“The Revolution Continues” – O Thrash Metal com Consciência de Classe do Red Razor

Uma das gratas surpresas que 2019 me reservou, foi conhecer o trabalho da banda catarinense Red Razor. Justamente em um dos estados com maior índice de apoio a Bolsonaro, é de onde surgiu um dos melhores trabalhos lançados esse ano: The Revolution Continues, lançado pelos selos Under Machine Records, Helena Discos, Resistência Underground, Escória Distro, Antichrist Hooligans Distro e Tales From the Pit . Para os fãs de thrash metal da velha escola, o disco é obrigatório.

capa é assinada por Andrei Bouzikov (Municipal Waste, Violator, Toxic Holocaust, S.O.D., Autopsy…)

Neste disco eles incluíram novos elementos musicais, principalmente de Death Metal, com vistas a construir uma sonoridade mais própria, respeitando as suas influências mas criando algo mais original. Além disso, o teor político nunca esteve tão em evidência. ” Entendemos que a arte é um importante mecanismo político e não podemos fechar os olhos à ascensão do pensamento fascista no país, trazendo músicas com temática voltada a denunciar o processo de ruptura com a democracia que estamos vivenciando desde 2016 (RIP Democracy) e o agravamento da violência contra populações periféricas (Violent Times) ” – comentam.

Faixa a Faixa

A faixa que dá nome ao disco, abre o álbum com riffs clássicos do thrash metal e muita energia. A letra coloca a revolução como um fato, a revolta da cerveja. Em um tom divertido, a mensagem na realidade ressalta a importância do boicote a grandes corporações multinacionais que injetam um grande capital em propaganda, crítica ao que as mesmas fazem com a nossa terra e pede apoio aos pequenos comerciantes.

For Those About Thrash entra na sequência é uma ode aos thrasers e justamente por isso começa com uma levada perfeita para o circle pit. Com solos excelentes de Daniel Rosick e Fabricio Valle, tem tudo para se tornar um clássico da banda.

Violent Times, por sua vez, denuncia a indústria armamentista que corrompe o estado (vide aqui a bancada da bala) e mata todos os dias o povo periférico em uma falsa guerra contra as drogas. Destaque para o baixo que gruda na nossa cabeça;

Born in South America é o single que já havia sido lançado pela banda e tem destaque pra batera que é colocada à velocidade da luz. Mermão, que som! Peso, velocidade, raiva. Tem tudo nesse som. A letra retrata a exploração indígena pelos primeiros colonizadores, exploração essa que se estende aos dias de hoje, pelos neoimperialistas.

R.I.P Democracy fala sobre a votação que perpetuou o golpe no Brasil. Votação sem crime de responsabilidade, mas por Deus, pela Família, a nossa democracia morreu. Solos muito bem executados e nada chatos, vocal e backing vocals são os destaques do som.

Sour Power é outro som que liga cerveja à revolução em analogias. E que riffs, meus amigos. É pra ficar tonto, como numa bebedeira!

Brewtal Mosh fala da realidade do trabalhador explorado em subempregos que odeiam, e buscam na cerveja e no mosh um escape para a realidade. O destaque desse som é o vocal que é colocado em alguns momentos como Tv Party do Black Flag. Instrumental perfeito. É um dos pontos altos do disco.

Fechado o trabalho temos The Sadist, narra o nascismento do serial killer conhecido como Vampiro de Düsseldorf. Com vocal mesclando o gutural com o gritado, clássico do thrash, e andamentos criativos, celebra com chave de ouro essa ode ao thrash metal brasileiro.

Track List:

1. The Revolution Continues
2. For Those About to Thrash
3. Violent Times
4. Born in South America
5. RIP Democracy
6. Sour Power
7. Brewtal Mosh
8. The Sadist

LINKS adicionais:

Bandcamp: http://redrazor.bandcamp.com/

Facebook: https://www.facebook.com/RedRazorThrashMetal

Instagram: https://www.instagram.com/redrazorthrashmetal/

Spotify: https://play.spotify.com/artist/5unXbCLWu

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Deezer: https://www.deezer.com/br/artist/8667420

Youtube: https://www.youtube.com/user/RedRazorThrashMetal

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