Fuck Namaste: O Faça Você Mesmo Como Norteador de uma Existência

Foto: Yago Albuquerque

Vocês são de Caucaia/CE, e vemos que estão em atividade constantemente. Seja com shows, lançamentos e outras produções individuais, vocês são pessoas ativas na região. Falem um pouco da importância do “Faça Você Mesmo” para cada um de vocês e para a banda.
O Faça você mesmx é nossa vida, porque tudo que fazemos tá inserido nessa prática. Foi o modo de ver o mundo que agente escolheu pra fugir da vida falsa de contra cheques. 
É algo que faz você querer tá dentro, pois não dá pra teorizar assim tão bem quanto a prática hahahhahaa tipo se tá chato, agente cria a diversão, se tá troncho, agente conserta, é como se fosse um “bushido” do subterrâneo! Vai além da música também, pois pode ser aplicado quando você cozinha por exemplo. É sobre subversão, ou sobre dar um outro significado pra tudo que nos foi imposto e enfiado goela abaixo.

Vocês começaram já lançado de cara um álbum com 13 sons. Há um ano vocês lançaram um split com a Chikara. Falem um pouco sobre o lançamento.
O pessoal de lá conversou com o pessoal de cá, e como tínhamos as músicas prontas, foi só mandar. A infernet meio que derrubou essa barreira da distância e facilitou também. Eles também tem splits com outras bandas do Brasil como Baixo Calão, What I Want e Klitores Kaos.

Há alguns anos haviam muitas bandas no estilo espalhadas pelo Brasil. Como vocês consideram que a cena de fastcore/power violence está atualmente?
Toda hora tem banda lançando discos, eps, lps, splits, tapes. Sempre dá uma renovada de bandas aqui e acolá, como se algo fosse cíclico, digo isso porque é só olhar num youtube, ou em outra plataforma digital/virtual e teremos milhares de pessoas envolvidas na barulheira. Aqui no Bra$il deu uma morgada um tempinho atrás, mas como falei, é cíclico, daí já vemos outras pessoas, ou ás vezes as mesmas pessoas, fazendo som rápido e sujo, em qualquer lugar do país vai ter gente fazendo zuada porque como a nação tá doente, motivo é o que não falta pra cuspir na cara do esquema.

Como é ser uma banda posicionada ideologicamente em uma época de extremo conservadorismo e avanços gigantes da direita neoliberal?
Se você vai vai tocar hardcore/punk/metal já tem de tá implícito na sua cabecinha que é contra toda essa merda que tá aí! É totalmente incoerente você achar que ouvindo Napalm Death, você pode ir pra igreja domingo e fazer arminha com as mãos. O lance do underground são pra pessoas que já tão com azia de tanta loucura que o sisteminha cagou na gente! Foi criado pra indignação, se você não se posicionar contra essa cambada que tá no poder (eita que clichê! hahahahahha) você nem precisa começar a ouvir esse tipo de som; no final vai ser tão sem sentido, as letras das bandas que você escuta, falando mal de você mesmo hahahahaha não tem muita lógica né?! Agente acorda cedo pra ralar, tamo P da vida, vamo pagar imposto até morrer, tanta putaria assim pressionando que nosso posicionamento se alimenta de emputecimento.

“muitas mulheres se sentem muito representadas pela minha pessoa
como mulher, gorda, negra e nordestina.”

Como é, para a vocalista Priscilla, ser uma mulher negra nordestina dentro de uma cena majoritariamente masculina e branca?
Tem várias questões. A primeira delas é o peso da responsabilidade de estar com o microfone e muitas mulheres se sentem muito representadas pela minha pessoa
como mulher, gorda, negra e nordestina. Então eu preciso ter muita cautela sobre o que dizer pra não soar ofensivo pra alguém que não é nosso alvo. A gente usa muito ironia nas letras e as vezes alguns ataques diretos mesmo, e o cuidado de passar essas mensagem chegue corretamente e que nosso discurso não seja tomado por pessoas que somos contra por exemplo. Sobre a questão de gênero em si muitas pessoas acham que eu não sou feminista por que não falo muito sobre isso no palco mas a minha presença ali e a minha vivência já deveriam servir mais do que os gritos que eu dou. O respeito tem que vir independente de eu estar no palco e que eu não precise pedir por ele pra tê-lo. Ainda se enfrenta esse tipo de barreira mas não é algo que me faça recuar, de forma alguma.

Foto: Yago Albuquerque

Indiquem cinco bandas nacionais que vocês realmente curtam.
Nossa! Existem muitas bandas que gostamos, mas vamos destacar somente bandas Brasileiras: Blight (CE), Afronta (CE), Diagnose (CE), Manger Cadavre?(SP) e Falso (RN) mas tem tantos, tantos, que não caberia nessa entrevista. É difícil escolher só cinco.

Quais são os planos da banda?
Lançar materiais, tocar, se divertir, jogar praga nos políticos/policiais, roubar ricos, tacar fogo em igreja, fazer amor, apedrejar bancos…

Considerações finais
Obrigado pela paciência, obrigado pelo apoio, obrigado a você que leu; apoia tua cena de algum jeito.

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