os sons do brutal “Made in Rage”, três faixas ganharam clipes muito bem feitos. O álbum tem elementos muito marcantes do thrash metal e de outras vertentes de som. Se você curte as sonoridades do Pantera, essa é a banda pra você.

Mountain Chicken “You´re Going To Brazil”

A descoberta do ano foi desse álbum da banda que é natural de Brasília/DF. Apesar da pouca idade, os integrantes mostram uma técnica e criatividade ímpar. Som instrumental, prog metal com djent e qualidade nas alturas.


EPs

Heuristica “Paramont Symetry”

Excelente EP que saiu em novembro. Heuristica é um duo situado na Irlanda mas que conta com os brasileiros Igor e Maysa. O Ep conta com quatro faixas de puro death metal em sua pegada mais técnica e com elementos progressivos. É o jazz do metal!

The Mist “The Circle of the Crow”

Até o momento da publicação dessa lista, foram lançadas apenas duas das quatro músicas do novo EP, mas só pela My Inner Monster e pela Over My Dead Body, o lançamento precisava figurar entre os melhores do ano. Temos aqui o thrash metal que o brasileiro tanto ama.

Troomps of Doom “The Absense of Light”

EP temático, com músicas interligadas entre si, mostra que a banda liderada pelo grande Jairo está pronta para ganhar o mundo. Brutalidade na bateria, riffs marcantes, vocal excelente, graves preenchendo nossa alma com escuridão.

Surra “Ninho de Rato”

Com, 12 faixas em sua maioria com menos de 1 minuto, sendo dois covers, a tentativa de um EP de grindcore do Surra foi muito bem sucedida. Ódio extremo e velocidade da luz são os principais elementos do lançamento.

Singles

Forceps “Anthropoviral Amalgamation”

Após um longo período sem novos lançamentos, a banda de death metal carioca liberou o single e o clipe de  “Anthropoviral Amalgamation”, som com letra ao melhor estilo Mad Max, em um futuro distópico nem tão distante assim. Som brutal e evolução sonora marcam a música.

Invisible Control “Cold Blood”

Single de estreia da banda com integrantes de diferentes localidades do nordeste brasileiro. Death metal mesclado com outros elementos somados aos vocais viscerais de Daniela Serafim.

Drowned “Hail Captain Genocide”

Rapidez, agressividade e peso fazem parte da fórmula mágica da banda mineira de death/thrash Drowned e o single “Hail Captain Genocide” ainda conta com a revolta contra ao desgoverno atual que levou a vida de mais de 600 mil pessoas em nosso país.

Sinaya “After Life”

Com uma nova formação, a banda Sinaya resolveu incorporar novos elementos do hardcore ao seu death metal. Afterlife é um single de deathcore que conta com a participação de CJ MacMahon e é indicada a fãs de Down pelos riffs muito bem feitos.

Até 2022! Boas festas a todos e cuidem-se.

OUÇA O EP DE ESTREIA DO SEQUÓIA, NOVA BANDA DE DANIEL SIQUEIRA (GARAGE FUZZ / CPM 22)

Nesta sexta (20) o trio instrumental Sequóia – formada por Daniel Siqueira (Garage Fuzz / CPM 22), Fabio Carcavalli e Leonardo Mangeon – lançou nas principais plataforma digitais o seu trabalho de estreia. O EP homônimo do grupo traz composições repletas de ornamentos que emergem nossos sentimentos mais profundos.

“Mozze”, “Cane” e “Dole” são as três partes que formam “Roverbella”: música de abertura em que é possível observar toda a essência e criatividade da Sequóia. O EP ainda possui as músicas “Malmok” e “Floralis”, com a participação de Daniel Arena tocando lap steel, além de “Nicarágua”, elogiado single de estreia do grupo.

”Enfim, o EP está no ar! Essa é a oportunidade perfeita pra agradecer todos aqueles que fizeram parte desse processo de registro das nossas primeiras músicas e também a todos que estão de alguma forma curtindo nosso som e espalhando por aí. Sabemos que fazer música no Brasil não é fácil, principalmente em tempos como os de hoje, então contar com o prestígio de vocês faz a diferença, nos aquece o coração e nos encoraja a continuar produzindo“, comenta Leonardo Mangeon, guitarrista do Sequóia.

A produção é assinada pela banda e em conjunto com Nando Bassetto (Garage Fuzz), que também foi responsável pelas gravações e mixagem, feitas no estúdio PlayRec, em Santos. A música foi masterizada por Caio “Fake” Fernandes no estúdio Cabeção Music, em São Paulo. A arte de capa é assinada pelo próprio guitarrista da banda.

Ouça o EP de estreia do Sequóia:
hbbrecords.com/sequoia/st