Escória Comix: A Editora de Quadrinhos Criada para Aniquilar a Raça Humana.

Nem só de discos de vinil e cds é composta a minha coleção. Dentre elas estão muitos quadrinhos, que luto contra a maresia e as traças para manter intactos. Infelizmente a maioria deles são da Marwell ou DC e seus selos, mas a meta de 2020 era dar apoio ao cenário nacional que possui muitos autores fuderosos. Nessas minhas sagas em bancas de shows independentes, encontrei o Rogéria, uma HQ com a lenda Fábio Mozine, e conheci o incrível trabalho de Lobo Ramirez, o fundador da editora Escória Comix. Tive um papo que me fez refletir bastante com ele. Falamos um pouco sobre ter uma editora em tempos de pandemia, underground da HQ e da música, ideologia nos quadrinhos e muito mais. Confira entrevista:

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Antes do início do Escória Comix, você já ilustrou capas de discos, cartazes de shows, e artes de marcas independentes. Fale um pouco sobre a sua trajetória no underground relacionando música e arte.

Comecei desenhando capas de álbuns de bandas de amigos e da minha própria banda , depois fui fazendo cartazes de shows ai  quanto mais gente ia conhecendo meu trabalho aparecia mais pedidos pra arte de camiseta capas de albuns. 

Basicamente foi isso, sempre tudo misturado música e arte.

Como se deu a ideia de criar uma editora de HQ´s? Como é o mercado? Dá pra viver de quadrinhos no Brasil?

Cara, a ideia de criar uma editora de HQ’s  surgiu porque eu queria juntar num lugar só todo o pessoal que produzia os quadrinhos loucos que eu gostava, normalmente esses doidos  fazem tudo sozinhos e  como é muito trabalho desenhar e ainda ter que vender seu peixe nem sempre conseguem atingir  um público maior , já com a editora da uma melhorada nisso porém já respondendo sua segunda pergunta o “mercado” é desigual e espalhado e na verdade é mais um monte de cena de quadrinhos por ai com pouca  visibilidade e por isso não dá pra viver de quadrinhos no Brasil, as pessoas que conseguem “viver” muitas vezes fazem trabalhos para fora por que aqui mesmo não existe um mercado sólido pra sustentar esse tipo de atividade.

Além das HQ´s, você vende outros produtos na loja virtual da Escória. Qual é a importância desse, digamos, merchandising para a editora? O valor arrecadado ajuda a financiar edições?

É com a venda desse merchandising que consigo lançar os quadrinhos. Esses produtos ( bonés, camisetas, meias etc) são o que mais vende no site e são essenciais para a Escória sem eles não consigo financiar a produção dos HQs.  Como um camarada meu diz é “Independent Comix Street Wear” hahaha.

Você também edita o trabalho de outros artistas, além dos seus próprios. Fale um pouco sobre eles.

Eu demorei pra me tocar que o trabalho que eu faço é editar mas as vezes editar significa saber que o que o outro artista entregou já está perfeito ai é só arrumar pra mandar pra gráfica. Digo isso porque fui descobrir depois que tem muita gente que se acha editor e fica mandando os artistas modificarem suas histórias, eu sempre dei total liberdade pro trabalho autoral e normalmente só sou chato com a capa mas nada sai pela Escória sem a aprovação do artista.
A maioria são amigos que fui conhecendo nos rolês de quadrinhos outros eu acabo encontrando pelo Instagram mesmo e quando gosto do trabalho entro em contato e pergunto se teria algum interesse em lançar pela Escória.

O processo de uma editora independente se parece um pouco com o dos selos musicais. Você considera que o “underground” da HQ é similar ao do cenário musical?

Totalmente, pelo menos do jeito que eu trabalho eu acho idêntico a de um selo de música underground. Vai ver  que por ter vindo desse meio eu enxergo as coisas desse jeito , mas sei que editoras de quadrinhos não independentes são bem diferentes disso. 

Você também é baterista da banda de crossover Orgasmo de Porco. As inspirações para som e HQ são parecidas?

São exatamente as mesmas, não consigo desassociar uma coisa da outra. Os mesmos filmes trash , desenhos animados, livros, rolês , bandas de hardcore e metal e os rolês que a gente da pela vida . Uma coisa alimenta a outra sabe? Tu lê um gibi faz uma música inspirado as vezes ouve um som e tem ideia prum gibi.

A grande mídia tem destacado o crescimento dos HQ´s de direita. Você acredita que isso é uma realidade ou é uma tentativa de empurrar a ideologia neoliberal ou até mesmo proto fascista para a cultura pop? 

Eu acho que a grande mídia que é neoliberal e por si só sempre apoia esses projetos proto fascistas tem colocado essas aberrações que aparecem por ai numa falsa igualdade de pesos saca? Não é nem de longe a maioria nem existe um crescimento de HQs de direita relevante porém quando eles publicam isso estão colocando essas exceções como iguais no meio de um monte de quadrinhos que não tem nada haver com isso.Também tem o lance de que a maioria desses hqs de super heróis estadunidenses já serem proto fascista  a muito tempo mas “ninguém” percebia isso.

Esgoto Carcerário – Loja Monstra

Cite três HQ´s brasileiras que você recomenda.

Recomendo a coletânea “Pé de Cabra 3 ” da editora Pé de cabra que tem uma porrada de artista independente brasileiro e pra quem não conhece muito funciona como um ótimo catálogo do que está sendo produzido atualmente.O zine “Know Haole #4” do autor Diego Gerlach lançado pela sua própria editora Vibe Tronxa comix.  Esse Zine foi a primeira coisa que eu li do gerlach que tive vontade de usar drogas pesadas, muito bom.
E também recomendo o quadrinho “Esgoto Carcerário” lançado pela Escória Comix  da autora Emilly Bonna .

Eu adquiri um dos seus trabalhos em Caruaru em uma mesa de CDs, patchs… e fiquei positivamente surpreso. Qual é a importância das parcerias para disseminar a cultura independente?

Rapaiz, foi no patch customs ne? Que massa. Total importância , a gente tá tudo no mesmo rolê e o pouquinho que um monte de gente se ajuda já é grande coisa sabe? Cada parceria ali e aqui  vai ajudando a espalhar essa cultura doida que a gente tanto curte.

A editora completou quatro anos de existência. Como é para você insistir em impressos, na era digital? Muita gente te desestimulou nessa empreitada?

Cara , muita gente me desestimulou em tudo porém muito mais gente me apoiou e principalmente eu tinha convicção que era possível fazer  a Escória Comix e lançar material impresso. Se fosse dar errado tudo bem mas eu queria apostar pra ver  e a questão é que eu uso muito todas as midias digitais ao meu favor divulgando os quadrinhos e pra vender já que a loja é um site né.  Eu acho que apostar 100% em coisas digitais pode dar certo mas eu prefiro ter sucesso com o fracasso do impresso, pelo menos por enquanto tá dando certo veremos se a editora resiste mais 4 anos .

Parabéns pelo trabalho e obrigado pela atenção. Esse espaço é seu, use como quiser.  

Muito obrigado pelo espaço e por essa entrevista, valeu de verdade. 
Queria agradecer todo mundo que sempre acompanha a Escória Comix e compra os quadrinhos e também convidar quem nunca ouviu falar a dar uma chance, conheça. Compre algum gibi e leia vai que tu gosta. É isso ai, continuem reais e pau no cu de deus. 

Facebook: https://www.facebook.com/escoriacomix
Instagram: https://www.instagram.com/escoriacomix
Loja virtual: https://www.escoriacomix.com.br/

Ódio à Burguesia e ao Neoimperialismo: Brasil com Z do Basttardz é um dos Melhores Lançamentos do Ano

O nosso nordeste antifascista não tem decepcionado. Dentre tantas bandas de sonoridades brutais e posicionamentos combativos, a resenha de hoje é de um dos candidatos a melhor disco do ano: Brasil com Z dos maranhenses do Basttardz. Banda recomenda para fãs de Surra, Ratos de Porão, D.F.C, Municipal Waste e D.R.I.

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A banda que se pronuncia bastardis mesmo, que nem o nosso querido Mussum chamaria alguém de “bastardo”, lançou o single Brasis com Z em 2019. Do single ao lançamento a crítica contra o neoimperialismo, principalmente o estadunidense, em todos os âmbitos, seja econômico, político e socio-cultural, deixa claro que ainda somos colônia, e como diria o grande Surra (claramente uma das inspirações da banda),  se alguém aqui não percebeu, é o que véu da dita democracia anestesiou vocês. Fudeu, pra tu e pra mim, mas vamos ao que interessa que é o som!

“Fogo na Zona Sul”, fala sobre ódio da burguesia pela periferia, com um trecho real de um áudio do episódio “Os pobres vão à praia”, do programa Documento Especial (dos anos 90), em que moradores da área nobre do Rio de Janeiro se manifestam contra a entrada das pessoas de periferia nas praias da região. Essa faixa também foi lançada como single esse ano, para depois ser liberada com o álbum completo.

Com elementos do crossover entre thrash metal e hardcore, a sonoridade é daquelas que basta ouvir uma vez para ficar na sua cabeça. Destaque para a bateria que faz a vibração da banda ir Às alturas. Riffs e vocais enérgicos, graves bem marcados. Músicas simples e fuderosas.

O disco é extremamente consciente das críticas que faz. Com embasamento, fala de repressão policial nas periferias, o envenenamento dos alimentos pelos agrotóxicos, a crise do sistema carcerário brasileiro, analfabetismo, as grandes igrejas como instituições predatórias e não como lugares de fé, homofobia, racismo, ansiedade, corrupção e alienação.

O material que conta com pouco mais de 15 minutos (muito bem aproveitados), ainda encontra-se disponível apenas na versão digital, mas em breve terá sua versão física lançada pelo selo Bigorna Records. Se possível, garanta a sua cópia e apoie as bandas e selos independentes.

“Valhalla”, novo videoclipe do Brave, já disponível

Faixa faz parte do novo álbum da banda, “The Oracle”, lançado em Fevereiro

São mais de 20 anos de estrada! Várias Demos, EPs, dois álbuns e dezenas de shows e participações em festivais.
Na imprensa especializada, não apenas sobram elogios, como a alcunha de “criadores do brutal power metal”.
O Brave está de volta!

Depois da épica estreia com “The Last Battle” (2012) e do celebrado aperfeiçoamento em “Kill The Bastard” (2016), o Brave lança seu novo álbum, “The Oracle”.
Gravado e mixado por Marcio Teochi no Teochi Studio em Itu/SP e masterizado no estúdio Absolute Master em Capivari/SP, “The Oracle” reúne oito faixas: “Intro”, “Firestorm”, “The Oracle”, “We Fight for Odin”, “Valhalla”, “Wake The Fury”, “Fall To The Empire” e “We Burn The Heart”.

“The Oracle” foi lançado em fevereiro em um evento fechado para imprensa na Full House em São Paulo e já está disponível em todas as principais plataformas digitais de música:
Spotify: http://bit.ly/2PDdW3O

Deezer: http://bit.ly/39jvBFl

Claro Música: http://bit.ly/2PGkzSZ

Amazon: https://amzn.to/2TdxxcO

Google Play: http://bit.ly/3cniMvC

Youtube: http://bit.ly/2PGH4qD
A banda que é formada por Sidney Milano (vocal), Ricardo Carbonero (baixo), Carlos Alexgrave (bateria) e Carlos Bertolazi (guitarra), segue com seu plano de lançar vídeos para todas faixas do álbum. Já saíram vídeos para “Fall To The Empire”, “Wake The Fury”, outro para “The Oracle” produzido para a primeira edição do “Roadie Crew – Online Festival” e agora foi a vez de “Valhalla” ganhar um videoclipe. Aliás, com certeza o melhor vídeo do Brave até aqui!

Com filmagens de MJ Neto e edição do próprio guitarrista Carlos Bertolazi, o videoclipe “Valhalla” do Brave já está disponível no canal oficial da banda no Youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=wni24SIpJp4

A versão em CD Físico de “The Oracle” tem distribuição exclusiva da Anti Posers Records. Para pedidos no atacado, acesse: https://www.facebook.com/antiposersrecords
O CD está disponível para venda no varejo em todo Brasil pela Die Hard Records: http://bit.ly/3daTxNA

Mais Informações:
www.facebook.com/BravePowerMetal

www.instagram.com/bravepowermetal
www.youtube.com/BRAVEPowermetal
www.soundcloud.com/bravepowermetal-1

ForCaos 2020: Um dos maiores festivais do Nordeste acontece em edição online

Forcaos: festival cearense divulga line up de sua primeira edição ...

Em 2020 os eventos presenciais precisaram se adaptar para o modelo virtual. Festivais por todo o mundo estão acontecendo no formato de lives e as bandas estão produzindo vídeos “versões quarentena” de suas músicas para poderem participar destas edições online, como o que ocorre no Roadie Crew Online Festival e em tantos outros. Em Fortaleza, o tradicional festival underground ForCaos aderiu também este modelo e decidiu manter sua edição de 2020 com os participantes gravando suas músicas de casa, ou de um estúdio. Vale lembrar que a atual fase de retomada econômica, imposta pelo Governo do Estado do Ceará, permite o funcionamento de estúdios de ensaio com os cuidados impostos pelos órgãos competentes de saúde.

Segundo o organizador e produtor executivo Amaudson Ximenes, na edição deste ano, cada banda terá até 15 minutos para se apresentar. Este modelo virtual permitiu que o festival aumentasse o número de participantes afim de preencher os dois dias de evento online. O ForCaos 2020 irá acontecer nos dias 30 e 31 de julho em seu canal oficial no YouTube. Confira as bandas participantes!

DESALMADOManger Cadavre?RematteIn No SenseAnkerkeriA, Thrunda, Bull Control, Arcádia, Corja-Ce, Banda Lavage, D’inci, Lixorgânico, Pastel De Miolos, ObskureSinayaCallamity, Hellhoundz, InherenceNetuno Doom, Hatefulmurder, Paradise in Flames, Basttardz, Italo Azevedo, Banda LemoriPandemmyEscrotosMatakabra, Siege of Hate (S.O.H.), Réu Podre, Kamala, Scariotz, Terror Fetus, CrashkillCaroá Jam, Realidade Encoberta, Apokrisis, Old Lamp, Godhound.

Ao todo serão 38 bandas dos mais diversos estados brasileiros. O horário do evento será divulgado nas próximas semanas!

Campanha no apoia.se

O ForCaos sempre foi um festival gratuito, salvo algumas raras exceções em que houve cobrança de um valor simbólico devido a ausência de patrocínio ou apoio público. A luta para realizar o festival anualmente é notória e, por conta disso, o festival ganhou ainda mais o respeito do público nos quatro cantos do Brasil. Hoje, praticamente todas as regiões conhecem o ForCaos e compreendem sua importância na manutenção da cultura underground cearense há mais de 20 anos. Com a diminuição gradual do apoio público na realização das últimas edições do festival, o mesmo passou a utilizar, em 2019, a ferramenta do Apoia.se como uma forma de conseguir um pouco de retorno financeiro, no qual é destinado exclusivamente para as bandas e para os profissionais envolvidos na realização do evento em si. Em 2020 será o segundo ano em que ForCaos usará novamente a ferramenta. “Todo o valor arrecado pelos doadores será destinado exclusivamente para as bandas, ajudando a amenizar os gastos que elas vão ter na gravação e produção das músicas que serão exibidas no festival”, conta Amaudson Ximenes, presidente da Associação Cultural Cearense do Rock.

Ajude o festival e as bandas independentes pelo link: apoia.se/forcaos2020

Oficinas

O festival sempre trouxe programações paralelas aos shows, e nesta edição online não será diferente. Em parceria com o Centro Cultural Belchior, as oficinas produzidas serão transmitidas no Instagram oficial do centro cultural (@centroculturalbelchior). Confira a programação completa a seguir!

30 de julho de 2020 (QUINTA) – 15H – Live Instagram
Oficina básica de registro, lançamento e distribuição musical independente.
Facilitador: Vinicius Araújo de Oliveira – Selo/Distro Vertigem Discos

31 de julho de 202 (SEXTA) – 15H – Live Instagram
Oficina – Gerenciando sua banda!
Facilitador – Jolson Ximenes

1º de agosto de 2020 (SÁBADO)
11H – Oficina Cantando Rock – Do planejamento ao palco – Live Instagram
Facilitadora: Claudine Albuquerque
15H – Oficina Fotografando Bandas – Do Show ao Retrato – Live Instagram
Facilitadores: Gandhi Guimarães e Vicente Ferreira
18H – Live Krenak

Hellbenders lança clipe PRA-ENTRETER com participação de Rodrigo Lima (Dead Fish)

Hellbenders se renova na questionadora “Pra Entreter”, canção que ganha ainda mais sentido com participação de Rodrigo Lima, do Dead Fish

A música vem acompanhada de videoclipe em animação que escancara a divisão entre a busca por uma arte vazia de conteúdo e a necessidade de se questionar aquilo que nos afeta

Acordar, levantar, apertar o play na plataforma de streaming e seguir a vida normalmente. De repente, aquele riff marcante e uma letra questionadora causam certo conflito. A música deve ser feita só pra entreter? O artista precisa seguir a tendência de se distanciar do questionamento do que acontece ao seu redor em suas canções?

Em seu processo de renovação, os goianos da Hellbenders resolveram dar a cara a tapa e colocar o dedo na ferida. “Pra Entreter” é potente no título, nos versos, na participação especial, no conteúdo, no questionamento e na energia impactante do rock direto. Em português, pra se fazer entender, Diogo Fleury (vocal e guitarra), Braz Torres (guitarra), Augusto Scartezini (baixo) e Rodrigo Andrade (bateria) foram direto ao ponto: a arte deve se posicionar.

Com participação de Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish, não há dúvida de que a intenção é mesmo incomodar. Acordar e decidir apertar o play no tocador de música pode ser diferente depois de ouvir “Pra Entreter”. Compreender aquilo que se ouve, causar conflito e fazer pensar deixou de ser uma opção. É mais do que necessário. Devemos questionamos a inércia que nos deixou passíveis a tudo ou seremos levados como uma boiada tocada pelo vaqueiro, que pode estar no grupo do WhatsApp ou no Palácio do Planalto.

“Pra Entreter” não só marca a força do rock em português do Hellbenders como dá nome ao novo disco da banda. A letra faz ainda mais sentido com o videoclipe ilustrado por Cristiano Borges e Adriano Borges, que assina a animação com Camila Mogyca. 

É possível até que você se pegue cantando os versos de “Pra Entreter” depois de acordar, no trabalho, no ônibus ou dentro do carro. Mas você não vai mais se omitir diante do noticiário, daquilo que você escolhe ouvir e como a sua vida é afetada por tudo que está ao seu redor.

Depois do lançamento do single “Delírio”, que declara o fim ao surto coletivo de cegueira, negacionismo e distração, “Pra Entreter” chega para te tirar do lugar, questionar a música que você ouve, as ações que você executa sem pensar e o político que você elege. Você pode e deve pular, bater cabeça e se empolgar com a força dos riffs do Hellbenders. Mas o que não vai faltar é motivo para se relacionar de forma mais consciente com a música que você consome.

Ficha técnica

A foto de Victor Souza que ilustra o single de “Pra Entreter” é altamente questionadora. Na imagem, a pessoa parece tragar uma bala de revólver. A fumaça do discurso do armamento da população pode até ofuscar a realidade. Mas não te impede de ser obrigado a lidar com as consequências genocidas da falsa ilusão que o gatilho cria na sua cabeça. 

A direção de arte é de Diogo Fleury, Midori Gondo, e Braz Torres. O tratamento da imagem ficou pro conta de Danilo Itty. “Pra Entreter”, um lançamento do selo Forever Vacation e da Braba Música, foi gravada por Braz Torres e Pedro Zamboni, produzida e mixada por Braz Torres no Up Music Studios, em Goiânia. 

A masterização foi feita em Austin, no Texas (Estados Unidos), por Alberto De Icaza. A participação de Rodrigo Lima foi gravada em São Paulo por Alexandre Capilé no Estúdio Costella.

Banda Cais Virado lança nova música que une lambada bossa nova e rock – single “Trombetas”

BANDA CAIS VIRADO, DE BELÉM DO PARÁ, LANÇA “TROMBETAS”,

MÚSICA QUE UNE LAMBADA, BOSSA NOVA E ROCK. 

        O grupo musical paraense Cais Virado, formado por Keila Monteiro (voz), Bruno Rabelo (guitarra), Raniery Pontes (bateria) e Príamo Brandão (baixo), acaba de lançar nas principais plataformas digitais de streaming, o Single “Trombetas”. O título da canção é uma homenagem ao rio homônimo que atravessa uma vasta região amazônica, o noroeste paraense, área considerada um dos maiores santuários ecológicos do planeta, com inúmeras reservas indígenas, quilombos e riquezas minerais. E também por ser uma área tão rica, gera cobiça, e está constantemente ameaçada por projetos “desenvolvimentistas” e predatórios, estranhos à região, inclusive do atual governo federal, com sua “antipolítica” ambiental. A letra da música retrata um panorama imaginário da vida interiorana da região norte, a chamada vida “ribeirinha’, onde há uma  tranquilidade frontalmente oposta à correria do urbanismo desenfreado das capitais.  Musicalmente, “Trombetas” une elementos da lambada/guitarrada, do carimbó de Pinduca, bossa nova, caribe anos 60/70 e fragmentos do rock. A produção da música foi realizada pela banda e o guitarrista/produtor Diego Fadul. Já a capa do single, é uma criação da artivista paraense Caroline Nogueira, cujo  foco são colagens sobre Negritude.

       Nas plataformas digitais é possível acessar a canção oficial, e uma versão instrumental da mesma.    Importante mencionar que “Trombetas” foi produzida respeitando as regras vigentes do distanciamento social devido a pandemia do coronavirus: cada músico contribuiu na realização da canção, em sua respectiva residência.
       Para ouvir a canção: https://tinyurl.com/caistrombetas
       No anexo, foto de divulgação (de Karina Paes) e a capa do single.

FICHA TÉCNICA CANÇÃO “TROMBETAS”:

Autoria: Bruno Rabelo, Keila Monteiro e Raniery Pontes;

Capa (arte) do single: Caroline Nogueira;

Produzido por Diego Fadul e Cais Virado, em Belém do Pará;

Gravação: estúdios Na Figueredo , StudioZ e 40 Horas;

Engenheiro de Som: Thiago Albuquerque;

Direção de Gravação: Félix Robatto;

Mixagem e Masterização: Diego Fadul;

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         Formada em 2013, na cidade de Belém do Pará,  a banda Cais Virado reúne uma multiplicidade de referências dentro do universo da música popular autoral. Em suas canções com letras poéticas, o grupo transita desde a guitarrada e rock à multifacetada música africana.

            Bruno Rabelo, o guitarrista, tem uma trajetória ligada ao rock e a guitarrada: foi integrante do grupo Cravo Carbono, da banda base de Mestre Vieira,  além de ser coordenador do Clube da Guitarrada em Belém, e produzir atualmente o guitarreiro Aldo Sena. Na bateria, Raniery Pontes (ex integrante da banda punk paraense Delinquentes) experimenta novos ritmos com vigor de um aficionado por metal matemático e música eletrônica. No contrabaixo, Príamo Brandão é um músico de carreira consolidada, tendo tocado com inúmeros artistas locais e nacionais tais como  Toninho Horta e Guinga, entre outros. E Keila Monteiro, vocalista e principal letrista, já transitou no rock experimental, no punk e na pesquisa acadêmica em música.

            Em 2014 o grupo conquistou o primeiro lugar entra mais de 100 bandas no festival/concurso CCAA Fest. Participou de importantes festivais regionais e mostras musicais como: Rock Rio Guamá 2013, Virada Cultural 2014, Seletivas Se Rasgum 2014/2016, e  Psica Festival 2018. 

            Lançou, em maio de 2018, o disco “Amor em Tempos de Agora” (selo Na Music). O álbum , produzido por Félix Robatto, entrou na lista dos 10 melhores discos brasileiros de 2018 do importante selo Senhor F, figurando ao lado de nomes nacionais como Elza Soares e Cordel do Fogo Encantado. Já o segundo álbum da banda, “Mulher Mar”,  está em pré produção, com lançamento previsto para o início de 2021. 
CAIS VIRADO NAS PLATAFORMAS e REDES SOCIAIS:

 Facebook: https://www.facebook.com/pg/caisvirado/posts/?ref=page_internal

Instagram: https://www.instagram.com/caisvirado/CONTATOS:

Bruno Rabelo: (91) 981321291 (WhatsApp)

Deuszebul Lança Single Evocando o Caos com Seu Blackned Grindcore

A banda de Natal/RN, Deuszebul, deixou o dia do rock com muito mais brutalidade ao liberar o single “Ao medonho eu entrego a degeneração de sua imagem” no Bandcamp e YouTube. Gravado em fevereiro de 2020 no Estúdio Ritornelo – EMUFRN por Anízio Souza e Paulo Dantas. Mixado e Masterizado por Anízio Souza, enche a nossa quarentena desesperançosa, com o caos que conta a influência do black metal no grindcore da banda.

“Sob o signo das pragas que espalham a desesperança, trazemos à tona as vozes dos moribundos atormentados pela vilania. Evocamos os sons do despedaçar, a primeira amostra da declaração de guerra ao mundo modificado pela dor.

Ao medonho eu entrego a degeneração de sua imagem é a manifestação das agonias. O peso singular que nos arrebata. Vozes caladas pelo isolamento. Cântico primeiro e solitário manifesto que traz alicerce para o PESAR. Tudo se mostra em multifaces, e aqui apresentamos a máquina anti-ídolos transfigurada pela alcunha de opositor.”

Bandcamp: https://deuszebul.bandcamp.com/track/ao-medonho-eu-entrego-a-degenera-o-de-sua-imagem

Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=7I8zMbeCWM8


MULHERES BRUTAIS: A Realidade das Vocalistas do Som Extremo

O dia é o “mundial” do rock que só é comemorado no Brasil, mas isso não é demérito, pois o nosso país é extremamente rico quando se trata de bandas em suas mais variadas vertentes. Quando fazemos o recorte para o underground, o cenário fica ainda mais atrativo, na medida em que o não vínculo com os modelos prontos de sucesso de gravadoras e mídia mainstream reforçam a criatividade das bandas.

Nessa data, eu quis trazer um assunto que não é tão explorado pela mídia (mesmo a independente que em muitos momentos comete deslizes por resquícios de machismo ou por qualquer outro motivo): o vocal extremo feito por mulheres.

Tati Klingel – Foto por Melissa Giowanella

É natural que ao conhecer bandas de vocais femininos no metal ou mesmo no hardcore, se associe os timbres mais palatíveis, ou, eventualmente o berrado como no caso do riot grrrl (e nem isso é uma regra). A imagem da mulher na música por si só já afasta alguns headbangers da ação de “soltar o play” ou comparecer a um show, sem mesmo ouvir o som da banda. Isso sem contar as inúmeras ações patéticas que nós, homens, tomamos ao conhecer mulheres no som extremo, como as famosas entrevistas para saber se a ela realmente curte som, a sexualização, elogios ao corpo e visual, deixando de lado o essencial, que é o som, dentre tantas outras.

Um dos exemplos que eu gostaria de ressaltar é o “elogio”. Quem de nós, ao se deparar com uma vocalista que use técnicas como o gutural, por exemplo, não falou ou não ouviu algum amigo dizer que “o vocal é mais grave que de homem”, ou que “canta mais grosso que macho”, ou fez piadas sobre como seriam os “orgasmos em gutural”? Peço perdão pelos exemplos esdrúxulos, mas isso é algo bem comum, e que poucos entendem não ser elogio e muito menos que seja uma piada engraçada. Pelo contrário.

Exaltamos muitas vocalistas como Angela Gossow, ex-Arch Enemy e Candance Kucsulain, do Walls of Jericho. Falamos de professoras estrangeiras como Melissa Cross, que guia grandes nomes do metal nos Estados Unidos. Mas pouco nos referenciamos com nomes nacionais que são de muita qualidade.

Para falar sobre o vocal extremo feminino, conversamos com duas professoras de canto, que são especializadas em vocais do gênero, sendo uma delas também vocalista e mais duas convidadas do cenário hardcore e metal.

INÍCIO NO VOCAL EXTREMO

Nata a frente da Manger Cadavre? – Foto por Pei Fon


Nata Nachthexen e Steph Nusch são dois exemplos de vocalistas que variam timbres dentro do extremo. A primeira dentro do hardcore e a segunda, no metal possuem trajetórias divergentes, mas que convergem em alguns aspectos. Há quase uma década à frente da Manger Cadavre?, Nata só pôde contratar aulas particulares nos últimos dois anos e isso fez uma enorme diferença em suas músicas.

“Quando eu comecei na banda, não sabia tocar nada, mas meu melhor amigo queria que eu fizesse parte. Então foi ele quem me ‘ensinou’ a cantar incialmente. Por sorte, eu encontrei uma maneira de berrar e urrar que não machucasse as minhas cordas vocais, no entanto, por não ser a maneira correta, eu saía exausta dos ensaios e shows e não tinha muita potência. Era tudo muito novo e no correr dos anos percebi que cheguei ao meu limite de evolução autodidata”, conta Nata sobre como encontrou seu vocal.

A falta de referências femininas no meio é outros fator impeditivo para que tenhamos tantas vocalistas extremas no país. Steph, que é a frontwoman da banda Inraza, por sua vez, teve como principal dificuldade a falta de autoconfiança. Ela indicou que o medo da exposição e de se machucar ao fazer os vocais, por não possuir conhecimento de técnicas, foram os principais pontos que a impediram de começar antes.

Tati Klingel que foi vocalista da Mercy Killing e atualmente está à frente da banda Hokmoth de Black Metal e, recentemente, trouxe ainda mais brutalidade para o death metal da Divine Pain, também é professora de canto. Ela nos contou um pouco sobre o processo para exercer as duas funções, pois uma das maiores dificuldades que encontrou, foi a busca de profissionais que a guiassem nesse estilo para que ela berrasse e não colocasse sua saúde vocal em cheque.

“Eu comecei como vocalista há 17 anos atrás, e em um momento senti a necessidade de aprimorar técnica vocal. Comecei a fazer aulas de canto lírico, e depois de 6 anos estudando, consegui entender como eram produzidas as distorções vocais. A princípio ensinava de brincadeira para alguns amigos, até que surgiu a oportunidade de ensinar profissionalmente, por indicação da minha professora Sandra Bahr. Levo comigo todos os aprendizados que tive com ela, e com o tempo fui aprofundando ainda mais os conhecimentos vocais. Quando fiz parte da Mercy Killing, consegui entender muito bem como era o processo de cantar frases muito longas e rápidas, e com a Hokmoth e a Divine Pain eu priorizo texturas vocais, além de transição de graves e agudos. Com o tempo procurei transformar uma linguagem técnica em algo mais sensitivo, fazendo com que a pessoa crie um autoconhecimento do seu corpo. Não paramos para pensar quando estamos respirando, e para cantar precisamos contrair músculos específicos da respiração. Apenas o fato de a pessoa prestar atenção em sua respiração, e sentir todos os músculos que se contraem, já cria uma estrutura apropriada para soltar a voz.”

Tati Kinglel no Maniacs Metal Meeting. Foto de Melissa Giowanella


Já a professora Luane Caravante (que também é professora da Nata e muitas outras vocalistas excelentes, como Elaine Campos, que já falamos aqui no blog) nos contou que, assim como a Tati, a maioria de seus alunos são mulheres, pois seu networking é mais voltado a esse público. No entanto, ela nos elucidou que a busca por aperfeiçoamento vocal é maior quando se trata de mulheres, pois a cobrança em cima das mesmas é mais pesada que para homens. É preciso estar sempre em evolução, pois as críticas são mais ferozes.

ERROS E VÍCIOS VOCAIS

Um dos principais problemas de quem se aventura no campo do gutural, pig squeals, drive ou mesmo os berros, é perder a voz após os ensaios e shows. Diferente de Nata, que foi aprendendo no dia a dia e buscou aulas para aperfeiçoamento, Steph nos contou que sempre teve essa preocupação e buscou apoio com a professora Mylena Monaco (que também é vocalista da banda Sinaya).

Nata nos abriu que um de seus maiores problemas antes das aulas, era conseguir fazer uma longa sequência de shows com a mesma potência ou mesmo manter-se firme perantes as mudanças climáticas de um estado para o outro. No final das tours, os graves permaneciam, mas muitas vezes sem a explosão que é um dos grandes fortes de sua performance. Isso foi corrigido com exercícios de aquecimento e impostação correta da voz, pois a mesma usava o peito e não o palato mole. Steph indicou o fôlego como o maior deafio que precisou aprender a lidar nesse tipo de vocalização.

“É necessário entender como controlar melhor a respiração e a administrar o ar. Fora isso, a presença de palco. Precisei assistir a muitas referências e a começar a fazer exercícios físicos regularmente pra aguentar o “tranco” que seria fazer um show ao vivo, uma performance mesmo.”

Steph com Inraza – Foto: Divulgação Facebook


Luane nos indicou que os grandes erros que os vocalistas em geral executam ao adentrar a esse campo são utilizar força excessiva na vocalização, impostar totalmente na garganta e, literalmente, gritar e puxar o ar para emular distorção. Tati explicou um pouco mais sobre esses vícios:

“Os motivos de aparecerem vícios de voz são muito variados. Em iniciantes, quando a pessoa arrisca aprender sozinho ou apenas olhando vídeos na internet, acaba apertando a laringe na tentativa de deixar a voz “rouca” para tentar produzir um gutural, causando um estresse nas pregas vocais. Ou quando a pessoa canta há muitos anos, mas nunca fez aula de voz, tem novamente o problema de tensionar a laringe, e normalmente, esta tensão tem relação com a respiração que não está sendo feita de forma consciente. Dependendo do tempo que a pessoa canta, pode demorar mais para deixar o vício de tensionar a laringe na produção de distorção vocal. Porém, com paciência e bastante exercício, é tranquilo para “ajeitar” as técnicas.”

VÍDEOS COM DICAS E SEUS PERIGOS

Muitos vocalistas, sejam homens ou mulheres recorrem a canais no YouTube que dão dicas de como cantar. Assim como alertou Tati, a prática pode ser perigosa, pois, ao não contar com um profissional que estará atento a todas as questões que envolvem a vocalização, pode-se estressar as pregas vocais. Tratando o assunto como se fosse uma receita padrão, por mais que sejam bem-intencionadas, as dicas podem ser nocivas.

Nata diz que quando pedem dicas a ela, a única resposta possível é: faça aula, ou tente sozinha mas com cuidado. Ela não gostaria de ser responsabilizada por um dano a voz de alguém. E ela está correta em recusar-se, pois eles podem ser graves. Luane concorda com Nata e diz que esses canais não dão a base em técnica vocal necessária para que o aluno entenda sua musculatura e execute os exercícios corretamente, e também porque não á suporte de um profissional para apontar os erros, nisso há sim o perigo do cantor se lesionar nos treinos, desenvolver vícios e até aprender técnicas incorretas.

Além disso, muitos desses canais não são de pessoas com capacitação no ensino de canto, nisso certos métodos podem ser arriscados. Steph diz que não acompanha nenhum e que também indica a prática de aulas, no entanto aponta o fato de que a maioria dos grandes vocalistas do estilo que nós conhecemos também não desenvolveu a técnica de maneira assistida, mas é preciso respeitar alguns limites.

EXISTE VOCAL EXTREMO FEMININO OU MASCULINO?

Como iniciamos o texto, é uma prática comum comparar as vocalistas do extremo com homens, no elogio que acaba soando pejorativamente, de que “berram mais que homem”. Mas existe uma diferença biológica nesse tipo de vocal? As profissionais da área explicam:

“Toda e qualquer pessoa consegue fazer vocal extremo, isso não depende do sexo. Apenas há uma diferença de timbre vocal, a qual tem relação com o alcance de graves e agudos, que por sua vez tem relação com a anatomia da laringe. Quando observamos crianças conversando, dificilmente iremos conseguir diferenciar o timbre vocal feminino ou masculino. Apenas começamos a notar a diferença a partir da primeira muda vocal, que ocorre na adolescência, devido a mudanças hormonais, a qual é condicionada geneticamente. Na puberdade, em ambos os sexos ocorre uma diminuição da tonalidade, caracterizando a voz adulta. A tonalidade da voz adulta é algo muito individual, e em geral, as pregas vocais masculinas são mais grossas e elásticas, vibrando em menor frequência. Em contrapartida, pregas vocais femininas são mais finas e tensas, vibrando em frequências mais altas. Mas isso não impede de homens cantarem em tons muito agudos, ou seja, treinarem a capacidade de “esticar” as pregas vocais, assim como mulheres fazerem voz mais graves, “encurtando” suas pregas vocais. Sendo assim, ao longo dos anos observei que homens tem mais facilidade de fazer vocais extremos mais graves, enquanto que mulheres apresentam mais facilidade de fazer vocais extremos mais agudos. Porém, com um trabalho de fortalecimento de musculaturas da laringe para aumento de alcance vocal, ambos os sexos conseguem atingir vocais extremos de todas as tonalidades (grave, médio e agudo).” Explica Tati.

Luane Caravante – Professora com 12 anos de experiência em canto e composição

“A diferença é a extensão (o quanto você consegue cantar do seu extremo grave até o extremo agudo) que pode variar conforme o sexo pela constituição da musculatura do trato vocal.  Porém isso é relativo dado que existem mulheres com extensōes com bons graves (meu caso inclusive) e homens com excelente alcance de agudos, todos oriundos de treino. Lembrando que em gutural nós trabalhamos com timbres, não notas, e isso faz com que a distorção nas frequências torne um tanto irrelevante o gênero.” – completa Luane.

Steph acrescenta que há um preconceito de gênero no ambiente. Sempre que uma mulher ousa desafiar papeis desempenhados, acaba incomodando muitos homens, principalmente aqueles com a masculinidade frágil. Nata, por sua vez, diz que a mulher precisa ser três vezes mais qualificada para permanecer nesse ambiente.

“O cenário extremo é complicado, na medida em que é majoritariamente masculino. Quando uma mina está à frente de uma banda, o primeiro comentário será sempre relacionado a sua aparência física, depois a análise do vocal será duramente mais implacável que a para um homem e, em terceiro lugar, a postura será sempre julgada. Se é mãe, não deveria ter banda, pois deveria estar com os filhos. Se é namorada ou esposa, está se aparecendo pra um monte de macho. Se é educadora, não está dando bons exemplos para os alunos e assim vai. Há um julgamento que objetifica o corpo como propriedade, a análise da qualidade vocal (como se todas tivéssemos o mesmo tempo e dinheiro disponível para nos dedicar ao aprimoramento do vocal, mas ai já entramos na questão de divisão sexual do trabalho) e por fim, o moral (por mais bizarro que seja). – Desabafa Nata.

“É muito comum eu ouvir das pessoas que elas não esperavam que essa voz saísse de mim (risos). O vocal extremo está parando de ser mistificado só agora. Acredito que isso aconteça devido às mulheres, que estão tendo mais destaque na cena e mostrando como é tudo uma questão de técnica.” – Comenta Steph.


CRESCIMENTO DE MULHERES COM VOCAIS EXTREMOS NA CENA BRASILEIRA

Apesar do recente crescimento no número de mulheres com vocais extremos no Brasil, o número ainda baixo se comparado ao de homens. Nata nos orienta a buscar a página União das Mulheres do Underground para conhecer o trabalho dessas mulheres.

Luane resume a causa em apenas uma palavra: machismo. Ela acrescenta que mulheres são desacreditadas como ouvintes, compositoras e performers de música extrema. “Você precisa cantar 10 vezes melhor que um homem na mesma posição, e sofrerá 100 vezes mais cobrança caso cometa algum erro, por menor que seja. Sua roupa, postura e fala são constantemente analisados”. Há ainda a questão de ego e disputa de atenção, ela conclui: “Bandas majoritariamente masculinas tendem a recusar vocais femininos também com a desculpa de que tiraria o foco da dos instrumentistas. Eu mesma tive problemas e encontrar bandas pois, quando conseguia, não podia contribuir com nada além da voz, mesmo tendo educação musical e compondo.”


Mesmo com o ambiente que pode soar com certa hostilidade, há uma rede de apoio para mulheres que queiram começar a cantar no estilo mais brutal. Além da União das Mulheres no Underground (Instagram @uniaodasmulheresnounderground), Tati indica os canais Headbangueira (Instagram @headbangueira), Lvna (Instagram lvna.art), Garotas do Front (@garotasdofront), entre outras. Nesses espaços você encontratá a maior parte das bandas em atividade com mulheres no front.

UMA POR TODAS E TODAS POR UMA

Sabemos que nem sempre é possível fazer aula devido a condições financeiras. Por isso, nossas entrevistadas deixaram algumas sugestões para que você comesse!

Nata Nachthexen:

“Busque conhecimento! Antes de sair berrando, procure canais de professores. Por mais que não seja tão efetivo como contar com alguém que está ali junto com você, é mais seguro para a sua saúde vocal seguir conselhos de quem é profissional na área e não apenas um vocalista. Eu, geralmente não dou dicas, pois não conto com o embamento teórico necessário para isso. Comecei assistindo os DVDs da Melissa Cross que me ajudaram até certo ponto, depois aprendi algumas coisas por conta por tentativa e erro (se tava doendo, tava errado, mas a ausência de dor não significava que estava correto), mas só consegui uma evolução notável depois que comecei as aulas com a Luane. Mas esse processo demorou 7 anos, até que eu tivesse alguma estabilidade financeira para isso.”

Steph Nusch:

“Tente ter bastante consciência do seu corpo. Se doeu, para. Tá errado. Não é pra machucar, em hipótese alguma. Entenda que o microfone faz um papel muito importante. O som que você vai fazer é muito mais baixo do que você imagina, e o microfone que vai fazer ele ficar mais encorpado e alto. Além disso, todas as gravações que você ouve tem muuuuitas dobras de voz pra soar daquele jeito. Então não exceda os seus limites, porque muito disso é ou tratado pela mix e master, ou, no caso do ao vivo, potencializado pelo microfone mesmo.”

Luane Caravante:

“Não imitem o estilo vocal de ninguém, procurem material sobre fisiologia da voz, exercícios de aquecimento, respiração, articulação, e crie uma rotina para estudo. Treinem primeiramente canto popular (limpo), não se exceda e, se puder, peça orientaçōes para amigos que já cantem profissionalmente. Não caiam em “cante gutural em 5 minutos” no Youtube. Procurem oficinas de canto em centros culturais (algumas atualmente são online) e canais de professores de música com orientaçōes sérias. Com o tempo, é possível inserir as distorçōes na sua rotina, até chegar no gutural e suas variantes.”

Tati Klingel

“Bom, a maneira como eu comecei não era a mais indicada, mas eu não seria vocalista de banda se não tivesse arriscado imitar vocalistas que tinham uma técnica muito boa de gutural. Então, o que eu posso recomendar é: tenha coragem, arrisque, vai lá e faça. Mas claro, com cuidado, sinta tudo o que você está fazendo, procure referência em vocalistas que você sabe que são técnicos. E quando tiver condições, procure um profissional para te ajudar, pois isso irá fazer com que você evolua ainda mais. Comigo foi assim, eu arrisquei, e fiz, mas chegou um momento em que eu precisava e podia investir para melhorar. Monte banda, cante em karaokê, cante no chuveiro, cante com os amigos, cante no show, viva cantando, que só a prática vai fazer você conseguir mostrar a voz para o mundo.”

Luane está com uma ação em que responde gratuitamente algumas dúvidas sobre vocais extremos em seu Instagram. Siga @lcaravanteaulasdecanto e fique por dentro das orientações de quem sabe!



Sádica Utopia Convergente: O Bom e Velho DeathGrind!

Conversamos um pouco com o pessoal da banda SUC, deathgrind do interior paulista, que conta com um posicionamento bem marcado, letras conscientes e instrumental visceral. Confira!

A imagem pode conter: 4 pessoas, pessoas em pé, árvore, planta e atividades ao ar livre

Verificamos que a baixista Egiliane começou a banda, deixou por um momento e retornou. Fale um pouco sobre a formação também. 

R: Primeiramente, gostaria de agradecer pela oportunidade de divulgar o trabalho da S.U.C. neste blog. Quem teve a ideia inicial de montar a SUC foi a Letícia, porém, consideramos o início da banda com a formação em quarteto com a Egiliane no baixo, Alice na Guitarra, Letícia nos vocais e eu Guilherme na bateria. Com essa formação que vieram os primeiros registros, primeiros shows e o primeiro EP lançado em 2016, intitulado com o nome da banda, “Sádica Utopia Convergente”. Ao longo dos anos a SUC contou com diversas formações que, de uma maneira ou de outra, influenciaram muito na nossa sonoridade. Essa formação atual está ativa desde o final do ano passado e sem dúvida alguma é a formação definitiva da banda. 

A banda, como em todo bom e velho grindcore, é posicionada politicamente. Como tem sido para vocês a vivência de um momento histórico tão conturbado, com a ascensão do fascismo? 

R: Cara, na verdade o que estamos vivendo é um pesadelo terrível. Pandemia que veio para exterminar os pobres e um mundo cada vez mais opressor e fascista. As pessoas de fato perderam a vergonha de reproduzir discursos preconceituosos e a internet potencializou tudo isso pro mal. Porém, esses fatos estão trazendo a tona uma emancipação dos movimentos sociais e de minorias. No caso do underground, vejo uma cena renovada por uma molecada muito mais ativa politicamente do que há 15 anos (época que eu comecei a gostar de som) e isso é extremamente positivo, não só para a cena coletiva e sim para cada indivíduo. 

A SUC é uma das poucas bandas do cenário extremo que além de duas mulheres, conta com integrantes pretos (o que para mim é muito importante, visto que mesmo morando em Recife, a cena é muito embranquecida). Essa é uma pauta nas letras de vocês? Há outras bandas extremas que contam com integrantes pretos e que abordam a temática racial em suas letras? Poderiam indicar? 

R: Excelente pergunta! Bom, infelizmente o underground ainda é um espaço bastante branco e elitista. Por mais que tenha pessoas bem intencionadas, o racismo é muito forte e presente como em qualquer espaço social. A SUC sempre foi uma banda que englobou diversos tipos de pauta, tem letras que falam sobre o racismo, machismo, homofobia entre outras questões que afetam demais a evolução de uma sociedade, até porque a banda é composta por pessoas que sofrem isso diariamente. 

Sobre a indicação, eu gostaria de recomendar o projeto Quilombo do meu grande amigo Panda Reis (Oligarquia/Armagedom/Brigada do Ódio), é uma banda de Death Metal contra o racismo. Já existem outras bandas de metal que trazem a temática racial, porém quando eu vi esse projeto foi a primeira vez que me senti representado de fato. Tem também a iniciativa “Preto no Metal”, que traz inúmeras bandas com integrantes negros em suas redes sociais e muitas abordagens sobre o racismo no mundo. Bandas e projetos como esse são extremamente importantes para a representatividade, pois através desses projetos muitos homens e mulheres pretas vão ver no underground uma canalização de protesto, empoderamento e conscientização. 

Vocês liberaram a faixa “Noisexcrementor” do próximo trabalho que irão liberar. Fale um pouco sobre o que está por vir. Serão quantas músicas? Sairá em material físico? Qual é a temática das letras?

R: Fizemos o lançamento desse primeiro full álbum da S.U.C na penúltima semana de junho. O álbum chama-se “Cartilha da Dor” e traz 14 sons, incluindo praticamente todos os sons que lançamos nos EPs anteriores, porém com uma qualidade de gravação muito melhor, e mais 3 sons novos feitos pela formação atual. Agora no final de junho/início de julho, faremos o lançamento nas plataformas digitais, mas pretendemos lançar o material físico também! Estamos em contato com alguns selos, dependeremos do apoio deles para que esse lançamento físico seja feito, senão ficaremos apenas nos streamings nesse primeiro momento. Bom, como são músicas e letras feitas em 2014 até 2019, a temática é a denúncia de todo o sofrimento, preconceito, desigualdade que enfrentamos no país, principalmente ao levarmos em consideração o genocídio que começou com a colonização europeia e que se estende até os dias atuais com os mesmos alvos. 

Como a pandemia afetou os planos de vocês?

R: A gente planejava tocar mais, fazer o lançamento do CD em shows, ainda mais nesse momento que saímos do estado de SP e fomos até MG, então esperávamos conhecer mais cidades e estados também, ampliar essa troca e fazermos novas amizades que o underground proporciona. Nós também começamos a compor novos sons em fevereiro, espero que a gente possa se reunir e compor mais sons juntos ainda esse ano. Mas acredito que essa pandemia pode estreitar os laços e que novas iniciativas virão, incluindo iniciativas sociais para que possamos, através do nosso protesto, ajudar e resistir. 

Indiquem 3 bandas independentes que vocês ouvem e realmente curtem o som e 3 bandas maiores que sejam de influência do som vocês.

R: Indicamos a Vermenoise, um trio de Sorocaba (SP) de Grindcore, uma banda que sempre caminha lado a lado nosso, nos dão uma força absurda e que conta com a Chris nos vocais que, além de tudo, é uma excelente artista visual. Indicamos a P.S.G (Poluição Sonora Gratuita), também um trio de Grindcore/Mincecore de Taubaté (SP), grandes amigos nossos que nos deram muito apoio e organizam o Taubaterror anualmente, trazendo bandas barulhentas do Brasil todo. E a última indicação de banda independente é a Industrial Holocaust, outro trio aí pra compor esse quadro, fazendo Noisecore desde 1991 e que também fortalecem muito o Underground brasileiro com a organização do São Caos, festival Underground anual, que conta com bandas nacionais e internacionais da cena. Já as bandas que nos influenciaram, não pode faltar o Napalm Death, Terrorizer e S.F.C, uma baita influência e também indicação nossa, banda de Grindcore de Lima (Peru), na ativa desde 2004 que conta com a Alice nos vocais sombrios. 7-

Obrigado pela atenção, esse espaço é de vocês.

R: Agradecemos muito ao convite, participar desse espaço é muito importante para nós, que vocês tenham muita força para continuarem com essa iniciativa e que em breve possamos nos encontrar pessoalmente nas gigs. Cuidem-se!

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Ateie Fogo! Entrevista com a banda de Thrash/Death Setfire

A banda paulista Setfire, original de Mauá, tem sido muito assídua nessa quarentena. Eles lançaram um full album, dois clipes, playthrough de guitarra e agora sessões de quarentena. E eles querem que a chama se espalhe ainda mais. Confira a entrevista que fizemos com eles.


Conte um pouco sobre o início da banda e a trajetória para chegar até aqui.

Antes do Setfire, tínhamos uma banda Cover de Sepultura+Pantera, chamada Territory Hostile. O Setfire é um banda de Thrash Metal paulista, oriunda da cidade de Mauá/SP, formada em Junho de 2009 com foco em composições próprias e com fortes influências de bandas como Pantera, Sepultura, Torture Squad, Death, Slayer, Lamb of God entre outras. Em 2010 lançamos o EP Deserted Land com 5 faixas, o qual rendeu muitas críticas positivas em sites, revistas, rádios, tanto no âmbito nacional quanto internacional, desse EP lançamos dois videoclipes das músicas Envy Shit e Revolution of Machines. Em 2015 o “Deserted Land” foi relançado na versão de fita cassete pela gravadora Norte americana Hotarex, remasterizado e com a capa redesenhada. A banda promove um Festival titulado “Setfire Fest” desde 2014 na cidade de Mauá-Sp, com a intenção de abrir espaço para as bandas do cenário independente apresentarem seus trabalhos, reunir o público para prestigiar o evento e fortalecer a Cena Rock/Metal na região Abc Paulista. Já foram realizadas 5 edições do Setfire Fest, com participações de bandas como: Vooodoopriest, Attomica, Vírus, Distraught entre outras. A formação atual da banda conta com Artur Morais nos vocais, Michael Douglas e Fernando Ferre nas guitarras, Felipe Jeronymo no contrabaixo e Nikolas Marcantonatos na bateria. Lançamos recentemente o nosso mais novo álbum Spots of Blood nas plataformas de Streaming e em mídia física. Desse CD, lançamos dois clipes das músicas Paralyzed e Paranoia, e um Lyric Video para a música Careless.

Em meio a pandemia e a impossibilidade da realização de tours, muitas bandas tem adiado os lançamentos, no entanto vocês optaram por lançar o excelente álbum Spots of Blood e dois clipes, que tem sido muito elogiados. Por que escolheram manter o lançamento? Isso impactou a resposta do público?

Nesse período de Pandemia a grande maioria das pessoas estão mais conectadas a internet, aproveitamos essa oportunidade para lançar o Spots of Blood em todas plataformas de Streaming juntamente com os clipes e estamos trabalhando fortemente nas Quarentine Sessions, que inclusive já foram lançados dois vídeos das músicas Nordeste e Revolution of Machines no nosso Canal do YouTube. A resposta do público vem sendo muito satisfatória, tanto relacionado ao Spots of Blood, quanto aos clipes lançados, estamos recebendo muitos elogios e um enorme reconhecimento da galera.

Vemos um Setfire mais maduro nesse trabalho. Como foi o processo de gravação do Spots of Blood?

Na época que lançamos o EP Deserted Land, logo após começamos a trabalhar nas composições do Spots of Blood, porém quando estávamos compondo a sexta música, conhecida hoje como Paralyzed, teve a saída do baterista Alex Momi da banda. Em 2013 o baterista Alex Kruppa assumiu o posto e reiniciamos o processo de composição das músicas, mas ele também deixou a banda após um período de 1 ano e meio. Em 2014 o baterista Daniel Balbinot entrou na banda, compôs a batera de todas as músicas e gravou o Spots of Blood na íntegra. Por esses motivos tivemos um bom tempo para amadurecer as composições e deixá-las cada vez mais próximas do que tínhamos como objetivo. O processo de composição da banda sempre foi bem democrático, todos integrantes davam suas opiniões em toda a estrutura da música, desde as linhas vocais até a batera, tudo de uma forma bem organizada e numa boa parceira. O interessante nisso tudo é que cada um conseguiu colocar um pouco de sua influência nas músicas e ficamos muito satisfeitos com o resultado. Com as músicas prontas fomos ao mesmo estúdio que gravamos o EP Deserted Land, chamado Acústica, localizado na cidade de São Caetano do Sul-Sp. O Danilo Pozzani foi responsável pela produção, mixagem e masterização do Disco e fez um trabalho extraordinário, os toques dele na produção das músicas foram essenciais para fazermos os últimos ajustes que precisava antes de iniciarmos as gravações.

Vocês divulgaram um vídeo muito bacana da participação do Vitor Rodrigues (ex Torture Squad e ex Voodoopriest) na música “The Thin Line”. Contem um pouco sobre essa parceria.

A amizade com o Vitor Rodrigues existe desde o lançamento do nosso EP Deserted Land em 2010, numa apresentação do Torture Squad entregamos o material pra ele na época e pouco tempo depois, ele enviou um e-mail pra banda com uma resenha extremamente detalhada de cada faixa do disco, ficamos muito felizes e impressionados com a atitude dele, daí em diante continuamos mantendo contato e essa amizade só se fortaleceu com o tempo. Convidamos ele para dividir os vocais com o Artur Morais na música The Thin Line e ele aceitou numa boa participar, tudo aconteceu de forma bem natural, o Artur entrou em contato com ele e o deixou a vontade para cantar nas partes que ele achasse melhor e se sentisse mais a vontade, não teve nenhuma regra. Ele curtiu demais a música e no estúdio arregaçou nos vocais (risos), cantou literalmente com a alma e se sentiu muito bem, dizendo pra gente que havia sido uma das melhores participações que ele havia feito, pela forma natural que aconteceu.

Por que vocês optaram por letras em inglês? Qual é a temática das letras que compõe o álbum?

A escolha do idioma foi para atingir de forma universal todos os públicos e facilitar as aberturas de portas pra banda com o resto do mundo. A parte literária da banda sempre foi pautada ao protesto à pobreza, o alerta ao crescimento tecnológico e seu impacto na história, as atitudes de violência e revolta geradas pelo estilo de vida que a sociedade impõe e o cotidiano das interações humanas. E nesse CD não foi diferente, o álbum Spots of Blood retrata em cada letra, as “manchas de sangue” deixadas pelo homem por suas atitudes erradas e decadentes ao longo da história, vale a pena ler com calma e refletir sobre o tema de cada letra. Temos uma música com a letra em português no álbum, chamada Macaco ou o Rato, que retrata a alienação da mídia sobre a sociedade.

Indiquem 3 bandas nacionais independentes que vocês gostam e ouvem o som.

Krisiun, Claustrofobia e Korzus.

Após a pandemia, podemos esperar uma tour aqui no nordeste?

Temos a pretensão de fazermos uma turnê “pós-pandemia” para divulgação do Álbum em âmbito nacional e dando tudo certo, com certeza na nossa rota o Nordeste estará incluso.

Obrigado pela atenção. Deixem uma mensagem para o público.

Primeiramente gostaríamos de agradecer ao Moisés Duarte do blog “O Colecionador – Música independente” pela abertura do espaço para falarmos um pouco sobre o trabalho e história do Setfire.

E mandar um abraço e agradecimento a todos os nossos fans(Firebangers), que acompanham nosso trabalho e são o combustível para as chamas do Setfire, sem vocês nada disso faria sentido!!!

Quem não conhece ainda o nosso trabalho, acesse os links abaixo para conferir:

www.youtube.com/setfiretv
www.facebook.com/setfireofficial
www.instagram.com/setfire_official
www.twitter.com/setfireofficial

Junte-se ao fogo e vamos incendiar!

#jointhefire