A Realidade Distópica Apontada Pelo Rest In Chaos

Questionando a essência do comportamento humano na contemporaneidade, Rest in Chaos faz uma análise subjetiva sobre como os signos neoliberais influenciam no nosso comportamento. Matando a nossa própria personalidade, aquilo que realmente somos, para adequação ao sistema e os frutos da tecnologia, usadas de forma irracional, a banda planta questionamentos em seu death metal influenciado pelo teor crítico do grindcore e do thrash metal. Conheça um pouco sobre a banda catarinense nessa entrevista!

Vocês começaram a banda em 2016 e nesse pouco tempo de estrada já realizaram grandes feitos como tours, clipes, lançaram material… Além do som que é excelente, o que vocês consideram como essencial para as coisas acontecerem para uma banda independente?

Acreditamos que força de vontade e atitude são coisas essenciais para que haja algum tipo de evolução em um projeto, acreditar no som, arregaçar as mangas e não criar empecilhos também ajuda, de resto é apenas sorte de estar nos lugares certos, com as pessoas certas.

O clipe do som “Ego Riser” é muito bem produzido, assim como o som. Falem um pouco sobre a concepção desse trabalho.

A ideia básica da música é falar sobre o quanto matamos a nossa própria personalidade, para garantir que estamos certos. A partir disso, encontramos um lugar abandonado para representar nossas mentes. Fizemos a confecção de corpos e adicionamos o elemento do sangue. A mensagem acaba ficando sutil e metafórica, mas o objetivo é assustar para que depois entendam. Os corpos mortos no clipe, na verdade, representam nossas próprias personalidades, mortas pelo nosso ego.

Quais são as principais influências no som de vocês? Sobre o que as letras tratam e quem as escreve?
Nossas influências passam por bastantes vertentes, do Metal atual ao Thrash, Grind, Hardcore com pitadas de Death Metal também. Até agora a temática de nossas letras fala basicamente do quão raso o ser humano se tornou, dominado por pequenas máquinas e apps (celulares, tablets e redes sociais), vive em função de sua imagem, tenta passar algo que não é e faz com que outras pessoas se sintam mal por não ter condições de ter o mesmo, mentindo para si mesmo. Look At Me e Ego Riser são exemplos perfeitos de nossa temática. Para os próximos trabalhos estamos pensando em maneiras de expandir o conceito e começar a entender melhor as emoções e ideias que levam os humanos a interagir dessa forma, tentar entender a fundo o porquê perdemos o controle de nós mesmos.

Vocês vão se apresentar junto ao Brujeria em Florianópolis. Como se deu o convite? Como está a expectativa para o show?
O convite acabou acontecendo bem naturalmente. O Kaká (da Xaninho Discos) é quem estava produzindo e acabou que fomos recomendamos como banda de abertura por alguns amigos em comum com ele, pessoas que já conheciam o nosso trabalho. E foi assim que ele conheceu a banda. Depois disso conversamos bastante, durante uma semana inteira alinhando Ideias, para que houvesse a parceria e tivéssemos a certeza de que tudo estava alinhado. Acabou dando certo. O Kaká é um cara bem profissional da cena, está há muito tempo envolvido e é muito respeitado. Ficamos bem felizes com esse voto de confiança, gratos por poder fazer parte desse rolê!

Recentemente vocês saíram em tour com a banda Distraught. Comentem um pouco sobre os shows, o convívio entre as bandas, aprendizados, perrengues…
Tá aí um rolê que foi bastante especial pra gente. A Distraught é uma banda que conhecemos há muito tempo e temos uma grande admiração. Viramos amigos, mantemos contato ao ponto de irmos na casa uns dos outros, literalmente a parceria aconteceu. Foi uma tour muito divertida e quase não houve perrengues, foi só parceria e diversão.

Indiquem 5 bandas nacionais que vocês curtam e que os nossos leitores deveriam conhecer. Falem um pouco sobre elas.

Distraught sem dúvidas é uma das bandas que todos deveriam conhecer, metal pesado, anos na cena underground, peso absoluto e com muita classe.

Manger Cadavre? Também é recomendadíssimo, nossos irmãos do crust fazem uma sonzeira com muito contexto, nos fazendo refletir sobre o atual momento de escuridão em que vivemos politicamente no Brasil. Muito respeito!

Surra, motivos pelos quais nem precisamos falar, né… Surra quebra em todos os sentidos!

Eutha não poderíamos deixar de citar. Banda do underground catarinense com quase 30 anos de vida, peso e agressividade inclusive nas letras.

Desalmado. Essa é uma das bandas que viraram referência em conceito e caminho a ser trilhado.

Podemos esperar um full album?

Sim. No momento estamos em estúdio regravando o nosso EP de 2016 para juntar com os outros 3 singles, mixados e masterizados pelo Adair Daufembach. Decidimos regravar para que houvesse a mesma qualidade dos últimos sons lançados, e com isto, temos em mãos um material de 10 faixas, nosso primeiro full álbum.

Quais são os planos futuros da Rest in Chaos?

No momento estamos produzindo o material para o lançamento do nosso próximo single, Artificial, e finalizando as edições para o clipe do mesmo. Além disso, o processo de composição nunca para e pretendemos lançar nosso segundo full já em 2020. Temos planos para uma tour, mas ainda estamos em negociação e é surpresa até pra gente onde será. Seguindo em frente, continuaremos indo até onde nos chamarem, levando nosso som e nossa mensagem, resgatando cada indivíduo que pudermos incluindo nós mesmos, para que o mesmo não nos tornemos este ser humano raso do qual falamos em nossas músicas.

Considerações finais

Queremos agradecer à todos que contribuíram de alguma forma para que nós, a RIC tenha conseguido chegar até aqui. Continuamos acreditando que através de um esforço coletivo e de muita união, as coisas se transformem novamente. Desejamos que todos os responsáveis por manter a cena viva, permaneçam acreditando, que todos os admiradores e entusiastas da música alternativa continuem comparecendo aos shows e mantenham viva a chama deste nosso lado obscuro, só assim, bandas como nós e as outras que citamos, conseguirão continuar a caminhada.

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