ABRIL PRO ROCK: a consolidação da resistência antifascista no metal!

O dia mais aguardado no Abril Pro Rock aconteceu ontem, dia 20. Exposição de arte, feira com material independente, rango, cerveja, metal e uma frente antifascista consolidada mostraram a importância de se tomar partido. As bandas clássicas fizeram shows históricos, mas as apresentações de nomes como Desalmado, Flageladör e Manger Cadavre? foram os pontos altos da noite.

Foto: Abril Pro Rock

Com dois palcos paralelos, grande celebração do metal começou no Palco 1 com a Exorcismo. Ótima banda de Recife que fez as honras da casa com maestria em seu thrash metal. Na sequência, nos voltamos para o palco para conferir o que os 33 anos de hardcore da banda pernambucana Pesado. Eles mandaram um set lindo com direito a
Câmbio Negro e Aorta.

Foto: Abril Pro Rock

O trio Eskrota, por sua vez, tomou o palco 1 com chamadas para o feminismo e antifascismo. O show demorou um pouco para começar, mas nada que quebrasse a dinâmica do fest. A apresentação foi enérgica, com destaque ao som “Eticamente questionável”. O batera desceu o braço nos pratos, o que deu muito peso ao som. A vocalista que também é guitarrista mandou riffs impecáveis e todo o carisma da baixista que trouxe aos graves muito metal ao harcore da banda, fazendo um crossover muito bom.

Flageladör é uma banda carioca, mas que já é uma conterrânea. Já vi 5 shows dos caras por aqui, e posso dizer com propriedade de causa: esse foi a apresentação mais brutal dos caras. Sempre fico empolgado com o thrash/speed metal da banda e toda a estética que trazem para o palco é impecável. Ao final do show um dos integrantes acabou caindo. Não sabemos se foi performático ou ele só se desiquilibrou, mas que fechou o show com chave de ouro, é inegável. A detruição estava plantada.

Foto: Abril Pro Rock

Na sequência uma das bandas mais aguardadas da noite começou a apresentação no Palco 2: Manger Cadavre? mandou o papo reto. Lembrando os 23 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, a banda iniciou o set com “Abril Vermelho” em um bloco que contou com “O Homem de bem” e uma música nova (que não me atentei ao nome) antecipando o que virá no novo álbum, que a banda anunciou que sairá no dia 1º de maio. Além da apresentação impecável da banda que teve uma bateria regada a d-beat, riffs que vão do hardcore à palhetadas de black metal, baixo com muita importância na composição das músicas e o vocal potente de Nata Nachthexen, a banda ousou trazer uma mensagem extremamente política ao festival: Quem mandou o vizinho do Bolsonaro matar Marielle?, indagou Nata. Lembrou a reintegração de posse de Pinheirinho e a brutalidade do PSDB em seu estado. Mas o ponto em que a galera foi ao delírio aos gritos de #lulalivre, foi o momento em que a vocalista desenrolou uma impressão com uma ilustração do Bolsonaro com uma suástica na testa. Ela exibiu por alguns momentos e destruiu a imagem. O recado estava dado: FASCISMO SE DESTRÓI!

Foto: Baionetaderosca

Manger Cadavre? (@mangercadavre) em um dos pontos altos (juro!!) das últimas edições do @AbrilProRock!!!#FASCISTASNÃOPASSARÃO pic.twitter.com/JvxPVcYY87— wack-o matic-o™ (@wackomatico) 20 de abril de 2019

Foto: Abril Pro Rock

A apresentação da The Mist no Abril Pro Rock foi emocionante. Os mineiros trouxeram o thrash metal brasileiro que a gente tanto ama com muita empolgação e carisma. Os caras são verdadeiros mestres e merecem todo o respeito. O palco 1 ficou pequeno para a magnitude do som. Destaque para a montagem do palco que criou um clima foda! Os vocais do Vladimir Korg estavam mais brutais que nunca. Esperamos mais shows e vida longa à banda.

A banda mais aguardada por boa parte do público, se apresentou no palco 2: Desalmado. Contra o Estado Fascista e Toda Opressão Religiosa, o vocalista Caio mostrou o porque é considerado um dos maiores frontmans que o metal nacional atual possui. Enfiando o dedo nas feridas, trazendo a política ao palco, ele deu o comando e o público entendeu: FASCISTAS NÃO PASSARÃO. Bateria à velocidade da luz, baixo com muito peso, riffs criativos e extremamente bem executados, além do vocal brutal e potente, Desalmado é um colírio para se ver, ouvir e ler as letras. Haviam muitas pessoas cantando todas as letras da banda e isso é emocionante de se presenciar. É claro que não me segurei e acabei no mosh brutal que esteve presente do começo ao fim da apresentação dos caras. O destaque ficou para o som Bridges to a new dawn, em que as minas arrebentaram no mosh e stage dives. Voltem mais vezes a Recife. Vocês são o nome do deathgrind no Brasil e a postura de vocês é necessária.

Foto: Baionetaderosca

Foto: Abril Pro Rok

Nuclear Assalt começa o seu show no Palco 1 e o circle pit já estava insano desde o primeiro som. Os veteranos do thrash metal destruiram o Baile Perfumado, com sons clássicos que agradaram em muito ao público. Nesse momento eu estava me recuperando do mosh anterior e fiquei assistindo. Mestres serão sempre mestres! Só pedrada com interações junto ao público.

Infelizmente tive que ir embora e não consegui prestigiar os shows do Sanctifier e do Ratos de Porão, mas soube que foi regado a gritos de “Ei, Bolsonaro, vai tomar no cu”. O Ratos tocou o disco Brasil que completa 30 anos e é extremamente atual, além de de mais alguns clássicos. Ou seja, não poderia ter sido melhor.

Nossos cumprimentos a toda organização do festival que provou a competência, com organização impecável, cast brutal, posicionamento ideológico bem firmado e mostrou porque é o maior festival de música extrema do Brasil. Até o ano que vem!

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