O Blackned Crust do Mácula Como Resistência na Bahia

A Bahia nos presenteia com bandas de muita qualidade e uma delas nos inspira na resistência por uma postura concreta e repleta de atitudes do “Faça Você Mesmo” na prática: conheça o blackned crust do Mácula.

A banda se formou em 2010 em Simões Filho/BA. Fale um pouco sobre o começo da Mácula e a cena baiana.

Na verdade, a Mácula é uma banda que surgiu de um outro projeto chamado “Nuvens negras”, idealizado a partir das conversas entre Caleb e Italo, após o término de seus respectivos grupos (Lágrimas de Ódio e Choque Frontal). Ao vir morar na Bahia, a Debie assumiu o baixo e, assim, ao lado dos supracitados e do Bal, nosso batera, formamos a Mácula. Iniciamos as atividades tocando músicas já construídas anteriormente, algumas delas – como Ideias Incendiárias – fazem parte do nosso repertório até hoje e sintetizam um tanto dos nossos pensamentos e expectativas.

Embora a Mácula tenha dado seus primeiros passos em Simões Filho (ensaios, encontros e tudo mais), Italo, na época, morava em Camaçari – e hoje, em Salvador, ou seja, dizer que somos um grupo simõesfilhense seria algo um tanto equivocado, rs. Sobre a cena, boa parte das bandas daquele período já não está mais em atividade, outras seguem firmes, como a Orelha Seca e a Asco, a Rancor e a Agnósia (projetos nos quais membros da Mácula também estão envolvidxs), entre outras.

No último ano o selo Crust or Die, o qual vocês são envolvidos fez uma rifa para angariar dinheiro para comprar uma nova guitarra para o Itálo. Vocês conseguiram? Podemos esperar a volta da banda às atividades?

Como você tocou no assunto, queremos aproveitar o espaço para agradecer a todxs aqueles que nos ajudaram de alguma forma, comprando a rifa, compartilhando a ideia, comentando, etc agradecemos demais, pessoal! No entanto, cabe ressaltar que, na realidade, a rifa foi para conseguirmos recursos para a compra de captadores semelhantes aqueles que estavam na guitarra do Italo quando ele a perdeu. Sim, embora não tenhamos conseguido passar adiante todos os números da rifa, ela deu certo. Agora estamos nos reorganizando para a retomarmos os ensaios e continuarmos nossas atividades, ainda mais com dois lançamentos – os splits com a Reiketsu e Extinction Remains – batendo à porta.

Fale um pouco sobre o processo de composição dos sons e sobre os lançamentos dos splits com o Reiketsu e com a Extincion Remains.

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Podemos dizer que a Mácula compõem suas músicas em conjunto: um chega com uma base, geralmente Italo e/ou Caleb, passamos as cordas, Bal vai pensando e desenvolvendo a bateria, o instrumental vai sendo passado e todxs, na medida do possível, vão opinando, após essa etapa, Caleb vai encaixando as letras (ele tem um caderninho cheio delas, rs); às vezes acontece de Caleb enviar algum esboço de letra para Italo pensar nas melodias e talz. Como você bem colocou, nesse ano está previsto o lançamento desses dois splits: Mácula e Reiketsu é um projeto de longa data que finalmente se concretizará nesse ano, será nosso primeiro lançamento em vinil, e estamos extremamente empolgados com esse lançamento, pois a Reiketsu é nossa banda irmã, tocamos juntos algumas vezes e a parceria é grande (<3); já o split com a Extinction Remains é algo, de fato, novo: ainda não tocamos nenhuma das faixas, e todas elas foram criadas já para compor um material compartido. Ambos os materiais mostrarão uma nova Mácula, uma Mácula diferente: algumas dessas mudanças, tanto na parte instrumental como na lírica, poderão já ser observadas nas composições que farão parte do split com a Reiketsu (apesar das letras claramente politizadas, um lado mais introspectivo, existencialista – para alguns, diríamos, pessimista toma formas) e se tornarão mais nítidas no material a ser lançado com a E.R. (onde, inclusive, o hardcore crust que caracterizou nossos primeiros trabalhos pouco aparecerá).

Nazifascimo Tropical é um som extremamente atual que foi composto em 2015. Como vocês avaliam o cenário político atual e como ele está influenciando na cena?

O mundo todo parece estar seguindo uma nova onda política que que não nos cheira nada bem, o Brasil apenas confirmou que ele, infelizmente, não é exceção. Começamos a reparar esse declínio, por assim dizer, há algum tempo, em 2015 (ano da composição) isso já se mostrava de forma muito temerária, já era previsto, sabe? Depois de tanto pensar e pesar, tanto refletir sobre, hoje podemos dizer que o momento político do qual compartilhamos e no qual vivemos é, primeiro, uma excelente peneira, pois permite, de certa forma, perceber quem é quem na dita “cena”, através dos posicionamentos que bandas, coletivos e indivíduos assumem; segundo, dizem que não há movimentação quando o período é de acomodação, ou seja, em um momento como este, somos impelidos a agir, a nos mexer e arcar com nossos posicionamentos – não é um bom momento para medrosos. Esse triste cenário que assola todo o mundo tem derrubado máscaras e dividido “cenas”: proporcionando que diversos ratos saíssem do esgoto e dessem as suas caras. As pessoas, aparentemente, têm se tornado menos “apolíticas”; acreditamos que isso possa contribuir para uma movida mais madura e consciente e que, no final, possamos nos mostrar mais fortes.

Indiquem três bandas nacionais que vocês ouvem e curtam o som e posicionamento. Fale um pouco sobre elas.


Só três? Putz!
Pode parecer clichê, mas aí vão 3 bandas que estão diretamente ligadas ao Crust Or Die (até pq, caso não acreditássemos nelas, não abraçaríamos seus respectivos lançamentos):
1.  Manger Cadavre? – A Manger virou uma banda parceira desde o ano passado, quando fizemos um re-lançamento do “Origem da Queda”. Já gostávamos bastante do trabalho da banda, não só pelo som, mas principalmente pelo posicionamento político da banda, principalmente da Nata, vocalista, sempre muito ativa tanto no underground quanto fora dele. Nesse ano tivemos o prazer de editar o primeiro Full deles, chamado “AntiAutoAjuda”, que trouxe uma temática importante e atual: a questão de como o capitalismo contribui para o surgimento de doenças como a depressão e a ansiedade.

2. Reiketsu – Como falamos anteriormente, são como irmãos para nós, temos compartilhado boas histórias e experiências há algum tempo, sabemos dos corres dos meninos (nem tão meninos, kkkk) e, além de tudo, há uma grande identificação com os sons (letras e músicas).

3. Malespero – Temos enorme apreço por esses mineiros, já compartilhamos espaço e fomos muito bem acolhidos por eles, temos consciência dos corres de alguns integrantes do grupo e do posicionamento do grupo como um todo mesmo, contrário a esse projeto fascista que paulatinamente veio se desenvolvendo no Brasil.

Sabemos que você pediu apenas 3 nomes, mas, embora tenhamos citado 3 bandas do eixo sudeste, seria injusto não aproveitar o espaço para pedir aos leitores que abram seus ouvidos e mentes para as tantas bandas fodas da Bahia e do restante do NE, que há muito vêm trampando e se posicionando e, muitas vezes, por falta de espaço, por situação geográfica e outros tantos fatores continuam esquecidas ou simplesmente encerram suas atividades sem as oportunidades e o espaço dos quais poderiam usufruir.

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Quais são os projetos futuros da Mácula?

Bom, estamos à espera desses dois novos álbuns (splits), uma das coisas a fazer é conseguirmos manter uma boa sequência de ensaios e, futuramente, apresentações para espalhá-los como praga pelo mundo afora – ou seja, pronto esperamos convites para infernizá-los em todo e qualquer lugar. Depois, queremos sentar com calma, pensar e desenvolver a ideia de um full-length, projeto que nos persegue há algum tempo.

Considerações finais.

Queremos agradecê-lo pelo espaço aberto, pelo convite que você e tantos outros nos fazem, mesmo estando paradxs há algum tempo, para falarmos de nós, de nossos projetos, de nossas ideias e para enchermos o saco, como bem sabemos, de todxs. Isso é muito gratificante e nos estimula a não ceder e não parar, mas a seguir em frente.
Àquelxs que não nos conhecem, abaixo estão alguns endereços virtuais, bem como nossa caixa postal, para que conheçam um pouco mais, troquem ideias, interajam conosco:

– Caixa postal 113 – CEP 43700-000 – Simões Filho/BA          

https://macula.bandcamp.com/

– Spotify: https://open.spotify.com/artist/0DyTj2GWyxYVq4HkohWgwP

Obrigado a todxs que têm nos acompanhado e “suportado”. Abraços livres!

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