Corrosion Of Conformity anuncia turnê pela América Latina em Setembro!

A icônica banda americana Corrosion of Conformity (C.O.C), um dos pilares do metal sulista e do sludge/stoner metal, retorna à América Latina para uma aguardada turnê em setembro de 2025, com produção da Dark Dimensions. Esta será uma oportunidade única para os fãs testemunharem de perto a potência sonora do grupo, que soma quatro décadas de carreira e traz influências que vão do hardcore, punk e thrash metal ao groove e stoner rock/metal.

A turnê passará pelo México, Chile e Argentina (com dois shows), encerrando-se na capital paulista em 28 de setembro, na Burning House (@burninghousesp). Os ingressos já estão disponíveis na plataforma DDTickets.

Formado em 1982, em Raleigh, Carolina do Norte, o C.O.C. iniciou sua trajetória no cenário hardcore e punk rock, lançando seu álbum de estreia, Eye for an Eye (1984). Com o tempo, a banda incorporou influências mais pesadas do metal, consolidando sua identidade ‘crossover’ única.

A chegada do guitarrista Pepper Keenan, em 1989, trouxe uma nova dimensão ao som da banda, marcada por riffs densos e grooves arrastados. Essa evolução ficou evidente no álbum Blind (1991), que representou um grande avanço na sonoridade e popularidade do grupo. Com a saída do vocalista original Karl Agell em 1993, Keenan assumiu também os vocais, e, como quarteto, a banda lançou o aclamado clássico Deliverance (1994), alcançando o auge comercial da carreira, impulsionada por esse trabalho e, claro, pelos mega clássicos “Albatross” e “Clean My Wounds”.

O sucessor, Wiseblood (1996), que contou com a participação especial de James Hetfield (Metallica) na faixa “Man or Ash”, manteve a proposta sonora e consolidou a banda como um dos nomes mais respeitados do gênero.

Após os excelentes America’s Volume Dealer (2000) e In the Arms of God (2005), a banda enfrentou períodos de hiato e mudanças na formação. Nos anos 2010, retornou sem Pepper Keenan, que estava focado em sua outra banda, Down, com Phil Anselmo (Pantera). Durante esse período, o C.O.C. lançou um álbum homônimo e o EP Megalodon (ambos em 2012), além de IX (2014), com o guitarrista Woody Weatherman assumindo também os vocais.

Com Pepper Keenan de volta como líder, guitarrista e frontman, lançaram seu álbum mais recente, No Cross No Crown (2018), se apresentando em dois shows lotados no Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro) no mesmo ano. Em 2020, a banda sofreu uma grande perda com a morte do baterista e membro fundador Reed Mullin, que havia retornado ao grupo em 2010 após nove anos afastado.

Atualmente, a formação do C.O.C. conta com Pepper Keenan (vocal/guitarra), Woody Weatherman (guitarra), Bobby Landgraf (baixo, que entrou na banda em 2024 após a saída de Mike Dean) e Jason Patterson (bateria).

Essa turnê sul-americana promete ser histórica, superando a de 2018, com um setlist que mescla clássicos e faixas mais recentes. Os fãs podem esperar uma apresentação intensa, carregada da energia característica da banda, tornando este um dos eventos mais aguardados do ano para os amantes do metal e do stoner/sludge rock.

SERVIÇO: CORROSION OF CONFORMITY EM SÃO PAULO
Local: Burning House
Endereço: Av. Santa Marina, 247, Água Branca – 05036000 – São Paulo/SP
Data: 28 de setembro de 2025(domingo)
Produção: Dark Dimensions
Assessoria: JZ Press
Abertura das Portas: 17h
Início do Evento: 20h
Classificação Indicativa: +18

Ingressos via DDTickets em:

https://www.ddtickets.com.br/comprar/30/corrosion-of-conformity-no-brasil

Sujeito a alteração no valor do ingresso conforme virada do lote.

Ingressos promocionais válidos mediante a entrega de 1 kg de alimento não-perecível na entrada do evento.

Pontos de Venda (sem taxa de serviço – pagamento em dinheiro):
Burning House

​Ou diretamente com a produtora via Pix à vista pelo WhatsApp:
11 994697487

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Nem Nulas, Nem Musas: POTÊNCIAS! As mulheres da cena além dos estereótipos

A presença de bandas de metal e punk com mulheres em sua formação, inegavelmente cresceu nos últimos 20 anos. A conquista de espaço e público, no entanto, não vem desamarrada de muitas dores, oras berradas, oras caladas. Esbarrando em abismos financeiros de desigualdade no mercado de trabalho, acúmulo do trabalho doméstico e com o custo elevado de instrumentos no Brasil, há mais vocalistas em nossa cena, que mulheres que tocam. Dessas, as bateristas são uma minoria ainda mais desigual.

Dos pequenos aos grandes festivais, as diferenças de tratamento são gritantes. Os corpos aceitos, sofrem um tipo de assédio. Os corpos divergentes, o escracho, a exclusão. Ao padrão, o título de Musa e a objetificação, diminuindo seus trabalhos, em detrimento à sua beleza. Ao fora, a invisibilidade, o escárnio, como se a criação não existisse e, se notada, precisa ser colocada em seu “devido lugar”: o da nulidade. No entanto, esses corpos, exaustos e insistentes não desistem e seguem. Outros caminhos possíveis são construídos e nesse 8M, são essas conquistas que gostaríamos de celebrar.

Como o Brasil é um país continental, separamos 19 indicações de bandas fuderosas espalhadas por todo o Brasil. Conheça, pois a cena brasileira não se resume ao sudeste.

ACRE – Hylidae

AMAPÁ – Zymera

BAHIA – Macumba Love

CEARÁ – Corja!

ESPÍRITO SANTO – Roberta de Razão

GOIÂNIA – Armum

MARANHÃO – Deep Hatred

MINAS GERAIS – Tantum

PARÁ – Contraponto

PARAÍBA – Margaridas em Fúria

PARANÁ – Crotchrot

PERNAMBUCO – Odiosa

RIO DE JANEIRO – Klitoria

RIO GRANDE DO NORTE – Camarones Orquestra Guitarrística


RIO GRANDE DO SUL – Välika

SANTA CATARINA – Ódio Mensal

SÃO PAULO – Manger Cadavre?

SERGIPE – The Renegades of Punk

DISTRITO FEDERAL – Miasthenia

Faces Of Death: Forjando Novo Material e Elevando o Thrash/Death Metal a um Novo Patamar

Os thrashers paulistas da Faces Of Death, após o lançamento de “Evil”, seu terceiro e excelente álbum na carreira, sofreram mudanças significativas em sua formação. No entanto, com a entrada de Maurício Filho (guitarra) e Igor Nogueira (bateria, Justabeli), a banda não só manteve o nível alto de sua música, como também encontrou as peças fundamentais para conquistar novos patamares.

O resultado dessa boa fase pode ser conferido no lançamento de seu mais recente EP ao vivo, “Thrash disConcert”, disponível em todas as plataformas digitais e que mostra todo o poder dessa nova e coesa formação.

Ouça “Evil” em https://sptfy.com/facesofdeath_evil

Confira o vídeo ao vivo de “Bloody Cross”, dirigido e editado por Maycon Avelino (Starship Videos), em: https://youtu.be/EAdVEU0pTAo

Ouça o EP ao vivo “Thrash disConcert” em https://youtu.be/XpEJXvJ22kU

A banda segue divulgando “Evil” e já está prestes a lançar a estreia dessa nova formação com material totalmente inédito em abril. Segundo Laurence Miranda (vocal/guitarra), esse trabalho trará um resgate ainda maior das raízes do Thrash/Death Metal dos anos 80/90:

“Essa formação atual nos deu um sangue novo e trouxe novas motivações para que soássemos ainda mais técnicos e agressivos. Isso será perceptível em nossas novas músicas. Se em ‘Evil’ já subimos bastante o nível em relação ao álbum anterior, ‘Usurper Of Souls’ (2020), podem esperar algo ainda mais brutal e cheio de personalidade coletiva”, finalizou o músico.

A banda pretende entrar em estúdio após seus próximos shows em março, que já estão confirmados:

29/03 – Churras Metal, Mauá/SP
(com Ancestral Malediction, Brutal Reality e Sardonic Impius)
04/04 – Lá Iglesia, São Paulo/SP
(com Chaos Synopsis e Andralls)
06/07 – Hocus Pocus, São José dos Campos/SP
(com Taurus e Berromote)

“Estamos totalmente focados em fazer muitos shows e em compartilhar a energia e a sinergia do metal com nossos amigos e fãs headbangers. O palco é o nosso lugar, e lá a gente literalmente abre os portais do inferno. E, logicamente, teremos nosso merchandising completo disponível para aqueles que sobreviverem (risos)”, acrescentou.

A formação atual da Faces Of Death conta com Laurence Miranda (vocal/guitarra), Sylvio Miranda (baixo), Maurício Filho (guitarra) e Igor Nogueira (bateria)

Ouça o material da banda em https://facesofdeath.hearnow.com

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Expoente do rock amazônico, O Tronxo mostra em ‘Abismo’que música do Norte vai além de brega, carimbó e guitarrada

O Tronxo, banda manauara que mistura rock progressivo, post-rock e psicodelia, anuncia o lançamento do EP Abismo, disponível em todas as plataformas de streaming a partir de 28 de fevereiro. Formado por Anastácio Júnior (AJ), Rafael Borges (Rafatronxo) e Luiz Roberto Góes, o grupo tem se destacado na cena independente com uma sonoridade intensa e atmosférica. O novo trabalho reúne duas faixas inéditas, totalizando aproximadamente 15 minutos de duração, e conta com colaborações de nomes consagrados da música brasileira.

Ouça Abismo aqui:

Uma das grandes surpresas do EP é a participação de Fernando Catatau, líder do Cidadão Instigado, banda cearense que marcou o rock alternativo nacional com sua mistura única de psicodelia, rock progressivo e influências nordestinas. No EP “Abismo”, Catatau contribui com linhas de guitarra na faixa “Vértice” e também produziu a arte de capa, sob direção de Ana Paula Ferrer.

A segunda participação especial é de Victor Xamã, rapper, compositor e produtor de Manaus e uma das vozes mais relevantes do hip-hop contemporâneo. Seu estilo introspectivo e poético aborda temas como identidade e ancestralidade. Sua colaboração no EP aconteceu de forma espontânea em uma sessão de estúdio, resultando em “Em Vós”. A faixa retira Xamã de sua zona conhecida e o lança ao cerne rock and roll de O Tronxo. 

Ouça Em Vós com Victor Xamã aqui:

https://offstep.link/306169587461

Além de Catatau e Victor Xamã, “Abismo” conta com a participação de Lucas Castro, guitarrista reconhecido por sua sonoridade densa e atmosférica e que a partir deste trabalho, passará a integrar a banda O Tronxo em definitivo. Ele adicionou camadas sonoras imersivas às duas faixas, contribuindo para a identidade única do EP.

Sobre O Tronxo

Formado em Manaus (AM), O Tronxo é um dos expoentes do rock experimental amazônico, combinando rock progressivo, post-rock e psicodelia para criar atmosferas intensas e envolventes. Desde 2013, o trio tem explorado novas sonoridades e conquistado espaço na cena alternativa. O Tronxo ganhou destaque com o álbum Dança Cósmica (2021), viabilizado pela Lei Aldir Blanc, e seguiu desbravando palcos pelo Brasil com o EP Devir (2022) e o single O Rio Que Corre ao Contrário (2023). Com passagens por festivais como Sonido (Belém-PA), Casarão (Porto Velho-RO) e PMW (Palmas-TO), além de apresentações em São Paulo, Curitiba e Goiânia, a banda se consolidou como um nome inovador na música independente.

Agora, com apoio da Lei Paulo Gustavo, “Abismo” ganha os fones de ouvido e reafirma que, quando a música vem do Norte, ela não precisa de um rumo — ela já tem um destino.

Disponível em todas as plataformas digitais a partir de 28 de fevereiro.

Faixas:

1- Vértice

2- Em Vós

Ficha Técnica EP Abismo:

Estúdio: DaHouse Audio

Engenheiro de Som: Led Johnson

Mixagem: Jeferson Souza

Masterização: Rafael Borges

Arte de Capa: Fernando Catatau

Direção de arte: Ana Ferrer

Tour Abismo

O Tronxo já tem datas no Sudeste para dar pontapé nos trabalhos de divulgação de “Abismo”. Confira:

23.05 – FFFront – SP

30.05 – Audio Rebel – RJ

31.05 – Social Ramos Clube – RJ

TRANSMISSÃO BETA LANÇA O EP VISUAL “ANARKIA NO MERCOSUL”

Transmissão Beta é uma banda de rock gayúcho, atingindo ouvidos desde 2021, com o lançamento do single “ST4L1N M4T0U FOI POUCO”. A faixa produzida de forma DIY e caseira rendeu à banda a oportunidade de viajar pela região metropolitana da capital gaúcha, espalhando seu som sujo e potente pelas ruas.

Com os fundos da Lei Paulo Gustavo do município de Canoas, o grupo de punk rock Transmissão Beta lança agora seu primeiro EP visual. O projeto “Anarkia no Mercosul” conta com duas canções inéditas e a regravação da música mais famosa da banda, “STOP (VOCÊ TEM QUE PARAR)”, lançada em 2024 pelo selo Marquise 51, casa de grandes representantes do rock no sul, tais quais Replicantes e Júpiter Maçã.

Após chamar a atenção de artistas como Lucas Silveira, da Fresno, a banda está ansiosa para o lançamento de seu primeiro projeto profissional que vai ao ar no dia 21 de março de 2025 em todas as plataformas digitais. 


LINK DO PRÉ-SAVE: https://onerpm.link/260202555262

OUÇA AS MÚSICAS ANTECIPADAMENTE: https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1atmTDkLxKbLApkqsrpHqigKbTJ5rlYQp

OLHE OS CLIPES ANTECIPADAMENTE: https://drive.google.com/drive/folders/1RqaZGp2cgC0ldi4nbVuwyWXRB0fXiy9C?hl=pt-br
FOTOS DIVULGAÇÃO: 
https://drive.google.com/drive/folders/1obXgrjH1VpCrq0X0v5uhwPWdn32_ql6k?usp=drive_link

Ana Plá (Voz e Composição)

Joan Santiago (Guitarra)

Mirella Mota (Bateria)

Bruno Elkfury (Baixo)

Sofia Ruwer Vidor (Guitarra)

SPOTIFY: https://open.spotify.com/artist/1ORLf8SA8ZjDeQa120kgsI?si=79932f52cead4ae4 

YOUTUBE: https://www.youtube.com/@transmissaobeta7422

INSTAGRAM: https://www.instagram.com/btmsson/

Clipes: Vinicius Oliveira e Julia Bicca
Produção: Bella Andrade
Gravação e Mixagem por: Rodrigo Rysdyk
Fotos de divulgação: Clara Morales
Capa: Samuel Oliveira

Renovando O Metal Mineiro | Entrevista com Skive

Conte sobre quando e como a banda começou.

A banda começou como uma iniciativa do nosso guitarrista Pedro Antonio. Ele, juntamente com seu irmão Lucas, nosso baixista, deu os primeiros passos da Skive antes mesmo de ela ter esse nome. Posteriormente, outros membros entraram: nosso baterista Michetti, nosso antigo segundo guitarrista Jonas e, por último, eu, o vocalista. Foi aí que a banda realmente começou a ganhar forma e a dar significado ao nome Skive, compondo nossas primeiras músicas e se lançando como uma banda autoral.

O Skive possui apenas dois singles lançados. Vocês pretendem lançar um álbum em breve?

Sim, pretendemos! Já temos todas as músicas gravadas, mixadas e masterizadas. Agora estamos apenas planejando o lançamento e, quem sabe, trazendo outras novidades junto com o álbum.

A faixa ‘Ghosts’ tem uma pegada que mescla Avenged Sevenfold, com riffs com uma pegada do Megadeth, enquanto a ‘Shadow Dance’ remete a Avenged com Linking Park. Essas são as principais referências da banda? O que vocês ouvem para se inspirar nas composições da banda?

As referências da Skive são variadas, uma colagem dos gostos de cada membro. Mas, sim, temos influência de todas essas bandas. Para mim, como vocalista, Linkin Park e Alice in Chains são grandes inspirações. Nosso baterista se inspira no Angra, enquanto nosso guitarrista tem Bullet for My Valentine como uma grande referência. No fim, o resultado das nossas influências acabou, de forma natural, remetendo ao som do Avenged Sevenfold.

Como é o cenário do metalcore/deathcore em Belo Horizonte? Quais bandas do gênero vocês indicam?

É um pouco difícil para mim falar sobre isso, mas, pelo que vivenciei no cenário de Belo Horizonte, não há uma grande diversidade de bandas autorais que sigam essa vertente. Somos muito amigos do Bruno Paraguay, vocalista da Eminence, uma banda com forte influência na cidade. Também conheço a banda Sempta, que segue o estilo metalcore, mas nunca tivemos a oportunidade de trabalhar juntos.

Como foi a gravação das músicas de vocês? Quem foi o engenheiro de som e produtor das faixas?

O André Mendonça foi o nosso produtor, engenheiro de som e tudo mais que se possa imaginar, foi ele quem trousse a cola para as diversas influencias que levamos para o estúdio com nossas demos, que inclusive foram gravadas na casa do baterista. Depois disse fizemos uma reunião com o André, discutimos diversos pontos na pré-produção sobre o que deveria ficar e o que deveria mudar em cada música, após isso demos início as gravações, começamos pela bateria, que captamos no estúdio do nosso guitarrista Pedro e o restante no estúdio do André. Gravamos o baixo e depois as duas guitarras por ultimo os vocais. A gravação levou mais tempo do que imaginávamos, tivemos alguns imprevistos e eu como vocalista, fiquei doente diversas vezes durante o período de gravação dos vocais, mas no final deu tudo certo.

Quais são os planos para 2025?

Em 2025, lançaremos nosso primeiro álbum e tocaremos o máximo possível, levando nosso som por toda a cidade e, se tudo der certo, pelo Brasil inteiro. Também temos planos de organizar um festival, convidando bandas autorais de fora da cidade e buscando um intercâmbio para que possamos tocar em outros estados.

Vocês aparentam ser muito jovens. Qual é a idade de cada um e como encaram começar uma nova banda em uma era que prioriza trabalhos individuais?

Eu tenho 25 anos, o Pedro (guitarrista) tem 24, o Lucas, nosso caçula, tem 18 e o Michetti, nosso baterista, tem 23.

Todos os membros da banda, com exceção de mim, sempre souberam que queriam ter uma banda. Então, sempre tiveram um pensamento mais voltado para o coletivo e para o trabalho em conjunto. Eu, Pedro, no início tinha receios de me inserir no cenário, por diversos motivos, e preferia ficar mais no meu canto. Mas eu sabia que queria fazer música e que não conseguiria fazer isso sozinho. Quando nosso guitarrista me chamou para entrar na Skive e me apresentou aos outros membros, percebi que, naquele ambiente, eu poderia me expressar sem medo.

Hoje, vejo que é muito melhor trabalhar de forma coletiva. É impossível realizar tudo sozinho. Eu fui transformado e acolhido por esse cenário do rock e do metal e só tenho a agradecer.

Muito obrigado pela atenção. Deixem um recado para os leitores, sobretudo a galera da nova geração que está começando suas bandas.

Começar uma banda pode ser assustador às vezes. Mas, apesar das incertezas que o futuro reserva, estar inserido nesse meio pode ser algo transformador. A experiência de estar em uma banda nos ensina muito, não apenas sobre música, mas também sobre como nos portar como seres humanos.

Ao longo da jornada, conhecemos muitas pessoas e fazemos verdadeiros amigos, que podem nos trazer novas perspectivas para a vida. Estar em uma banda é muito mais do que apenas tocar um instrumento; é uma vivência completa. Por isso, sempre incentivarei as pessoas a experimentarem essa sensação única de estar em uma banda.

Selvagens à Procura de Lei lançam catártico single de retorno “Pra Recomeçar”

Faixa chega junto de um clipe e antecipa o novo álbum “Y”

Um dos expoentes do rock alternativo brasileiro das últimas décadas, a banda cearense Selvagens à Procura de Lei retorna às raízes com foco no futuro. Na catártica “Pra Recomeçar”, primeiro single do novo álbum. “Y”, a banda apresenta um rock alternativo pesado e feito para marcar um ponto de virada na discografia da banda.

Ouça “Pra Recomeçar”: https://distro.ffm.to/sapdl-pra-recomecar

Assista ao clipe“Pra Recomeçar”: https://youtu.be/OYua6ndjYGs 

Essa nova fase da banda vem com gosto de retomada das raízes. Eu sinto um paralelo enorme com o primeiro e o segundo disco. Eu estava com muita, mas muita saudade de fazer rock. Entreguei tudo nesse disco”, conta o membro-fundador, guitarrista e vocalista Gabriel Aragão. “‘Pra Recomeçar’ foi a primeira da nova leva de canções que escrevi, entre agosto e novembro de 2024. É uma música crua e direto ao ponto, mas não no sentido de ter sido criada para apelar à nostalgia dos fãs, simplesmente aconteceu assim”.

Ao lado de Gabriel, estarão Plínio Câmara na guitarra (ex-Casa de Velho), Matheus Brasil na bateria (ex-Projeto Rivera) e Jonas Rio no baixo (ex-Left Inside). A banda surge no clipe em um clima de road trip, como uma viagem para desapegar do passado e seguir rumo a estrada, caminho que será anunciado em breve com uma longa turnê nacional.

Mais do que uma nova formação da banda, eu prefiro chamar de meus novos companheiros de luta. Todo mundo de Fortaleza, fãs de Selvagens, assim como eu. Acredito que todos que passaram pela banda (e foram muitos) são insubstituíveis. Digo isso com muito respeito ao nosso legado. Da mesma forma, os novos integrantes trazem o seu DNA. Estou muito confiante, já ensaiamos juntos e tudo flui bem. Soa mais rápido e mais pesado nas músicas rock, e também mais preciso e delicado nas músicas suaves”, Gabriel completa.

As músicas começaram a ser compostas durante o processo de hiato da banda e refletem uma despedida e um recomeço, por isso o nome do disco foi escolhido: como um caminho que se bifurca. E os novos caminhos vão em direção a novas sonoridades e até parcerias, já que o disco contará com participações especiais surpresas.

“Depois de ter tomado a decisão de dar um tempo na banda, no ano passado, me recolhi das redes sociais e mergulhei fundo escrevendo música atrás de música. No início, era questão de sobrevivência: eu tinha que escrever aquelas músicas, colocar pra fora o que eu estava sentindo, toda a minha dor. Tudo foi surgindo de forma extremamente natural: muito rock no canto, nas guitarras, na bateria. Quando estava produzindo a terceira ou quarta canção, me dei conta de que aquele material não era para carreira solo, era, sem dúvidas, um disco dos Selvagens à Procura de Lei. Senti um frio na espinha, mas aquele frio bom semelhante a antes de subir no palco: é algo que você tem que fazer”, ele conclui.

Antecipando o que promete ser o álbum mais pesado da discografia da banda, “Pra Recomeçar” está disponível em todas as plataformas de música digital.

Acompanhe Selvagens à Procura de Leo:

https://www.instagram.com/selvagensaprocuradeleioficial/

https://www.youtube.com/@selvagensaprocuradelei

Lutas e Revoltas, Brado e a Guerra Contra as Forças Colonialistas – Conheça um pouco mais sobre o DarkTower

Com embasamento teórico e prático, a banda de black/death metal carioca, DarkTower é hoje um dos expoentes do gênero em nosso país. Com uma discografia sólida, turnês no Brasil e no na América Latina, eles cravam seu nome na cena extrema e ampliam horizontes. Eles estão trabalhando em seu novo trabalho, que tem previsão de lançamento ainda em 2025. Confira entrevista e conheça mais sobre a banda.

O DarkTower esteve em tour pelo nordeste há alguns anos. Quais foram os shows mais marcantes para a banda? Pretendem retornar em algum momento?

O Nordeste é uma região onde o nosso trabalho é bastante difundido e sempre tivemos uma base sólida de fãs por lá. Ao todo, fizemos 3 giros por lá (2016, 2019, 2022). Podemos dizer que o público é insano, e por isso é difícil listar os que foram marcantes. Dito isso, estamos muito ansiosos pelo nosso retorno!

Em 2018, vocês também realizaram um giro pela América Latina. O que tem a dizer sobre a recepção dos Hermanos? Há alguma banda que tenha tocado com vocês que recomendam?

Assim como falei do Nordeste na primeira pergunta, o público dos países onde pisamos é sensacional! Tivemos uma excelente receptividade em todos os lugares que passamos, e os produtores sempre entram em contato para fazermos novas datas por lá.
Sobre algumas bandas, posso citar o Ente, de Quito, Jezabel, de Bogotá e Fervent Hate, de Arequipa.

Vocês estão em processo de gravação de um álbum temático. Poderiam falar um pouco sobre o novo trabalho? Serão quantas músicas?

Nosso novo trabalho terá a abordagem merecida do nosso folclore, sem aquela ideia pueril e pejorativa do senso comum; falaremos sobre as nossas lutas e revoltas, o brado e a guerra contra as forças colonialistas, e tudo isso pela óptica dos povos originários da nossa terra. É tudo que posso falar, por ora.

Em uma época de pouca atenção a trabalhos completos, vocês ainda consideram importante produzir um álbum? E os materiais físicos? A banda ainda faz prensagens de CDs ou discos de vinil?

Nós, do DarkTower, não temos a menor dúvida do quão importante é uma banda produzir um álbum e lançá-lo fisicamente. Posso dizer a respeito do fã de Metal em geral, que ele é devoto ao material, gosta de pegar o registro, estudar o encarte, acompanhar as letras e todos estes pormenores que só uma prensagem física proporciona, e em respeito a este fã, nós nunca deixaremos de lançar fisicamente qualquer material nosso.

Quanto às questões logísticas, nós preferimos manter os nossos lançamentos em CD, geralmente digipack, pois o DarkTower é uma banda de estrada e isso proporciona maior praticidade no transporte e manuseio desses artigos.

Como é a cena carioca no que se trata de metal extremo?

Quando falamos sobre underground, o Metal Extremo e suas vertentes são a pedra angular do cenário, há pelo menos 15 anos. Temos um bom fluxo de shows por aqui, tanto com bandas locais, quanto com bandas oriundas de outras localidades.

Quais bandas cariocas vocês recomendariam para os nossos leitores?

Quanto às recomendações, posso citar algumas como: Ereboros, Gutted Souls, Guerra Nuclear, Nadha, LAC, Innocence Lost e The Troops of Doom.

A banda passou por uma mudança de formação, ganhando o Gabriel como novo baterista. Em que ele tem somado para o som do DarkTower?

Estamos com o Gabriel nas baquetas há pouco mais de 1 ano. Além de ser um ótimo companheiro de banda e exímio baterista, ele contribuiu muito no processo de composição das linhas de bateria do novo álbum. Estamos muito ansiosos em trazer essas novidades para vocês!

O DarkTower é uma banda posicionada politicamente falando. Para vocês, nos tempos atuais, qual é a importância de cravar posicionamentos ideológicos, frente uma ascensão de valores ultraconservadores que vem dos de cima para baixo?

É fundamental demarcar bem o nosso posicionamento político. Somos uma banda antifascista em tempos de ascensão do fascismo. Infelizmente, essa afirmação não é apenas retórica, é uma realidade se alastrando por todo o Ocidente liberal, e todos aqueles que não compactuam com essa onda nefasta precisam se posicionar, ou o preço será alto amanhã. E a arte é uma ferramenta que pode ser muito poderosa politicamente. Através dela, o artista pode chamar a atenção das pessoas para grandes questões, fazê-las refletirem, pensarem. E o DarkTower tem sido uma banda engajada não é de hoje, sempre nos posicionamos e o próximo disco seguirá da mesma forma. E não só não nos furtaremos a assumir uma posição clara e digna diante de tudo que estamos testemunhando mundo afora, como vamos, no próximo álbum, propor uma reflexão profunda sobre grandes questões que marcam nosso país. Faremos um chamado a reverenciar nosso folclore, nossas tradições de luta e resistência contra justamente as mesmas forças que instrumentalizam o fascismo, isto é, a violência colonial praticada pelas elites internacionais e nacionais contra o povo brasileiro. Mas ele resiste e defende sua cultura e suas tradições, e é isso que pretendemos mostrar e reverenciar com o próximo álbum.

Muito obrigado pela atenção, o som de vocês é fuderoso! Espero que passem por Recife em breve. Deixem um recado para os leitores, principalmente para aqueles que estão começando a ouvir música extrema.

Agradecemos muito, tanto pelos efusivos elogios quanto pelo espaço cedido em sua página! Também esperamos ir a Recife – que isso aconteça o quanto antes! Não vemos a hora de cairmos na estrada e mostrarmos o nosso novo trabalho a todos vocês! E quanto aos novos ouvintes do Metal Extremo, apreciem sem moderação!

A Motossera Sonora – Entrevista com a banda de Death Crust Manger Cadavre?

Com o novo monstro prestes à nascer, conversamos com Paulinho, guitarrista do Manger Cadavre?, uma das bandas mais ativas na atualidade do cenário underground brasileiro. Ele falou sobre as mudanças e desenvolvimento das sonoridades, o novo álbum, tours no Brasil, América Latina e Europa, e é claro, da sua participação no Obscene Extreme Festival.

Manger Cadavre? ao vivo no Cine Joia – Foto por Dani Moreira Jr.

O Manger Cadavre? é uma banda que acompanho desde 2019, quando estiveram no Abril Pro Rock. De lá pra cá, você mudaram de formação, incorporaram novas sonoridades e alcançaram destaque em outros países. Nos contem um pouco sobre a construção das músicas passando pelo Decomposição, Imperialismo e chegando no novo álbum, Como Nascem os Monstros.

    Paulinho: Desde o Decomposição até o álbum atual (Como nascem os monstros) a gente vem incorporando novas idéias e elementos para o nosso som. Eu tocava em uma banda de thrash/crossover antes do Manger, e esse tipo de som tem riffs e contruções mais elaboradas, tanto que você pode ouvir algumas palhetadas que remetem ao thrash no Decomposição. E a partir do Imperialismo, o Marcelo sugeriu que colocássemos mais elementos de Death Metal, que é um gênero que todos da banda curtem. A idéia de usar o pedal de distorção HM-2 veio dele, pela influencias de bandas de Death metal Sueco. Foi meio que natural, você consegue ver a diferença em cada álbum, mas o espirito do hardcore, crust d-beat sempre esteve, e é algo que nós nunca iremos perder.

    Foto por Dani Moreira Jr.


    Em 2022 vocês circularam por todas as regiões do Brasil e em 2023 estiveram em alguns países da América Latina, em um giro feito na raça, por terra. Quais são as vantagens e desvantagens de turnês feitas por vias terrestres? Quais foram os momentos mais marcantes desses rolês?

    Paulinho: 2022 fizemos uma tour de 30 dias com os amigos do Hellway Patrol em uma ambulância modificada, em 2023 foram 2 semanas pelo nordeste e outras 2 mais tarde pelo sul e países da américa do sul. A maioria das datas foi por carro, dividindo o volante, que é algo bem cansativo quando você precisa tocar no final do dia. O cansaço é a pior parte mesmo, mas a gente aprendeu que não rola dirigir mais 12 horas direto em um dia (coisa que fizemos em 2022), e hoje a gente roda de 4 a 8 horas no máximo dependendo da situação. A parte boa é que as despesas com traslado são menores e você aproveita mais os lugares onde está passando, eu particularmente curto muito poder ver e apreciar as paisagens de onde passamos. Momentos marcantes tem vários, mas o mais legal é poder conhecer vários lugares e culturas diferentes, isso marca demais.

    Ainda sobre shows, em 2024 vocês foram pela primeira vez excursionar na Europa, com shows em clubes, alguns com o Ratos de Porão e fechando no Obscene Extreme Festival, que é apenas o maior festival underground do mundo. Falem um pouco sobre essa experiência e nos contem curiosidades da viagem.

    Paulinho: Poder fazer esse giro foi praticamente a realização de um sonho pra nós, que desde sempre assistíamos os vídeos do OEF e achávamos muito foda… é aquela magia mesmo que a gente ve nos vídeos hehe, é muito foda.

    O role da europa começou quase não acontecendo, porque chegando lá nós não estávamos conseguindo alugar o carro pra podermos rodar, algumas questões de cartão. Mas nos acréscimos do segundo tempo a nossa amiga Letícia, que foi nossa motorista/roadie conseguiu alugar pra gente e deu tudo certo. Apenas na Bélgica não vimos brasileiros, mas no restante dos shows sempre apareciam conterrâneos (em alguns casos MUITOS, como em Berlin), então a gente meio que se sentia em casa. Foi massa também tocar com o Ratos em 3 shows dessa tour, além de poder assistir outras bandas brasileiras no OEF como Ação Direta, Rebaelliun e Escarnium e, é claro, poder ver de perto nossos ídolos. E mais uma vez o role foi cansativo porque nós mesmos dirigíamos revesando com a Letis, mas valeu muito, é uma experiência que vai ficar na memória, e que venham mais.

    Em setembro vocês entraram em estúdio para começar a gravação do novo álbum, já tendo o single que dá título ao trabalho lançado e nos mostrando um pouco do que podemos esperar (expectativas muito altas por aqui). Notamos um instrumental mais preciso e com peso e vocais mais viscerais, porém mais inteligíveis. Quais são as diferenças no processo dessa e das demais gravações? Gravaram novamente no Family Mob, correto?

    Paulinho: Isso, foi gravado no Family Mob. A diferença desse Album é que foi o primeiro a ser gravado com metrônomo, com cada instrumento separado. Nos outros a gente gravava bateria, baixo e guitarra base ao vivo.

    Quem ficou encarregado de gravar e editar a gente foi o Léo do Surra. Mixagem ficou por conta do Tatá, que já tinha gravado e mixado nossos trabalhos anteriores, e masterização foi o Davi, que também já havia feito esse trampo nos nossos outros álbums.

    E é como te falei, a gente vem de uma mudança na criação dos sons, e esse novo álbum mostra toda essa nova forma de compor, com uma construção de música mais elaborada, explorando partes harmônicas e melódicas. E realmente o vocal da Nata vem melhorando cada vez mais, e o legal é que como você disse, mesmo com um vocal brutal como o dela conseguimos entender grande parte do que está sendo cantado, e isso é fenomenal, pois também queremos passar nossa mensagem nas letras, e é importante que as pessoas saibam o que está sendo cantado.

    Quais bandas vocês acreditam que tenham influenciado diretamente a composição do novo álbum?

    Paulinho: Além das bandas de praxe (Wolfbrigade, Disfear e outras d-beats), esse álbum novamente foi influenciado por muito Death Metal. Você consegue identificar passagens que remetem a bandas como Autopsy, Dismember, Bolt thrower. O legal é que quase todas as musicas em sua fase de criação tinham apelidos de bandas, tais como Disfear, Watain, Entombed, Autopsy, Judas…

    A produção de áudio visual de vocês é muito bacana! De clipes à vlogs, com bastidores de turnês, vocês compartilham com o público as dores e diversões de se estar na estrada. Em relação ao novo lançamento, o que podemos esperar de conteúdos?

    Paulinho: A gente curte muito registrar esses momentos, para a galera que tem curiosidade de saber como é essa rotina, e pra nós mesmos, pois sempre vemos e revemos esse conteúdo quando bate aquela saudade. Em relação ao novo álbum, pretendemos lançar uns 3 videos com músicas do novo álbum em uma live session, além de clipes de uma ou duas músicas. Também vamos lançar alguns vídeos com playthrough de instrumental. E tudo que conseguirmos registrar na estrada também.

    São 14 anos de uma banda incansável, que conta com muitos lançamentos e uma quantidade de shows e festivais admirável. Quais são os próximos passos? O que esperam realizar ainda com a Manger Cadavre?

    Paulinho: Manger nasceu em 2011, eu entrei na banda em 2020, já sabendo da história e importância que a banda já tinha conquistado, e particurlamente já realizei e estou realizando muitas coisas que jamais imaginaria que faria. Acho que o que sempre temos que ter como meta é levar nosso som para o maior número de pessoas possíveis. Então o que não queremos (enquanto nossos corpos ainda aguentam) é pisar no freio. Achamos muito importante tocar ao máximo e levar nosso som pra todos os lugares que conseguirmos.

    Quando falamos sobre o nome de vocês, sempre recebemos feedbacks de que são uma banda com um som animal, em ascensão e de uma honestidade sem tamanho. Em uma época em que bandas buscam mostrar aquilo que não é uma realidade na cena underground, vocês sempre exaltam o trabalho dos pequenos clubes, coletivos e iniciativas no underground. Afinal, qual é a realidade da cena brasileira?

    Paulinho: A realidade da cena é basicamente a realidade da maior parte dos brasileiros, sendo parte de um pais de terceiro mundo. É muito difícil você manter uma banda independente, pelos gastos, pelo tempo que você precisa dedicar pra ela, e a maior parte das pessoas precisam ter um emprego, pois como todos sabem, viver de banda de rock aqui é coisa raríssima. E isso reflete também nas casas de shows por aqui, que nem sempre conseguem ter um equipamento de alta qualidade para as bandas. Sabemos que infelizmente as coisas ainda são difíceis assim no Brasil, mas como você disse, é muito legal participar de grandes festivais, mas nós sempre valorizamos iniciativas de pessoas (o famoso Do it yourself), porque é dai que saem as ideias e atitudes mais honestas e animais. É isso que sustenta a cena. E acho que posso falar em nome de todos da banda que curtimos muito mais tocar em locais menores, porém cheio de pessoas que estão lá, organizando, fotografando, fazendo resenha e curtindo porque realmente gostam disso, passando por todas as dificuldades, e ainda assim não deixando a chama do som desgraçado morrer.

    Então é essa honestidade que nos cativa e nos faz querer estar sempre ativos como banda e público no underground.


    Muito obrigado pela atenção, esperamos mais uma turnê pelo nordeste e que vocês consigam chegar a outros palcos, pois a história da banda mostra esse merecimento. Esse espaço é de vocês! Deixem suas considerações final e um recado para bandas que estejam começando.

    Paulinho: Valeu pelo convite, esse ano provavelmente voltaremos ao nordeste, já estamos com saudades. Um grande abraço pra todos que curtem não só o Manger, mas todas as bandas e iniciativas que compõe nosso underground. E pras bandas que estão começando eu diria pra se organizarem e entenderem o que e como irão fazer as coisas, sempre da melhor maneira possível, pois como diz a Nata, o “faça o que puder, mas faça sempre”. E curtam o que estão fazendo, pois do contrário, não fará mais sentido em algum momento.

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    Muito Além das Sombras – Entrevista com Sangue de Bode

    Os cariocas do metal extremo, que não se enquadram exatamente no Black Metal, mas que absorvem muito dessa estética visual e sonora, contam com palhetadas que nos rasgam a carne, trazem uma renovação ao cenário que há tempos necessitávamos. Dentre conquistas e frustrações, a verdade é o ingrediente priomordial para que o seu som conquiste a atenção de um público cada vez mais fiél. Conversamos com o Sangue de Bode, que está prestes a fazer sua primeira tour no nordeste.

    Conhecemos o som do Sangue de Bode pelo Canal Scena, e para nossa felicidade a produtora Scena Lab está realizando uma tour pelo Nordeste para a banda. Fale um pouco sobre a relação com o canal/produtora e a importância de iniciativas como essa para as bandas independentes.

    SDB: Primeiramente obrigado demais pelo espaço mais que necessário e satisfação imensa! Nossa parceria com o Canal e com a produtora já acontece há algum tempo e já resultou em momentos e trabalhos muito legais. A banda está em atividade real desde 2019, mas certamente foi após sermos mencionados no Scena em 2020 e convidados para gravar o ao vivo em 2021 que conseguimos visualizar um horizonte de expectativas um pouco mais possíveis para o nosso corre, e isso é um fato a que somos muito gratos.

    Após esse espaço que o canal nos proporcionou, felizmente nossa banda sempre foi ligada direta ou indiretamente com o Scena, já que muitos que acompanham a gente hoje conheceram o trampo por lá, e a partir disso uma relação mais próxima e amistosa entre nós foi inevitável. Com o passar dos anos, fomos nos aproximando cada vez mais, e hoje temos uma amizade foda com a Nata (Manger Cadavre?), que sempre nos apoiou como músicos e como camaradas, e que à frente do Scena Lab sempre fez um trabalho exemplar ajudando muitas bandas, inclusive nós,e sendo realmente uma figura muito importante na cena underground a quem temos orgulho de chamar de amiga. Fica aqui também um salve para o Caio (Desalmado), outro apoiador do nosso corre desde sempre,e a todos os envolvidos no canal, na produtora ou em qualquer outra esfera, somos grandes admiradores! Então é basicamente isso, viva o Scena sempre, uma plataforma feita por quem vive o underground, e que foi responsável por divulgar e registrar muitas bandas autorais e movimentar de forma essencial o fluxo da cena independente principalmente durante a pandemia e até os dias de hoje.

    Qual é a expectativa da banda para o primeiro giro em nossa região?

    SDB: Expectativa máxima! 2025 é o nosso terceiro ano consecutivo saindo em turnê, e é uma honra imensa poder pela primeira vez apresentar nosso som ao vivo nessa região tão linda e importante do nosso país. Nordeste que, além das características históricas e culturais fortíssimas, é também celeiro de diversas bandas, selos, e inúmeras atividades que são referência no cenário independente, algo que nós como brasileiros sentimos orgulho, e que agora poderemos conhecer e fazer parte de alguma forma, então a nossa ida ao role de vocês é motivo de muita felicidade por aqui!

    Vocês estão lançando o primeiro álbum em vinil. Por que escolher um trabalho retroativo?

    “ASQMAEAMDD” foi lançado em 2020, como nosso primeiro registro oficial, e é um trabalho muito importante para nós e para muitos que acompanham nossa música até hoje. Em 2025 o disco completa 05 anos de seu lançamento,e nós vimos nisso uma oportunidade de celebrar esse álbum que nos abriu diversas portas e segue agregando seguidores ao nosso som. Mesmo após 3 discos registrados, as faixas do nosso primeiro álbum seguem sendo parte vital do nosso repertório por nós, pelo público e até por um carinho de cunho pessoal, tendo em vista que foi um trabalho feito com muita raça e vontade, e que nos serviu de afago em um momento em que principalmente eu (Verme) e o Sinuê, vivíamos as consequências de tempos e experiências sombrias e recentes. O lançamento desse disco em LP é uma grande realização para nós, tinha que ser ele. Um salve ao Daniel e à Brado Records por estimular esse lançamento e encarar ele conosco.

    Há planos de algum lançamento em 2025? Single, clipes? Há alguma produção em vista?

    SDB: Bom, nesse exato momento nós já temos demos e material bruto para um novo lançamento, mas ainda estamos em fase de pré produção e dando uma atenção bacana para o processo, para que em 2026 a gente possa agregar um material trampado e inovador na nossa discografia. Para 2025 nós temos alguns planos, um clipe com certeza está em vista, e quem sabe o lançamento de um disco ao vivo, registrando os últimos anos de estrada em algo sólido. Mas isso ainda são idéias que vamos dar mais atenção quando chegarmos em casa após essa turnê, que será a maior que fizemos até hoje. O próximo episódio do Doc. Extremo, iniciativa do nosso baterista Sinuê, quem vem registrando imagens de forma cronológica das experiências da banda e transformando isso em material também vai sair, dessa vez no giro Nordeste.

    Nesse período de atuação da banda, quais foram os shows que mais marcaram a banda?

    SDB: Olha, por mais clichê que pareça é realmente difícil escolher. A grande maioria dos shows que fizemos e dos picos que visitamos nos renderam experiências e trocas muito fodas! Mas tentando manter o foco da questão, acho que posso citar nossa apresentação no Circo Voador, casa lendária do Rio de Janeiro em que dividimos palco com o KRISIUN, e por onde já passaram inúmeros artistas renomados e que tanto admiramos. Hocus Pocus em São José dos Campos também é uma casa extremamente clássica onde nós somos muito bem recebidos pelo público e sempre rola um show destruidor. Enfim, tocamos com artistas maiores como ABBATH e CRYPTA e obviamente foi muito marcante, mas no role underground nós carregamos muitas memórias boas, e com certeza um show que nos marcou muito foi o La Iglesia, em São Paulo, estado que sempre nos acolhe de forma profunda e onde hoje temos muitos amigos. A meta agora é que o Nordeste aumente essa lista hehe.

    As letras trazem reflexões muito profundas sobre a individualidade, traumas, e sobre a humanidade em decadência. Quem as escreve? Como se dá o processo de composição?

    Verme: As letras na grande maioria dos casos são escritas por mim. Acredito que a mensagem lírica da banda gere algum nível, grande ou pequeno, de identificação do público, por tratar de temas corriqueiros e frustrações coletivas.

    Minhas letras são extremamente pessoais, e desde o início da banda sempre foram naturalmente oriundas de traumas como abuso, doença e mortes trágicas, experiências que infelizmente eu vivi, e que resultaram em consequências irreparáveis. O nascimento do Sangue de Bode aconteceu em um momento muito delicado para mim, com a recente morte do meu Pai após longos anos de doença e degradação, e o muito recente suicídio de um dos melhores amigos meu e do Sinuê. Nós dois vivemos isso juntos e fundamos essa banda tendo essa sensação como o principal alicerce. Nunca foi algo planejado, afinal quem quer passar por isso? Como responsável pelas letras e as escrevendo sem tanto “planejamento”, acho que fora minhas angústias pessoais, os temas acabam inevitavelmente passando por questões sociais e coletivas, e também pela revolta e pelo espectro político, problemas e indignações de uma sociedade adoecida, a qual eu, assim como todos, também faço parte.

    E do instrumental? Como vocês compõe as músicas? Quais são as influências diretas da banda?

    Verme: Nós carregamos diversas influências o que faz do nosso som o resultado de 4 cabeças e referências diferentes, com suas peculiaridades. Desde sempre nos apresentamos como uma banda de Metal Extremo, já que a intenção musical que carregamos nunca foi se solidificar em algum nicho, mas usar das nossas referências para fazer o som que nós gostaríamos de ouvir. Pela nossa vivencia enquanto amigos, acho que o Black e o Death Metal são vertentes comuns entre nós 4, mas também vejo que o Thrash, o Grind e até o Nu metal estão muito presentes nas nossas músicas. Respeitamos o passado e não temos medo do que é moderno.

    As composições geralmente se iniciam comigo, fazendo riffs de guitarra e rascunhos de idéias, ou nas jams que eu e o Sinuê tentamos manter ativas com frequência da maneira que podemos.

    A partir disso o processo de composição acontece de forma coletiva, nós mantemos um grupo onde cada um manda suas sugestões, onde o Nekrose manda seus riffs ou suas idéias mais sólidas, e eu (Verme) fico encarregado em maior parte da seleção de material bruto e na estruturação dos sons, sempre buscando o equilibrio da opinião de todos, o que acaba não sendo tão dificil pois nós nos identificamos com muitas coisas em comum.

    Nossas influências de certa forma também vão além de referências musicas e passeiam por outras vertentes da contracultura como filmes e quadrinhos de terror, somadas à influência pessoal e fúnebre das nossas experiências individuais.

    Quais são as bandas nacionais independentes que vocês indicam para os nossos leitores?

    SDB: Manger Cadavre?, Ereboros, Vazio, Coyote Bad Trip, Nefarious D-saster, Klitoria, Grave Desecrator, Cabranegra, LAC, Clava, Demônio, Payback, Zeugma, Trachoma, Guro, Desalmado, Vantas entre muitas outras.

    Obrigado pela atenção. Esse espaço é de vocês! Deixem um recado para as bandas que estão começando.

    SDB: Mais uma vez muito obrigado pelo espaço, gratidão imensa por isso! Pra galera que se interessa pela cena independente, leve seu corre a sério, respeite seus companheiros e faça parte dessa grande mágica coletiva do underground,

    seja lançando som, comparecendo aos eventos, apoiando as bandas e correndo pelo certo! Viva a Classe trabalhadora e morte aos bilionários.

    Nos vemos na estrada!